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Marcas buscam estratégias criativas para atrair atenção dos consumidores
Por Dayane Nascimento
O avanço das mídias digitais, como redes sociais, aplicativos e dispositivos móveis, trouxe uma avalanche de informações e mensagens publicitárias. Isso criou um ambiente competitivo em que as marcas lutam constantemente para conseguir um momento de atenção do consumidor.
O paradoxo dessa situação é que, apesar da infinidade de conteúdos disponíveis, a capacidade dos usuários de processar e absorver essas informações é limitada. Com a sobrecarga de mensagens, o consumidor tende a se sentir confuso e cansado, sendo incapaz de focar em todas as informações recebidas.
Como consequência, ele opta por filtrar ou ignorar grande parte das mensagens, o que acaba prejudicando a eficácia das campanhas. Além disso, a concorrência pela atenção não se restringe às marcas. Notificações de aplicativos, vídeos e o entretenimento digital competem com as campanhas publicitárias, tornando ainda mais complicado conquistar e manter a atenção do usuário.
A Economia da Atenção é um conceito que reconhece a atenção humana como um recurso cada vez mais valioso em um mundo cheio de informações. Herbert Simon apontou que, diante da grande quantidade de estímulos disponíveis (anúncios, posts e notícias), a atenção se tornou um ativo essencial que precisa ser administrado com cuidado pelas marcas.
Embora o marketing digital forneça uma ampla gama de métricas, mensurar o impacto real da atenção obtida não é tão simples como dizem os “gurus” da internet. As métricas tradicionais, como cliques e visualizações, nem sempre refletem o engajamento emocional ou a intenção de compra. Mas, direcionando as campanhas para as pessoas certas, podemos aumentar a chance de sucesso.
Além disso, podemos fazer a divulgação em diferentes formatos, como vídeos curtos, infográficos e posts interativos, possibilitando a criação de conteúdos dinâmicos e envolventes; e ainda utilizar ferramentas de automação para facilitar a personalização das mensagens em larga escala sem tanto esforço.
Para funcionar realmente, é necessário ter boas estratégias, dentre elas, podemos destacar o uso da memória associativa, que visa criar uma campanha impactante que leve em consideração o uso de cores, logotipos e elementos visuais, aliados a uma mensagem clara e emocional.
Essa construção de memória não se limita apenas às campanhas publicitárias, ela precisa estar presente em todos os pontos de contato com o consumidor, desde a embalagem do produto até o atendimento ao cliente. Ao criar uma experiência integrada e coerente, a marca fortalece sua presença e constrói uma vantagem competitiva sustentável.
Portanto, atrair a atenção do consumidor é apenas parte do desafio. O verdadeiro sucesso das marcas, hoje, é conseguir criar um vínculo emocional com os consumidores, assegurando que suas mensagens tenham impacto duradouro e se traduzam em resultados concretos.
Para garantir essa relevância, as empresas devem investir em estratégias consistentes que reflitam seus valores e ofereçam uma experiência integrada. Não é uma questão de sorte, de conseguir “viralizar” conteúdos, atrair mais seguidores (apenas). É mais sobre a jornada descrita pela escritora Clarice Lispector: “Que ninguém se engane, só se consegue a simplicidade através de muito trabalho”.
Dayane Nascimento é consultora de marketing com formação na UFMT, especialista em planejamento estratégico e economia comportamental pela ESPM/SP e empresária.
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O custo real do câncer e a sustentabilidade dos hospitais especializados
Por Rafael Sodré
Boa parte do tratamento oncológico no Brasil é realizada por hospitais filantrópicos habilitados pelo Ministério da Saúde. Dos 338 estabelecimentos credenciados no país, 205 são filantrópicos. Em 2025, eles responderam por 66% das 4,7 milhões de sessões de quimioterapia e por 73% dos quase 190 mil procedimentos de radioterapia realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Essas instituições atuam como Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) ou Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon). Discutir o enfrentamento do câncer, portanto, exige discutir a sustentabilidade financeira desses hospitais.
A assistência ainda é remunerada principalmente por produção, com base em uma tabela cuja defasagem acumulada é estimada pelo setor filantrópico em cerca de 60%. O hospital presta o atendimento, recebe o valor tabelado e precisa cobrir a diferença com doações, complementações estaduais, emendas parlamentares ou endividamento.
O Hospital de Câncer de Mato Grosso (HCanMT) retrata essa realidade. Entre setembro de 2024 e setembro de 2025, foram realizados 246.891 atendimentos, incluindo 37.562 sessões de quimioterapia, 32.782 de radioterapia, 6.946 internações e 5.632 cirurgias.
No período, o HCanMT registrou receita mensal de R$ 6,8 milhões, sendo R$ 5,3 milhões provenientes do contrato com o SUS, R$ 765 mil do Fundo Estadual e cerca de R$ 800 mil em doações. As despesas chegaram a R$ 10,1 milhões, o que resultou em um déficit estrutural de R$ 3,3 milhões por mês. Somente materiais e medicamentos consumiram R$ 3,3 milhões mensais.
Essa diferença aparece de forma ainda mais clara no atendimento ao paciente. Uma internação oncológica pode gerar um repasse de R$ 1.438 e custar até R$ 8.050. Uma distância dessa dimensão não pode ser compensada apenas por ganhos de eficiência. Sem recursos complementares, o hospital fica diante de duas alternativas: reduzir a oferta ou comprometer sua capacidade financeira.
O cenário se agrava com a incorporação de novas tecnologias e medicamentos, que eleva os custos em ritmo superior ao da atualização da tabela. Soma-se a isso o diagnóstico tardio: muitos pacientes chegam em estágio avançado, quando o tratamento é mais longo, caro e menos eficaz. O sistema paga duas vezes por esse atraso, com desfechos piores e despesas maiores.
Quando o financiamento regular não cobre a operação, a continuidade do serviço passa a depender de emendas, aportes extraordinários e negociações pontuais. Em Mato Grosso, a reestruturação do contrato estadual avançou em junho de 2026, por meio de um termo de compromisso articulado pelo Tribunal de Contas do Estado. O acordo preserva o atendimento, mas evidencia que um serviço essencial não pode depender de mediações, ciclos eleitorais ou decisões ocasionais.
A criação do Componente da Assistência Farmacêutica em Oncologia, em outubro de 2025, representou um avanço ao reorganizar o financiamento e a dispensação de medicamentos. A medida, contudo, não resolve o custeio de pessoal, cirurgias, leitos, terapia intensiva e radioterapia, ainda remunerados por valores defasados.
É necessário revisar periodicamente os valores dos procedimentos, adotar modelos que combinem pagamento por produção e custeio fixo, estabelecer regras de reequilíbrio econômico-financeiro e garantir financiamento plurianual entre União, estados e municípios. Também é indispensável investir em rastreamento e diagnóstico precoce, reduzindo a mortalidade e o custo do tratamento.
O financiamento da oncologia precisa ser tratado como política permanente, não como uma sucessão de emergências. Os hospitais especializados já demonstraram capacidade para entregar volume e qualidade dentro do SUS. Cabe agora ao sistema garantir recursos compatíveis com a assistência que contratou.
Dr. Rafael Sodré de Aragão Vasconcellos Pereira é cirurgião oncológico e diretor técnico do Hospital de Câncer de Mato Grosso.
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