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Quem vai atender nos hospitais que Mato Grosso está construindo?

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Por Rafael Sodré

Mato Grosso vive um momento importante em sua história sanitária. Em poucos anos, o Estado entrega cerca de R$ 1,1 bilhão em obras hospitalares. São o Hospital Central de Alta Complexidade, o novo Hospital Universitário Júlio Müller e quatro hospitais regionais, em Alta Floresta, Juína, Confresa e Tangará da Serra. Juntos, devem acrescentar cerca de 900 leitos à rede pública, aproximadamente 220 deles de terapia intensiva.

É uma conquista que precisa ser reconhecida. Mas um hospital não é apenas um prédio. É a equipe que ocupa esse prédio. E essa parte do planejamento ainda precisa ser apresentada com a mesma clareza dedicada às obras.

Uma unidade com 40 leitos de UTI, destinada a adultos, crianças e recém-nascidos, exige intensivistas, neonatologistas, anestesistas, cirurgiões, radiologistas, enfermeiros e outros profissionais em escalas permanentes. Essas equipes não surgem depois de uma licitação. Sua formação exige anos e depende, principalmente, de programas de residência médica estruturados.

Dados do Painel da Educação na Saúde, do Ministério da Educação, mostram que, em 2025, Mato Grosso tinha 40,7% das vagas de residência desocupadas, o maior percentual do país. Entre as áreas afetadas estão neonatologia, endoscopia, radioterapia, cirurgia cardiovascular e radiologia, especialidades diretamente relacionadas à estrutura dos novos hospitais.

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O cenário não significa falta de médicos interessados em se especializar. Mostra que muitos programas, principalmente fora dos grandes centros, não conseguem competir com as oportunidades imediatas do mercado. Bolsas pouco atrativas, preceptoria sem remuneração adequada e a ausência de prioridade orçamentária para hospitais de ensino ajudam a explicar por que existem vagas e, ao mesmo tempo, faltam especialistas.

A distribuição dos profissionais agrava o problema. Segundo a Demografia Médica de Mato Grosso 2024, elaborada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), o Estado possui 8.807 médicos, dos quais 4.136 estão em Cuiabá. A capital registra 6,16 profissionais por mil habitantes, enquanto, no interior, a proporção cai para 1,51. Os novos hospitais regionais foram construídos justamente onde a disponibilidade de médicos é menor.

Quando a estrutura física fica pronta antes do planejamento das equipes, cresce o risco de leitos permanecerem fechados ou de a rede depender de contratações emergenciais e profissionais itinerantes. Esse modelo pode elevar custos, aumentar a rotatividade e dificultar a criação de vínculos com os serviços e com a população.

Mato Grosso já possui instituições capazes de contribuir para essa resposta. O Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCanMT) mantém sete programas de residência médica, com 18 vagas anuais, em áreas como anestesiologia, medicina intensiva, cirurgia oncológica, endoscopia e radioterapia. É o único serviço do Estado que forma cirurgiões oncológicos, radioterapeutas e endoscopistas.

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O HCanMT ajuda a formar justamente alguns dos especialistas que a rede mais necessita. Essa atividade, porém, é mantida principalmente com bolsas federais e com a preceptoria absorvida pelo próprio corpo clínico, sem financiamento estadual específico e permanente. O mesmo debate deve acompanhar o novo Hospital Universitário Júlio Müller, que nasce como o maior hospital-escola do Estado.

Antes de cada inauguração, o governo precisa apresentar um plano de provimento que informe o número de profissionais necessários, as especialidades, os vínculos e o custo anual das equipes. Também é necessário cofinanciar bolsas de residência em áreas críticas, remunerar a preceptoria e criar incentivos para a formação e a permanência de médicos no interior.

Em ano eleitoral, a pergunta que os candidatos ao Governo de Mato Grosso precisam responder não é apenas quantos hospitais pretendem inaugurar. É de onde virão os profissionais que atenderão nos hospitais que já receberão prontos.

Dr. Rafael Sodré de Aragão Vasconcellos Pereira é cirurgião oncológico e diretor técnico do Hospital de Câncer de Mato Grosso.

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Negócios sem presença digital perdem relevância e oportunidades

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Por Leonardo Chucrute

As redes sociais e a presença digital passaram a ocupar papel estratégico no crescimento das empresas. Negócios que não estão presentes na internet ou mantêm canais digitais abandonados ou com poucas publicações reduzem a visibilidade, perdem relevância e deixam de aproveitar oportunidades de expansão.

Muitos empresários ainda associam crescimento exclusivamente às vendas, expansão comercial ou aumento de faturamento. No entanto, negócios sustentáveis não crescem apenas a partir de números. Crescimento consistente é consequência de construção diária, experiência de marca e capacidade de gerar conexão com o público.

A presença digital deixou de ser opcional. Redes sociais, canais online e plataformas digitais passaram a funcionar como extensão direta da experiência oferecida ao cliente. Hoje, a percepção sobre uma marca não é construída apenas dentro do ponto de venda ou no atendimento presencial, mas também nas interações digitais.

Comentários, avaliações, compartilhamentos e conteúdos publicados influenciam diretamente a reputação das empresas. O tradicional boca-a-boca migrou para o ambiente digital e ganhou escala.

Essa transformação mudou a lógica de crescimento. Empresas que mantêm canais digitais abandonados, ou sequer estão presentes nas redes sociais, deixam de ocupar espaços relevantes de relacionamento, perdem visibilidade e reduzem suas chances de aquisição de novos clientes.

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Além da exposição, o ambiente digital fortalece a lembrança de marca e mantém negócios acessíveis ao público. A construção de autoridade passa por comunicação consistente, clareza na proposta de valor e relacionamento contínuo.

Mais do que publicar com frequência, a presença digital exige estratégia, posicionamento e coerência entre discurso e experiência entregue. Quando atendimento, comunicação e reputação caminham juntos, aumentam as chances de fidelização, retorno e indicação.

No cenário atual, investir em marketing digital, produção de conteúdo e fortalecimento de canais online tornou-se parte natural da estratégia empresarial. Não se trata apenas de acompanhar tendências, mas de garantir competitividade e relevância em um mercado onde atenção e confiança são ativos decisivos.

Crescimento sustentável não acontece por acaso. Ele é consequência de experiência, adaptação ao comportamento do consumidor e capacidade de construir relacionamento dentro e fora do ambiente digital. Empresas que entendem essa dinâmica fortalecem sua autoridade e ampliam oportunidades de crescimento no longo prazo.

Leonardo Chucrute é CEO do Zerohum, gestor em Educação, mentor de empresários, palestrante e autor de livros didáticos.

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