tce mt
Sérgio Ricardo cobra urgência na recuperação da MT-170 e defende atuação do Exército nas obras
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, cobrou, nesta quinta-feira (3), urgência na recuperação da MT-170 e defendeu a permanência das construtoras responsáveis pelas obras, durante reunião da mesa técnica que busca soluções para a rodovia. Na ocasião, ele também propôs que o Exército Brasileiro passe a atuar em outras obras rodoviárias do estado, para garantir a qualidade e a durabilidade do pavimento.
“As mesas técnicas são instaladas com um único objetivo: ajudar na resolutividade de situações que beneficiem a população do estado de Mato Grosso”, afirmou o presidente. “As empresas têm que ficar lá, têm que terminar a obra. Não adianta tirar todas e refazer processo licitatório, contratar gente e levar pessoal para lá. Isso é um ano, dois anos, e daqui a pouco vem a chuva”, acrescentou.
A mesa técnica é relatada pelo conselheiro Campos Neto, também relator das contas da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), que integra as discussões. “Na condição de relator, estou nesta mesa técnica com o objetivo de encontrar medidas para solucionar as questões referentes à recuperação da rodovia. Contem comigo e com a nossa assessoria.”
Conduzida pela Secretaria de Normas, Jurisprudência e Consensualismo (SNJur), a mesa reúne ainda a Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT), a Controladoria-Geral do Estado (CGE-MT), o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso (Crea-MT), as construtoras Agrimat Engenharia e Empreendimentos, Cavalca Construções e Mineração, Guaxe Construtora e MTSul Construções, além da Consol – Engenheiros Consultores, responsável pela fiscalização.
Padrão de qualidade e atuação do Exército
Sobre a execução das obras da MT-170, Sérgio Ricardo lembrou que a rodovia era federal e integrava a BR-174, com projeto do Dnit, que previa padrão construtivo mais robusto. Com a estadualização, o projeto foi alterado. “O padrão mudou e está lá hoje uma estrada totalmente destruída, com menos de um ano de utilização.”
Além de cobrar a retomada desse padrão na rodovia, o presidente anunciou que o Tribunal dará início a uma auditoria sobre a malha viária estadual. “Vamos analisar todas as estradas de Mato Grosso, toda a malha viária, todo o asfalto do estado. O objetivo é recuperarmos todas as estradas, porque em todas elas passa gente, e onde elas foram malfeitas, morre gente.”
Sérgio Ricardo defendeu ainda que o Exército Brasileiro passe a executar obras rodoviárias no estado, ao lado das construtoras já contratadas. Segundo ele, a instituição militar pode atuar por meio de convênios, sem necessidade de licitação. “O Exército tem mais facilidade, porque não há nem necessidade de licitação, pode trabalhar com convênios. Tem excelentes engenheiros, é uma instituição de credibilidade.”
Ele também adiantou que pretende firmar convênio com engenheiros do Exército para reforçar o acompanhamento das obras públicas pelo TCE-MT. “Daqui para frente, o Tribunal de Contas vai agir de forma diferente, mais intensiva. Toda obra que começar, nós vamos acompanhar do começo ao fim, para garantir a durabilidade das estradas.”
Soluções em discussão
Ao defender a revisão de projetos com foco em durabilidade, o conselheiro Guilherme Antonio Maluf, que relata as contas da MTPar e da Nova Rota do Oeste, avaliou que a mesa pode servir de referência para outras obras rodoviárias. “As obras públicas não podem ser norteadas apenas por preço. Elas têm que ser norteadas por qualidade, por perenidade e, sobretudo, por segurança. O preço é importante, mas não pode ser o único fator na análise da conjuntura”, pontuou.
O procurador-geral do Estado, Felipe da Rocha Florêncio, ponderou que a recuperação exige avaliação técnica trecho a trecho. “O Estado está disposto a discutir tecnicamente. Cada local vai ter que ter uma solução técnica”, reforçou. Para ele, a simples retomada do projeto anterior não resolveria as patologias identificadas, e citou problemas de drenagem, compactação e adequação do material empregado.
Por sua vez, o representante da MTSul, Marcio Bozetti, destacou que a empresa está mobilizada para a discussão técnica. “Estamos aptos tecnicamente a discutir. Queremos atender a população, atender a Sinfra e atender o TCE de maneira construtiva e colaborativa, para que a gente alcance os objetivos, que são um estado forte e a população bem atendida.”
Já o diretor-presidente da Agrimat Engenharia e Empreendimentos, Alex Félix de Medeiros, apontou a divisão de responsabilidades como o ponto mais sensível da discussão, mas disse acreditar em solução rápida. “Estou muito esperançoso de que chegaremos num prazo muito curto à solução desse imbróglio. Do ponto de vista técnico, não é difícil apresentar soluções que atendam aos interesses do Estado e da população.”
O consultor jurídico-geral do TCE-MT, Grhegory Maia, destacou que a mesa técnica é um instrumento de solução estruturante. “O processo da mesa técnica é um processo difícil. É processo do diálogo, em que a gente não vai querer culpar um ou outro. É aquilo que muitas vezes o Judiciário não vai solucionar.”
Os participantes voltam a se reunir nas próximas semanas, apresentando documentações, propostas e posicionamentos sobre as alternativas discutidas.
