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Outubro Rosa: quando o câncer é pequeno, as chances são grandes

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Por Joelma Magalhães

Outubro chega trazendo o rosa como símbolo, mas, acima de tudo, trazendo uma mensagem que precisa ser lembrada durante todo o ano: o diagnóstico precoce do câncer de mama pode mudar uma história.

O câncer de mama continua sendo o câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, excluindo-se os tumores de pele não melanoma. Para o triênio 2026–2028, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 78.610 novos casos por ano no Brasil.

Nas últimas décadas, temos observado um aumento da incidência da doença em diferentes regiões do mundo. Embora o risco aumente com a idade, o câncer de mama também pode ocorrer em mulheres jovens. Nos países de baixa e média renda, o desafio é ainda maior, especialmente porque muitas mulheres chegam ao diagnóstico em estágios mais avançados, o que contribui para resultados menos favoráveis.

É justamente por isso que precisamos falar sobre detectar lesões pequenas, antes que possam ser percebidas pelo toque ou provoquem sintomas.

A mamografia tem papel fundamental nesse cenário, pois pode identificar alterações ainda muito pequenas, muitas vezes não palpáveis. Dependendo da idade, da densidade mamária, dos antecedentes pessoais e familiares e de outros fatores de risco, exames complementares, como a ultrassonografia e a ressonância magnética, podem ser indicados pelo médico.

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Quanto mais cedo o câncer de mama é diagnosticado, maiores são as possibilidades de tratamento e melhores são os resultados. Quando descoberto em estágios iniciais, apresenta elevadas taxas de sobrevida, próximas ou superiores a 90% em determinados grupos, além de frequentemente permitir tratamentos menos agressivos, com melhores resultados funcionais e estéticos.

Por isso, o objetivo dos exames de rastreamento não é simplesmente “procurar um câncer”. É possível encontrá-lo, caso exista, quando ainda é pequeno e as possibilidades de tratamento são maiores.

Também é importante lembrar que nenhuma mulher deve esperar pelo próximo exame de rotina se perceber alguma alteração nas mamas. Nódulo, retração da pele ou do mamilo, secreção sanguinolenta, alteração persistente da pele ou aumento de linfonodos na axila merecem avaliação médica.

Neste Outubro Rosa, mais do que vestir uma cor, precisamos fortalecer uma cultura de cuidado. Conhecer as próprias mamas, realizar acompanhamento médico e fazer os exames indicados para cada idade e perfil de risco são atitudes que podem fazer toda a diferença.

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Porque, no câncer de mama, descobrir cedo significa ampliar as possibilidades de cura, preservar vidas e escrever novos capítulos para muitas mulheres.

Dra. Joelma Magalhães é médica radiologista no IDAPI, em Cuiabá-MT, e coordena o setor de mamografia e ultrassonografia do HCan há mais de 15 anos.
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Câncer de mama: o que hormônios e metabolismo têm a ver com o risco da doença

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Por Mariana Ramos

Quando falamos em câncer de mama, alguns fatores de risco são amplamente conhecidos, como idade, histórico familiar e determinadas alterações genéticas. Mas existe uma relação que merece espaço nessa discussão: a influência dos hormônios, do excesso de gordura corporal e da saúde metabólica sobre o risco da doença.

Essa é uma conexão particularmente importante para a endocrinologia. O tecido adiposo não é simplesmente um local onde o organismo armazena gordura. Ele é metabolicamente ativo, participa do metabolismo de hormônios e libera substâncias envolvidas em diferentes processos do organismo.

Essa relação ganha relevância após a menopausa. Com a redução da produção de estrogênio pelos ovários, o tecido adiposo passa a ser uma fonte importante de estrogênio circulante. Por essa e outras razões, o excesso de peso e a obesidade após a menopausa estão associados a maior risco de câncer de mama.

Isso não significa, evidentemente, que toda mulher com obesidade desenvolverá a doença ou que o peso seja uma explicação isolada para o câncer de mama. Estamos falando de uma doença multifatorial, resultado da interação de diferentes componentes genéticos, hormonais, ambientais e relacionados ao estilo de vida.

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O metabolismo acrescenta outras peças a esse cenário. Obesidade e excesso de gordura visceral podem estar associados à resistência à insulina, níveis elevados de insulina e processos inflamatórios crônicos. Essas alterações metabólicas são estudadas como possíveis mecanismos que ajudam a explicar a relação entre excesso de gordura corporal e alguns tipos de câncer, inclusive o de mama.

Os hormônios merecem uma análise igualmente cuidadosa. Grande parte dos tumores de mama apresenta receptores para estrogênio e/ou progesterona, o que demonstra a importância da sinalização hormonal na própria biologia da doença. É justamente por isso que, em determinados tipos de câncer de mama, medicamentos capazes de bloquear a ação hormonal ou reduzir a produção de estrogênio fazem parte do tratamento.

Nesse contexto, é importante evitar simplificações quando se fala em reposição hormonal na menopausa. A terapia hormonal não deve ser analisada de forma isolada ou como se todas as formas de tratamento tivessem o mesmo efeito sobre o risco de câncer de mama. A decisão deve ser individualizada, considerando os sintomas, a idade, o tempo desde a menopausa, os antecedentes pessoais e familiares e o tipo de terapia utilizada.

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O Outubro Rosa, dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, abre espaço para ampliar esse debate. Além da importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento adequado, é necessário falar sobre fatores modificáveis que fazem parte da saúde da mulher ao longo da vida.

Evitar o ganho excessivo de peso, praticar atividade física regularmente, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e manter hábitos que favoreçam a saúde metabólica são medidas relacionadas à redução do risco de câncer de mama e também trazem benefícios para a saúde como um todo.

Na endocrinologia, cuidar do metabolismo feminino significa observar essas relações de forma integrada. Obesidade, mudanças hormonais e menopausa podem faze

Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Card, em Cuiabá/MT
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