Cuiabá
Luto na imprensa: Morre Adelino Praeiro, diretor-presidente do Diário de Cuiabá
Por Eduardo Gomes | Diário de Cuiabá
Nenhum recurso da medicina foi capaz de prolongar seu ciclo de vida. O coração parou e os demais órgãos de seu corpo, também. Hoje, (29), às 20h25, aos 83 anos, o jornalista e empresário cuiabano Adelino Messias de Mattos Praeiro, diretor-presidente do Diário de Cuiabá fechou os olhos para sempre, no Complexo Hospital de Cuiabá, onde lutava contra o diabetes, hipertensão e crônicos problemas renais agravados pela fragilidade física e o abalo emocional de pai pela morte do filho, o professor Éden Praeiro, em 21 de junho deste ano, vitimado pela pandemia do coronavírus.
Adelino Praeiro marcou época no rádio e no jornalismo mato-grossenses. Ao lado de sua mulher, dona Íris Capilé de Oliveira, por 51 anos dirigiu o Diário. Nos últimos anos, enfrentando problemas de saúde que lhe roubaram a mobilidade o jornalista mantinha vida recatada, em seu apartamento, situação essa muito diferente do longo período de efervescência à frente do mais tradicional jornal de Mato Grosso.
Apaixonado pelo jornalismo, Adelino Praeiro fez dessa paixão ferramenta em defesa da democracia e da igualdade entre homens e mulheres, e contra preconceitos. Assim, o Diário foi o precursor entre os jornais brasileiros na defesa da redemocratização proposta pela emenda das eleições diretas para presidente, do então deputado federal cuiabano Dante de Oliveira; foi o primeiro matutino mato-grossense editado por mulher, a jornalista Tânia Nara; e com uma página Social assinada por um homossexual, José Jacintho de Siqueira, o Jejé de Oyá, que antes do jornalismo destacava-se enquanto costureiro e figurinista, numa época marcada pela homofobia no país inteiro. As grandes bandeiras cuiabanas e mato-grossenses pela ligação ferroviária de Cuiabá a Santos, pela industrialização, melhoria e ampliação do sistema de saúde, saneamento, regularização fundiária e tantas outras sempre foram causas do jornal.
Defensor da integração mato-grossense, no final da década de 1970 e começo dos anos 1980 Adelino Praeiro instalou sucursais do Diário nos polos regionais de Sinop, Cáceres, Tangará da Serra, Barra do Garças e Rondonópolis. Com essa iniciativa o jornal ganhou condição de cobrir editorialmente os principais fatos em Mato Grosso, fora de Cuiabá e Várzea Grande, numa época em que a Comunicação não tinha as ferramentas virtuais de agora, que permitem sua universalização em tempo real.
O Diário fundado em 24 de dezembro de 1968 nasceu em preto e branco, com sua composição por máquinas linotipo e ilustração por clichês. Com Adelino Praeiro a partir de 1969 o jornal passou por todas as fases da evolução da Imprensa gráfica ganhando editorias, cores, cadernos segmentados, produção fotográfica e de infografia. Sem concorrência com a edição imprensa, o Jornal abriu leque para sua versão digital em mais um de seus pioneirismos na Comunicação mato-grossense.
Em 1969 radialista de renome em Cuiabá, Adelino Praeiro era assessor de Imprensa do governador Pedro Pedrossian, quando foi convidado por dona Íris Capilé de Oliveira para associar-se a ela no Diário, jornal que perdeu seu fundador o radialista e jornalista cuiabano João Alves de Oliveira em 4 de janeiro daquele ano, logo após a circulação de sua quarta edição. Alves de Oliveira tombou vítima da violência, assassinado por um cidadão que não aceitou a publicação de uma matéria narrando um acidente automobilístico causado por uma mulher de sua família. O convite foi aceito e os dois se desdobraram para pagarem as dívidas contraídas para a criação deste matutino.
Assegurar a circulação diária do jornal, em seus primeiros passos, exigia muita dedicação, luta, coragem e espírito visionário. A cidade tinha 95 mil habitantes, não tinha o hábito da leitura nem contava com acesso rodoviário pavimentado e a energia era gerada por conjuntos diesel estacionários. O frete abusivo dava o tom do transporte das bobinas de papel para impressão, pela esburacada rodovia BR-163 no trajeto de 710 quilômetros de Campo Grande a Cuiabá. As máquinas linotipo operavam com chumbo derretido para formação dos caracteres. As quedas de energia eram constantes e, quando aconteciam, o chumbo derretido se solidificava; para retomar o trabalho dos linotipistas era preciso aguardar que novamente as caldeiras fossem aquecidas. A cidade sequer contava com mão de obra especializada para manutenção do parque gráfico, o que exigia a contratação de empresa ou prestador de serviço em outros estados.
