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Preparação por completo
Por Francisney Liberato
Realizar uma boa apresentação exige todo um complexo de detalhes. Além do domínio do conteúdo, é necessário verificar todas as ferramentas que serão utilizadas, para não ser pego pelo imprevisto.
Temos falado e insistido sobre o preparo para fazer uma excelente apresentação em público. Tenho dado ênfase à importância de um planejamento de estudo, além de um planejamento de apresentação.
Fato é que, quanto mais nos preparamos para ministrar um discurso, mais segurança teremos e ficaremos mais distantes do medo e do estresse, por isso, é importante estudar e treinar bastante.
Já com o conteúdo planejado, estudado e treinado, é indispensável colocar o essencial nos slides, caso opte por utilizar essa ferramenta. Os slides devem ser bem apresentados. Caso goste de vídeos, aproveite e insira-os nos slides. Se for incluir música, fique à vontade, da mesma forma, foto e o que for necessário para lhe auxiliar, como também para dar dinâmica à sua palestra.
Agora que você possui o conteúdo absorvido e estudado, os slides prontos, ainda temos mais alguns detalhes a incluir para o momento da apresentação. Verifique com o responsável pelo evento se o local tem computador, projetor, Microsoft PowerPoint para apresentar os slides, passador de slides, microfone, som para os vídeos e as músicas. Caso for utilizar flip chart, verifique se está disponível, se há pincéis, papéis para anotação, canetas, dentre outras necessidades que a sua palestra exigir.
Confirme antecipadamente todos esses detalhes. No dia do evento, recomendo relembrar a organização dos seus pedidos. Chegue mais cedo no dia da apresentação e faça a verificação final.
A preparação por completo é de suma importância para a formação de um bom orador. Você não pode ficar apenas conectado na sua palestra e se esquecer dos detalhes, dos materiais e dos utensílios necessários para realizar um excelente papel nos palcos.
Confirme tudo antecipadamente, faça anotações e evite surpresas indesejáveis no dia da apresentação. Faça a sua parte enquanto orador.
Francisney Liberato é Auditor do Tribunal de Contas de Mato Grosso. Escritor. Palestrante e Professor há mais de 25 anos. Coach e Mentor. Mestre em Educação. Doutor Honoris Causa. Graduado em Administração, Ciências Contábeis (CRC-MT), Direito (OAB-MT) e Economia. Membro da Academia Mundial de Letras.
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Violência contra as mulheres da Enfermagem: do plantão às redes sociais, não podemos mais normalizar
Por Iracema Alencar
Falar sobre violência contra a Enfermagem é falar, inevitavelmente, sobre violência contra as mulheres. Cerca de 85% da força de trabalho da Enfermagem brasileira é feminina. Portanto, quando discutimos agressões, assédio, humilhações e ameaças dirigidas à categoria, existe uma dimensão de gênero que não pode ser ignorada.
Essa violência está no ambiente de trabalho, mas não termina quando a profissional encerra o plantão. Ela atravessou as portas dos hospitais e unidades de saúde e chegou às redes sociais. Hoje, uma enfermeira pode ser agredida verbalmente durante o exercício profissional e continuar sendo atacada na internet, muitas vezes com exposição de sua imagem, comentários sobre seu corpo, insinuações sexuais, ofensas misóginas e tentativas de desqualificá-la não pelo trabalho que realiza, mas pelo fato de ser mulher.
Isso também é violência.
Existe, ainda, uma característica particularmente perversa nesses ataques: quando a vítima é uma mulher da Enfermagem, a agressão frequentemente ganha conotação sexual.
Não podemos discutir esse problema sem enfrentar um estereótipo que acompanha a profissão há décadas. A figura da “enfermeira sexy”, transformada em fantasia, piada ou fetiche, pode parecer inofensiva para alguns, mas contribui para desumanizar e desprofissionalizar mulheres que exercem uma atividade científica, técnica e de enorme responsabilidade.
O próprio Conselho Federal de Enfermagem já alertou que a erotização da profissão ajuda a perpetuar uma cultura na qual profissionais são submetidas a piadas machistas, abordagens de conteúdo sexual, assédio e outras formas de violência.
Uma enfermeira não é uma fantasia. É uma profissional de saúde.
A dimensão do problema exige resposta. Levantamento divulgado pelo Coren-SP em 2026, com 4.402 profissionais, mostrou que 72,6% dos entrevistados sofreram algum tipo de violência no trabalho nos 12 meses anteriores. Entre as vítimas, 89,2% relataram violência verbal, 73,8% psicológica e 19,2% física.
Mas os números não mostram tudo. Existe uma violência cotidiana que muitas vezes sequer chega às estatísticas: a profissional que recebe uma mensagem de conteúdo sexual; aquela cuja fotografia é compartilhada com comentários sobre seu corpo; a que é atacada nas redes depois de um atendimento; a que sofre insinuações de pacientes, acompanhantes, colegas ou superiores. E há aquelas que permanecem em silêncio por medo de exposição, retaliação ou julgamento.
Não podemos exigir que essas mulheres aprendam a conviver com isso.
Também precisamos discutir por que uma profissão formada majoritariamente por mulheres ainda enfrenta tantas formas de desrespeito. A Enfermagem carrega uma herança histórica que associou o cuidado a uma suposta obrigação feminina, como se cuidar fosse uma extensão natural do papel da mulher, e não uma atividade profissional que exige conhecimento científico, formação, responsabilidade técnica e tomada de decisões.
Essa percepção ajuda a alimentar não apenas a sexualização, mas também a desvalorização profissional.
Por isso, combater a violência de gênero na Enfermagem não significa apenas punir quem agride. Significa discutir relações de poder, condições de trabalho, valorização, autonomia profissional e a presença das mulheres nos espaços onde as decisões são tomadas.
Precisamos de mecanismos efetivos de acolhimento e denúncia, orientação para preservar provas de ataques digitais e instituições preparadas para agir diante do assédio. Uma profissional que denuncia não cria um problema. O problema é a violência, não a denúncia.
Os Conselhos de Enfermagem também têm responsabilidade nesse enfrentamento. Fiscalizar o exercício profissional é essencial, mas proteger a dignidade da profissão e de seus profissionais também precisa ocupar lugar central na atuação institucional. O Sistema Cofen/Conselhos Regionais já possui uma política de prevenção e enfrentamento ao assédio moral, sexual e à discriminação, inclusive para condutas praticadas em ambientes virtuais. É preciso fazer com que essa proteção alcance efetivamente quem está na ponta.
Essa é, sim, uma discussão política. Não político-partidária, mas política no sentido de decidir quais relações de trabalho e quais comportamentos estamos dispostos a aceitar como sociedade.
Não é aceitável que uma mulher seja sexualizada porque veste um uniforme de Enfermagem. Não é aceitável que saia de um plantão exaustivo e encontre no celular uma nova extensão da violência que sofreu durante o trabalho.
A Enfermagem brasileira é majoritariamente feminina. Defender a profissão passa, necessariamente, por defender essas mulheres.
Quem cuida também tem direito à proteção. E nenhuma mulher da Enfermagem deve considerar o assédio, a humilhação ou a violência — presencial ou digital — como parte do seu trabalho
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