Histórico e atuação do TCE
Originalmente integrante da BR-174, a MT-170 foi estadualizada para acelerar a pavimentação de 271,6 quilômetros na Região Noroeste. Após uma série de entraves que impediram o avanço das obras, o TCE-MT instalou uma mesa técnica em 2022 para destravar os trabalhos. A nova mesa foi aberta agora, após denúncias sobre a má qualidade da pavimentação.
A rodovia é rota de escoamento da produção agropecuária e madeireira da região e suporta intensa circulação de veículos pesados, mas não conta sequer com balança para fiscalizar o peso. As más condições da pista encarecem o transporte, dificultam o escoamento e comprometem o deslocamento de veículos de emergência, sobretudo o transporte de pacientes aos municípios-polo de saúde.
Em paralelo à mesa técnica, o Tribunal conduz uma auditoria específica para apurar a qualidade da pavimentação, a aplicação dos recursos e a responsabilidade das empresas contratadas. Na semana passada, o presidente suspendeu, por meio de cautelar, os efeitos de decisão administrativa da Sinfra que rescindia o contrato com a MT Sul, garantindo a continuidade das obras até o julgamento do mérito.
tce mt
Guilherme Maluf defende fiscalização do impacto social dos gastos em saúde durante evento do TCU
O presidente da Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social do Tribunal de Contas de Mato Grosso (Copspas/TCE-MT), conselheiro Guilherme Antonio Maluf, defendeu, nesta segunda-feira (31), que o controle externo acompanhe o resultado social do gasto em saúde, e não apenas a sua regularidade.
A declaração foi dada no seminário “SUStentabilidade: financiamento da saúde e as redes de atenção”, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O evento reúne gestores, órgãos de controle, especialistas em busca de soluções para os desafios relacionados ao financiamento e à organização do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Não basta ter a política de saúde e não basta ter o recurso. É preciso fiscalizar o ganho social, se esse dinheiro não está indo para o ralo”, disse Maluf ao ressaltar o papel dos tribunais. “Não há, no meu ponto de vista, nada que impacta tanto na sustentabilidade dos gastos quanto uma política pública, seja ela eficiente ou ineficiente”, acrescentou.
Para ele, que é diretor de Desenvolvimento do Controle Externo e Transparência da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), essa atuação se torna ainda mais relevante em um cenário de aumento de gastos municipais com a saúde, motivados por fatores como o envelhecimento da população e o agravamento das mudanças climáticas globais.
“Temos que ser muito versáteis no gastar e muito eficientes. E aí que eu trago a importância dos tribunais de contas dos estados trabalharem articulados com o TCU e com o Ministério da Saúde”, pontuou.
Outros temas em debate
Entre os temas em debate na Copspas, Maluf citou os hospitais de pequeno porte, que segundo ele podem ser mais resolutivos a um custo menor do que os grandes hospitais regionais, e a política de primeiro atendimento nas unidades básicas de saúde, que avaliou não estar corretamente direcionada em parte da rede.
Sobre a transformação digital do SUS, disse que parte dos municípios não tem estrutura para acompanhar o processo, por falta de equipamentos, de pessoal técnico e de prontuário eletrônico em uso na atenção ao paciente. “Será que todos os municípios estão preparados para ter essa maturidade da revolução digital? No meu estado não acontece”, afirmou.
O seminário
O seminário segue até 1º de setembro, no Auditório Ministro Pereira Lira, na sede do TCU, e é realizado em parceria com o Ministério da Saúde, o Instituto Rui Barbosa (IRB), o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) e o Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (Ibross).
A programação trata do modelo de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), dos critérios de rateio dos recursos previstos na Lei Complementar 141/2012, dos desafios da regionalização e da organização das redes de atenção.
A mesa de abertura reuniu ainda o ministro do TCU Augusto Nardes, o secretário-executivo do Conass, Jurandi Frutuoso, o presidente do Conasems, Hisham Hamida, o secretário de Saúde do Distrito Federal, Juracy Cavalcante, a secretária de Controle Externo do TCU, Juliana Moraes, o vice-presidente de Desenvolvimento de Políticas Públicas do IRB, Helvécio de Castro, e a diretora de Ensino e Admissão de Novos Associados do Ibross, Virgínia Angélica.
-
esportes4 dias atrásAthletico-PR e Fluminense ficam no 3 a 3 em jogo movimentado pelo Brasileirão
-
esportes4 dias atrásGrêmio vence a Chapecoense na Arena e se afasta da zona de rebaixamento
-
esportes4 dias atrásPalmeiras empata com o Mirassol e vê Flamengo se aproximar na liderança
-
esportes4 dias atrásBahia vence o Internacional na Fonte Nova e entra no G-5 do Brasileirão
-
esportes5 dias atrásVasco vence o Cruzeiro em São Januário antes de decisões pela Copa do Brasil
-
esportes3 dias atrásCuiabá mantém veto a patrocínios de bets e busca aproximação com o agronegócio
-
esportes4 dias atrásSantos vence Corinthians na Neo Química Arena e conquista primeiro clássico de 2026
-
AGRO & NEGÓCIO5 dias atrásNova safra de soja pode superar 22,6 milhões de toneladas





