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Limpeza dental não é luxo: por que adiar a consulta pode custar caro
Por Laura Magalhães
Faz quanto tempo que você não faz uma limpeza nos dentes? A pergunta parece simples, mas a resposta costuma ser desconfortável — e pode revelar mais sobre a sua saúde bucal do que o espelho mostra. O que muita gente trata como um procedimento estético, uma espécie de “lavagem” nos dentes, é na verdade uma das medidas mais eficazes de prevenção na odontologia. E ignorá-la tem consequências que vão muito além do mau hálito.
Diferente do que se imagina, escovar os dentes em casa não é suficiente para manter a boca realmente limpa. Com o tempo, a placa bacteriana — aquela película quase invisível que se forma sobre os dentes — vai se acumulando e endurecendo até se transformar em tártaro, também chamado de cálculo dental. Uma vez formado, o tártaro não sai com escova, fio dental ou enxaguante: ele permanece aderido ao dente e só pode ser removido por um profissional, com instrumentos específicos. É exatamente aí que entra a limpeza feita no consultório.
O problema é que o tártaro não é apenas um incômodo visual. Ele funciona como um imã para novas bactérias e irrita a gengiva, que começa a inchar, ficar avermelhada e sangrar. O sangramento ao escovar ou ao passar o fio dental, muitas vezes ignorado como algo “normal”, é na verdade o primeiro sinal de alerta: indica uma inflamação chamada gengivite.
Quando a inflamação avança
Se essa inflamação não for tratada, ela pode atingir camadas mais profundas. É quando a gengivite evolui para a periodontite, uma doença silenciosa que destrói os tecidos que sustentam o dente e, em casos mais graves, chega a corroer o osso da mandíbula e do maxilar. A perda óssea é progressiva e, na maioria das vezes, irreversível. Quando o paciente finalmente percebe — dentes que se movem, retração da gengiva, dor ao mastigar — o suporte que mantinha os dentes no lugar já pode estar comprometido. Não são raros os casos em que o problema deixa de ser resolvido com uma limpeza simples e exige cirurgia ou até a extração do dente.
O agravante é que o processo quase sempre caminha em silêncio. A doença periodontal pode levar anos para apresentar sintomas evidentes, e quando o tártaro já se espalhou abaixo da linha da gengiva, o quadro demanda raspagem profunda, várias sessões e acompanhamento constante. O que seria um procedimento rápido e acessível se transforma em um tratamento longo, caro e doloroso.
Prevenção que cabe no bolso
Por isso, a mensagem dos profissionais é direta: limpeza não é luxo, é prevenção. A recomendação é visitar o dentista para uma avaliação e uma profilaxia — o nome técnico da limpeza — a cada seis meses, ou no intervalo indicado de acordo com cada caso. Pessoas com maior tendência a acumular tártaro, fumantes, diabéticos e quem já teve doença periodontal podem precisar de visitas mais frequentes.
Manter esse hábito é um dos investimentos mais baratos em saúde que existem. Uma consulta de rotina com limpeza custa uma fração do que representa tratar um dente comprometido, recuperar osso perdido ou reabilitar a boca com próteses e implantes. Cuidar da boca, afinal, não é só estética: é proteger a mastigação, a fala, a autoestima e a saúde do corpo como um todo, já que a inflamação bucal está associada a problemas que vão de doenças cardiovasculares ao descontrole do diabetes.
Da próxima vez que marcar uma consulta parecer um gasto dispensável, vale lembrar: a saúde bucal não espera. O tártaro que você não vê continua lá, dia após dia. E o que hoje poderia ser resolvido em uma simples limpeza pode se tornar, amanhã, um problema bem maior do que o bolso — e o sorriso — gostariam de enfrentar.
Drª Laura Magalhães é cirurgiã-dentista, especialista em dentística e ortodontia
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Quem se comunica ganha mais
Por Ana Sampaio
Quando digo que quem se comunica ganha mais, muita gente pensa imediatamente em dinheiro. Não está errado, mas também está longe de ser a história completa.
Quem se comunica ganha mais confiança. Ganha mais credibilidade. Ganha mais espaço. Ganha mais autoridade. Ganha mais oportunidades. E, como consequência de tudo isso, costuma ganhar mais clientes e melhores resultados financeiros.
O problema é que muitas empresas ainda tratam a comunicação como um acessório. Investem quando lançam um produto, quando enfrentam uma crise ou quando percebem que o concorrente está aparecendo mais.
Na prática, a comunicação não deveria ser uma campanha. Deveria ser cultura. Essa talvez seja uma das maiores convicções que construí ao longo da minha trajetória como jornalista: empresas que fazem da comunicação parte de sua estratégia crescem de maneira mais consistente do que aquelas que aparecem apenas de forma esporádica.
Em um mercado onde todos disputam atenção, vence quem conquista confiança. Ela é construída todos os dias, quando um líder compartilha conhecimento, quando uma empresa mostra seus bastidores, quando seus especialistas se tornam fontes para a imprensa ou quando seus valores aparecem nas atitudes, e não apenas em uma placa na recepção.
Muitas organizações ainda acreditam que comunicar é apenas falar sobre si mesmas. Não é. Comunicar estrategicamente é produzir significado. É fazer com que as pessoas entendam por que sua empresa existe, quais problemas resolve e por que merece ser escolhida.
Por isso, gosto de diferenciar três pilares que costumam ser colocados no mesmo pacote: a tríade poderosa. O marketing desperta interesse, a publicidade amplia o alcance e a assessoria de imprensa constrói credibilidade e reputação.
Enquanto uma campanha publicitária diz quem você é, uma reportagem em um veículo respeitado permite que outras pessoas reconheçam o seu valor. Existe uma diferença enorme entre afirmar que sua empresa é referência e ver essa percepção ser validada por terceiros. Essa validação importa ainda mais em um cenário de excesso de informação.
O Edelman Trust Barometer, um dos principais estudos globais sobre confiança, mostra que a credibilidade se tornou um dos ativos mais valiosos para organizações e lideranças. Ao mesmo tempo, cresce a dificuldade das pessoas em distinguir fontes confiáveis em meio ao enorme volume de conteúdo disponível.
É justamente nesse ambiente que a comunicação estratégica deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade. E comunicação estratégica não significa apenas estar nas redes sociais, mas construir uma presença integrada, com posicionamento claro e conteúdo relevante.
Faz parte desse processo manter um site atualizado, aparecer na imprensa quando houver valor-notícia e desenvolver relacionamentos com jornalistas, clientes, parceiros e a comunidade. Tudo isso comunica. Inclusive o silêncio, quando usado de forma estratégica.
Porque, quando uma empresa não escolhe se comunicar, alguém fará isso por ela. Pode ser um concorrente, um cliente, uma crise ou uma narrativa construída sem a sua participação. No fim, a reputação também é resultado da comunicação.
Como jornalista, aprendi que a notícia não nasce da autopromoção, mas da relevância, do conteúdo e do diferencial. E, como empresária, aprendi que a reputação não se compra com anúncios. Ela se conquista com consistência. Por isso, acredito tanto que a comunicação deve fazer parte da cultura organizacional de qualquer negócio, dentro ou fora da porteira, de um profissional liberal a uma grande companhia.
Empresas extraordinárias constroem diariamente a percepção sobre quem são. E quem faz isso conquista muito mais do que visibilidade. Conquista confiança. E, no mercado, a confiança continua sendo o ativo que mais gera oportunidades para ganhar mais.
Ana Sampaio é jornalista especializada em assessoria de imprensa e agronegócio, empresária-fundadora da agência Culture Comunicação e diretora da Rede AgroJor.
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