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Nossa língua é “coisa de índio”!

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Por Rosário Maiettini – A palavra, como se sabe, é um ser vivo. Temos que ter respeito por ela, porque a diferença entre a palavra certa e a palavra quase certa é a mesma diferença que existe entre um relâmpago e um vagalume, como nos diria Mark Twain.

Alguém pode negar que é através da palavra que nós, humanos, alcançamos a compreensão mútua, mesmo depois de muito perrengue? Perrengue é gíria, e a gíria faz parte da vivacidade de uma língua.

As palavras são códigos, e a quebra dos códigos é traição a toda uma sociedade.

No presente momento, estamos usando demasiadamente a palavra grega Democracia – governo do povo, pelo povo, para o povo. Um vagalume.

Também utilizamos a palavra italiana Fascismo, que é derivada do latim, fasces, um feixe de varas amarrada em volta de um machado, símbolo do poder conferido aos magistrados na República Romana, para flagelar e decapitar cidadãos desobedientes. Outro vagalume.

E tudo isso através da Política, palavra grega – Pólis, administração das Cidades-Estados.

E, com certa tristeza, acrescentamos a estas a palavra alemã Schadenfreude que significa “a sensação de felicidade pela tristeza alheia”.

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Na presente Babel – palavra hebraica que significa confusão de línguas ou grandes algazarras, podemos descrever o nosso mundo polarizado.

As palavras e seus significados formam nosso universo mental.

Somos povoados por palavras que por si só, não são nem boas, nem más, porém, seus conceitos e preconceitos, de um modo geral, acionam gatilhos –palavra de origem espanhola – que, mexendo com nossas emoções, nos fazem agir.

As palavras excitam a mente e exaltam o espírito, mas uma mente vigorosa requer curiosidade e um espírito preparado exige abertura.

No nosso planeta existiram línguas poderosas – o latim, o grego, o sânscrito, línguas clássicas, que vivem nos vocábulos de diversas ciências, sendo fundamental no direito, na medicina, na biologia, na filosofia e, cá entre nós, o poder das palavras estava no tupi-guarani.

Nossa língua original era tão vigorosa que no ano de 1758 o Marques de Pombal proibiu o uso do idioma e chegou a apagar os nomes indígenas de várias localidades brasileiras.

Palavras! Palavras! Palavras!

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Duas palavras, muito curtas, muito antigas e muito comuns, são usadas em todos os idiomas e em todos os dialetos do planeta – sim e não – e são as que em todos os tempos, antigos ou modernos, exigem uma grande reflexão antes de serem proferidas.

Entre o sim e o não, os “diálogos” (palavra grega, dos grandes filósofos) poderiam ser imensamente mais frutíferos se fosse usado com mais frequência a expressão: eu não sei.

Sem palavras, nada somos, nós existimos e somos visíveis apenas porque temos voz e por isso é extremamente importante que ela não seja calada.

Quanto aos idiomas e dialetos de todos o planeta, podemos homenageá-los com um texto de Ribeiro Couto: “Língua que fostes de uns e fostes de outros / Língua de continente, marinheira / Línguas de brancos, negros e ainda outros. / Que bom haver quem como nós te queira”.

Rosário Maiettini é jornalista e autora do livro “Volta ao mundo em 280 páginas – Do crepúsculo ao alvorecer”

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O lado invisível da Inteligência Artificial (IA)

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Por Widson Ovando

Quando uma inteligência artificial responde a uma pergunta em poucos segundos, tudo parece acontecer dentro da tela, como mágica. Mas, por trás daquela resposta, existe uma estrutura física gigantesca.

A chamada “nuvem” não está no céu. Ela ocupa data centers repletos de servidores, chips especializados e sistemas capazes de processar uma quantidade imensa de informações.

Essas máquinas precisam de energia para funcionar e de sistemas de refrigeração para controlar o calor produzido durante o processamento. Dependendo da tecnologia utilizada e da localização, a operação também pode envolver o consumo de fluido refrigerante especial, geralmente composto por água destilada ou desmineralizada com aditivos (propilenoglicol).

Em cidades muito quentes, como Cuiabá, a temperatura ambiente pode afetar diretamente computadores, servidores e equipamentos de infraestrutura de IA.

Se a climatização for insuficiente, podem ocorrer redução de desempenho, travamentos, desligamentos automáticos e diminuição da vida útil dos equipamentos.

Existe ainda outra camada pouco percebida: os próprios componentes que tornam a inteligência artificial possível. Chips, semicondutores, equipamentos de rede e sistemas de armazenamento dependem de uma cadeia industrial global, com uso de matérias-primas, energia e processos complexos de fabricação.

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E a inteligência artificial não aprende sozinha. Por trás dos modelos existem pesquisadores, engenheiros, programadores e trabalhadores envolvidos na preparação de dados, avaliação de respostas e aperfeiçoamento dos sistemas.

Os dados também são parte dessa história: textos, imagens, áudios e outras informações podem alimentar sistemas de inteligência artificial, levantando discussões sobre privacidade, direitos autorais e uso responsável do conhecimento.

Há ainda uma pergunta ambiental que começa a ganhar espaço: o que acontece quando equipamentos utilizados para sustentar essa infraestrutura se tornam obsoletos?

Esses equipamentos contêm metais e outros materiais que podem ser recuperados por meio da reciclagem, mas também podem gerar impactos ambientais quando descartados de forma inadequada.

O debate sobre inteligência artificial, portanto, não deveria ficar restrito ao que ela consegue fazer. É preciso olhar para o que existe atrás da tela: energia, água, minerais, máquinas, dados e pessoas.

A IA pode transformar a ciência, a economia e a sociedade. Mas compreender sua dimensão invisível é fundamental para discutir não apenas a velocidade da inovação, mas também seus custos, limites e impactos que pode causar em razão de sua grande dimensão.

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A inteligência pode parecer artificial, mas a infraestrutura gigante que a sustenta é absolutamente real.

Widson Ovando é jornalista, graduado em gestão pública, bacharel em Ciência e Tecnologia (UFMT) e pós-graduado em Ciências Políticas.

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