Saúde
“Se os Estados Unidos cortaram recursos para a pesquisa em vacinas de RNA mensageiro, o Brasil está fazendo o caminho oposto”, afirma ministro Padilha
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, nesta sexta-feira (4), da cerimônia de posse do presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Mario Moreira, no Rio de Janeiro. Durante o evento, Padilha destacou que o Brasil vive uma oportunidade histórica de se consolidar como protagonista global na produção científica, tecnológica e industrial no campo da saúde e anunciou o fortalecimento das plataformas nacionais de produção de vacinas com tecnologia de RNA mensageiro, destacando investimentos do governo federal para ampliar a autonomia do país na área.
“Se os Estados Unidos cortaram recursos para a pesquisa em vacinas de RNA mensageiro, o Brasil está fazendo o caminho oposto. A Fiocruz vai produzir a primeira vacina com essa tecnologia no país, com total apoio do Ministério da Saúde. E o Brasil está de portas abertas para pesquisadores perseguidos ou que perderam financiamento em seus países. Vamos criar um ambiente de atração de talentos para desenvolver aqui o que tentam impedir em outros lugares”.
O ministro ressaltou que a pandemia expôs a fragilidade do modelo atual, concentrado em poucos países, e que o mundo caminha para uma maior distribuição da capacidade de resposta em saúde. “A Covid-19 mostrou o risco de depender de apenas uma região ou três países para enfrentar uma emergência sanitária. O Brasil tem ativos estratégicos que o colocam em posição de liderança: um mercado público robusto, instituições como a Anvisa e a Fiocruz, e sólidas relações com a OMS e a OPAS”, completou.
O ministro reforçou ainda o compromisso do governo brasileiro com a Organização Mundial da Saúde (OMS): “Se há quem diga não à OMS, o Brasil diz sim. Esse governo, esse presidente da República e este ministro estão comprometidos com a ciência e farão o que for necessário para apoiar a OMS. Vamos liderar, inclusive com a presidência do BRICS, uma articulação internacional para fortalecer a organização”.
Investimentos estratégicos e novos desafios
Nos últimos anos, o Ministério da Saúde destinou R$ 1,2 bilhão para Bio-Manguinhos, voltados à produção de vacinas de RNA mensageiro, e R$ 600 milhões para Farmanguinhos, unidade responsável por medicamentos essenciais, como os usados no tratamento de HIV e hepatites virais.
Entre os avanços recentes da Fiocruz, destacam-se a produção de mais de 100 milhões de doses da vacina contra a Covid-19, o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças negligenciadas e a construção da fábrica de mRNA em parceria com a OMS.
O ministro Padilha também destacou dois grandes desafios pós-pandemia: o combate ao negacionismo e a valorização da ciência. “Precisamos enfrentar os movimentos negacionistas com articulação social, informação e produção científica. O Ministério da Saúde e a Fiocruz serão barreiras fundamentais contra o retrocesso. Essa é nossa missão histórica”.
Ele anunciou que a campanha de vacinação contra a gripe será lançada no Dia Mundial da Saúde, 7 de abril, e convidou todos os presentes a liderarem o exemplo: “Tenho certeza de que todo mundo da Fiocruz vai preparar o braço para receber a vacina. Mas precisamos de muito mais: um movimento nacional político, cultural e ideológico em defesa da vacinação e da saúde pública”.
Fortalecimento da Fiocruz
Durante a solenidade, Mario Moreira tomou posse para seu segundo mandato como presidente da Fiocruz, após ser reeleito. Em seu discurso, Moreira apresentou os eixos estratégicos de sua gestão: redução da dependência internacional em insumos, desenvolvimento de tecnologias inovadoras, ampliação da equidade no SUS e modernização da infraestrutura da instituição.
“A defesa da democracia, da saúde, da ciência e do SUS depende da mobilização constante da sociedade. É isso que celebramos aqui hoje: o compromisso coletivo com um país mais justo e com a vida”, afirmou o presidente da Fiocruz.
Ele também fez um alerta sobre os retrocessos em outros países no financiamento de pesquisas: “Infelizmente, o que temos visto são cortes e perseguições que comprometem o avanço da ciência. A Fiocruz sempre foi um espaço de acolhimento e diversidade — para pesquisadores brasileiros e estrangeiros — e continuará sendo”.
Edjalma Borges
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Saúde
Mutirões de cirurgias de coluna no Hospital Geral de Cuiabá buscam encurtar fila do SUS
O Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá (HG) realiza no mês de outubro, dois importantes mutirões de procedimentos de coluna para atender 12 pacientes que aguardam na fila da Central de Regulação no Sistema Único de Saúde (SUS). As ações serão realizadas nos dias três e 31 e têm como objetivo reduzir a demanda reprimida e agilizar o atendimento de casos que já possuem indicação de tratamento.
O primeiro mutirão ocorre neste sábado (3), quando oito pacientes serão submetidos a procedimentos de infiltração de coluna. A segunda etapa está marcada para o dia 31 de outubro, com a realização de quatro cirurgias de artrodese de coluna.
Os pacientes selecionados já passaram por avaliação especializada e aguardavam na fila do SUS pela realização dos procedimentos.
Segundo o cirurgião ortopedista da coluna, Dr. Renato Bonafim, os mutirões são uma estratégia para ampliar a resolutividade dos atendimentos e reduzir o tempo de espera. “O principal objetivo é reduzir a demanda cirúrgica reprimida e o tempo de espera dos pacientes, proporcionando maior resolutividade aos casos já avaliados e com indicação de tratamento estabelecido”, explica.
A infiltração é utilizada em casos específicos para auxiliar no controle da dor e da inflamação, conforme avaliação médica. Já a artrodese é uma cirurgia indicada para determinadas doenças da coluna e consiste na estabilização de segmentos vertebrais.
Para o diretor técnico do HG, Dr. Alexandre Maitelli, a iniciativa permite atender pacientes que aguardavam há um longo período pelo tratamento e, ao mesmo tempo, contribuir para diminuir a fila da rede pública. “Esses pacientes selecionados já aguardavam há muito tempo na fila de espera. Com esse mutirão, estamos contribuindo para a redução da fila do SUS e para uma maior eficiência na assistência aos pacientes com doenças da coluna vertebral”, afirma.
Com os dois mutirões, o HG reforça as ações voltadas à ampliação do acesso a procedimentos especializados e à redução do tempo de espera dos pacientes atendidos pelo SUS.
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