O lema do Diário, Fruto de um ideal que jamais sucumbirá, criado por Alves de Oliveira, sempre motivou Adelino Praeiro e dona Íris Capilé de Oliveira, e décadas após décadas, a população cuiabana mantém a tradição da leitura matinal do jornal que é olhos, ouvidos e boca da Capital mato-grossense.
Discreto, Adelino Praeiro sempre se empenhou por causas sociais em Cuiabá e outras cidades. Seu lado humanitário foi um dos pilares de seu perfil. O servir ao próximo veio do berço. Seus pais, os cuiabanos Flavina de Matos e Aristotelino Alves Praeiro, o Tenente Praeiro, lhe ensinaram e aos seus irmãos Aristotelino, José Arnaldo, Anice, Maria Auxiliadora, Alcione, Zaída Isabel, Esmeralda e Vilma, que o verdadeiro sentido da vida é o amor ao próximo. Boa parte da vida do Tenente Praeiro foi dedicada ao ensinamento da doutrina kardecista e à Federação Espírita do Estado de Mato Grosso, à qual presidiu.
Aristotelino Alves Praeiro honrou a farda do Exército Brasileiro, do qual foi oficial; a Maçonaria o declarou Irmão Emérito; e a Federação Espírita o tem enquanto Peregrino da Terra do Pantanal. Cuiabá reverencia sua memória dando seu nome a um córrego, um bairro, uma escola e uma rua. O filho Adelino Praeiro sempre procurou trilhar os caminhos do pai.
Sem vínculo partidário, sempre empenhado na causa do jornalismo e do fortalecimento da categoria, Adelino Praeiro teve intensa vida social e foi referência da Comunicação mato-grossense. Com seu adeus o Diário perde uma de suas referências, mas permanecerá em sua missão de informar e formar opinião como sempre fez desde sua primeira edição.
A empresa editora perde a presença de seu líder, mas continuará buscando em seu ensinamento o caminho que a cada dia renova junto ao leitor do Diário sua condição de Jornal dos Cuiabanos.
Cuiabá
Tribunal de Contas suspende processo seletivo para diretores e coordenadores de escolas de Cuiabá por irregularidades
O Plenário do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) homologou, na sessão plenária desta terça-feira (11), tutela provisória de urgência, concedida em julgamento singular do conselheiro Waldir Júlio Teis, que determinou a suspensão do Processo Seletivo Interno nº 01/2026/GS/SME, realizado pela Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá, para as funções de diretor escolar e coordenador pedagógico das unidades de ensino da rede municipal.
A cautelar foi solicitada por meio de Representação de Natureza Interna proposta pela 2ª Secretaria de Controle Externo do TCE-MT. A unidade técnica argumentou que o edital foi elaborado em desacordo com o previsto Artigo nº 206 da Constituição Federal, bem como o disposto no Artigo 14 da Lei de Diretrizes e Bases de Educação Nacional (Lei 9.394/1996), além de violação à Lei Municipal nº 5.956/2015, que regulamentam a matéria no âmbito do município de Cuiabá, evidenciando a incompatibilidade do certame com o ordenamento jurídico vigente.
Entre as irregularidades identificadas, o conselheiro Waldir Teis ressaltou o prazo de designação e mandato incompatível com a lei municipal, a supressão de etapas obrigatórias do processo de escolha e a previsão de ciclo de estudo exclusivamente não presencial, também em desacordo com a legislação municipal. Foram apontadas ainda a ausência da data do ciclo de estudo no cronograma e a estrutura do edital, que aparenta substituir o processo de escolha por uma seleção técnica centralizada.
“A exclusão das etapas de proposta de trabalho e ciclo de estudo se mostra irregular. Ademais, o prosseguimento do certame com as irregularidades apontadas representa risco concreto de consolidação de atos nulos. A realização de fases subsequentes, a classificação e eventual nomeação de candidatos com base em um edital que não observa integralmente a legislação municipal criaria uma situação de difícil reversão, gerando insegurança jurídica para todos os envolvidos”, defendeu Teis.
Ante o exposto e em consonância com o parecer emitido pelo Ministério Público de Contas (MPC-MT), o relator votou pela homologação da tutela provisória de urgência e a suspensão do processo seletivo, além de determinar que a gestão retifique o edital para adequá-lo à Lei Municipal nº 5.956/2015, incluindo a etapa de Proposta de Trabalho, adequando o Ciclo de Estudo à modalidade híbrida, restabelecendo a exigência de 100% de frequência na formação e incluindo a data do Ciclo de Estudo no cronograma.
“Deslumbro que o maior prejuízo é manter o processo seletivo da forma como está delineado, o qual reside precisamente na condução de um processo seletivo viciado em sua legalidade, cujos resultados podem ser questionados e anulados futuramente, gerando instabilidade na gestão das unidades de ensino e frustrando a legitima expectativa de todos os participantes”, concluiu o relator. O voto foi acolhido por unanimidade pelo Pleno.
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