Saúde
Profissionais da Saúde Indígena são capacitados sobre amamentação e alimentação saudável
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Cuiabá, inicia nesta quinta e sexta-feira (21 e 22 de agosto) um minicurso intensivo para os profissionais da Casa de Saúde Indígena (Casai) Cuiabá. O objetivo é aprofundar conhecimentos sobre os benefícios da amamentação e da alimentação complementar saudável, visando qualificar o atendimento à população indígena.
A capacitação reunirá cerca de 35 trabalhadores de diversas áreas, incluindo psicólogos, nutricionistas, enfermeiros e técnicos de enfermagem, divididos em duas turmas, uma por dia, com atividades programadas das 8h às 17h. A Casai Cuiabá, vinculada ao Dsei Cuiabá, é um importante centro de acolhimento que oferece suporte e atendimento médico a pacientes indígenas que precisam se deslocar de suas comunidades para acessar o Sistema Único de Saúde (SUS).
A iniciativa do minicurso surgiu a partir de uma solicitação do Dsei Cuiabá, motivada pela preocupação com a recorrência de prescrições médicas de fórmulas comerciais infantis para puérperas indígenas em alta hospitalar, muitas vezes sem justificativa clínica clara. Segundo Rosiene Pires, coordenadora de Promoção e Humanização da Saúde da SES-MT, o conteúdo do curso foi cuidadosamente adaptado à realidade e às particularidades culturais das comunidades indígenas.
“Sentiu-se a necessidade de abordar, além dos benefícios da amamentação, também a identificação dos multifatores que a influenciam, como comunicação, contextos social e cultural e questões biológicas relacionadas à posição e pega corretas para amamentar e traumas mamilares, mas principalmente sobre os processos de trabalho”, explica Rosiene. Ela enfatiza que o curso busca aprimorar as habilidades dos profissionais da Casai Cuiabá, incentivando reflexões mais amplas sobre a importância vital da amamentação.
Rodrigo Carvalho, técnico responsável pela equipe de Promoção da Amamentação e Alimentação Complementar Saudável, destaca que o minicurso também abordará os indicadores de aleitamento materno. “A gente vai levar o panorama dos indicadores de amamentação do Estado e comparar com os dados que o Dsei Cuiabá possui para que os profissionais da Casai Cuiabá compreendam a importância do trabalho deles, que pode vir a impactar positivamente nas taxas de amamentação entre a população indígena”, afirma Carvalho.
Além dos aspectos de saúde e manejo, o curso explorará o impacto da amamentação na sustentabilidade. “Vamos discutir a amamentação como um recurso ecológico, que não tem consumo de combustíveis fósseis e não agride a natureza. Vamos tratar também da amamentação no contexto dos determinantes sociais de saúde e realizar uma atividade para reconhecer quais são as ameaças que a gente encontra no dia a dia em relação à amamentação”, conclui Carvalho, ressaltando a visão holística da abordagem.
O programa contará com a participação técnica de Silvana Cardoso, assistente social do Grupo Técnico de Promoção da Equidade do Cuidado em Saúde da SES, e quatro profissionais do Dsei Cuiabá: a enfermeira Ketlen de Menezes, a psicóloga Nonoguari Lima e os nutricionistas Roberta Sanches e Denis Rafael Correia, garantindo a expertise necessária para o sucesso da iniciativa.
Cuiabá
Cuiabá registra queda de 88% nos casos de Covid-19 e alta de 75% nas notificações de influenza
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Cuiabá divulgou, na sexta-feira (31), o Boletim Epidemiológico de Vigilância dos Vírus Respiratórios, que reúne dados das semanas epidemiológicas 1 a 29 de 2026, compreendendo o período de 4 de janeiro a 25 de julho. O levantamento aponta uma queda expressiva nos casos de Covid-19 na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, enquanto as notificações de influenza A e B apresentaram crescimento, comportamento considerado esperado para esta época do ano.
Segundo o documento, foram confirmados 121 casos de Covid-19 na capital, sendo 96 em moradores de Cuiabá e 25 em pacientes de outros municípios. No período, a doença causou cinco óbitos, dois deles de residentes da cidade e três de outras localidades. A taxa de mortalidade entre os moradores da capital permaneceu classificada como muito baixa, com 0,29 óbito por 100 mil habitantes.
Na comparação com as semanas epidemiológicas 1 a 29 de 2025, quando foram notificadas 1.043 ocorrências, a capital registrou uma redução de 88,39% nos casos de Covid-19.
Influenza em alta
Por outro lado, o boletim mostra aumento das notificações de influenza A e B. Foram contabilizados 2.386 casos no período, sendo 1.858 entre residentes de Cuiabá e 528 em pacientes de outros municípios. Também foram confirmados 21 óbitos relacionados à doença, dos quais 16 ocorreram entre moradores da capital.
O crescimento é de 74,95% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 1.062 casos entre residentes. A Vigilância Epidemiológica atribui o cenário à maior circulação dos vírus respiratórios, à baixa cobertura vacinal e à ampliação da oferta de exames em 2026. O boletim destaca ainda que boa parte das notificações vem da rede privada de saúde.
Diante do quadro, a SMS reforça que a vacina contra a influenza está disponível nas 72 Unidades de Saúde da Família (USFs) de Cuiabá. A imunização é destinada aos grupos prioritários: idosos com 60 anos ou mais, crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas, trabalhadores da saúde e professores. A vacinação é a principal forma de prevenção contra as complicações provocadas pelo vírus e contribui para reduzir internações e óbitos.
As crianças de até 6 anos seguem como o grupo mais afetado pela influenza, com 966 casos registrados. Em seguida aparecem pessoas de 15 a 59 anos, com 673 casos, e crianças e adolescentes de 7 a 14 anos, com 572 notificações. Entre idosos com 60 anos ou mais, foram registrados 175 casos.
SRAG
O levantamento também traz dados sobre a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Entre as semanas epidemiológicas 1 e 29, foram registrados 1.463 casos hospitalizados, dos quais 1.043 eram residentes de Cuiabá. Desse total, 970 pacientes receberam alta hospitalar, 373 permaneciam em investigação e foram contabilizados 120 óbitos.
Em relação às internações por Covid-19, foram registrados 27 casos de SRAG, com cinco óbitos. Já a influenza foi responsável por 332 internações por SRAG, resultando em 21 mortes, sendo 16 entre moradores de Cuiabá. A maioria dos óbitos ocorreu entre idosos com mais de 60 anos.
A Secretaria Municipal de Saúde orienta que pessoas com sintomas gripais mantenham os cuidados para evitar a transmissão dos vírus respiratórios, como higienizar frequentemente as mãos, cobrir o nariz e a boca ao tossir ou espirrar e procurar atendimento médico em caso de sinais de agravamento, como falta de ar, febre persistente e dificuldade para respirar. A população pertencente aos grupos prioritários também deve aproveitar a disponibilidade da vacina nas USFs para garantir proteção contra a influenza.
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