curiosidades
Karajá
Pertencentes ao tronco lingüístico Macro-jê, os Karajá se autodenominam Iny e se dividem em três subgrupos, com línguas próprias: Karajá, Javaé e Xambioá, porém inteligíveis entre si. Apresentam por característica o domínio do rio Araguaia e dois círculos tatuados nas faces quando ainda jovens. Os primeiros registros dos Karajá datam da atuação dos jesuítas no século XVII, oriundos da Província do Pará. No século seguinte intensificou-se a presença de bandeirantes e missionários em seu território, abrindo a navegação do rio Araguaia. Com a incorporação do rio à economia regional, passaram a manter um contato permanente com a sociedade nacional, que procurava reuni-los em aldeias, colônias militares e em missões religiosas. Com suas aldeias estabelecidas ao longo do vale do Araguaia, os Karajá, propriamente ditos, se localizam mais ao sul da ilha do Bananal, os Javaé ao centro e os Xambioá ao norte, adentrando o Estado do Pará. Em 1959 o governo criou na ilha do Bananal o Parque Nacional do Araguaia, abrangendo parte do território Karajá, que sucessivamente foi sendo revisto no decorrer do tempo, para incorporar outras áreas de significativa importância. O rio proporciona aos índios uma grande mobilidade pelas suas praias e lagoas, se organizando em função do ciclo das cheias e das vazantes. Sob o seu leito vivem os seres míticos, tornando o Araguaia o centro de seu universo físico e cultural, responsável por boa parte de sua alimentação, baseada na ictiofauna. O contato com os não índios trouxe sérios problemas e novos desafios a serem enfrentados como o turismo indiscriminado e a hidrovia Tocantins-Araguaia.
Anna Maria Ribeiro Fernandes Moreira da Costa
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Cravos no ramo: Sombolismo, história e tradições em Portugal
Usar cravos nos ramos de flores não é propriamente uma novidade. Trata-se de uma flor muito usada, devido à sua forte carga simbólica, pois pode ser associada a diferentes significados consoante a sua cor. Em muitas culturas, os cravos são usados para expressar emoções, intenções ou sentimentos. Sem dúvida que são uma estratégia silenciosa, mas muito poderosa. Segundo a Interflora, especialistas no envio de flores e no seu simbolismo, cravos vermelhos simbolizam amor apaixonado, o cravo branco representa pureza e paz, estando também associado a novos começos. Já o cravo cor-de-rosa é a flor da gratidão, também muitas vezes associada ao amor maternal, enquanto o amarelo é a flor da alegria e da amizade, estando o roxo mais ligado ao misticismo, à espiritualidade e até ao luto.
Em Portugal, o cravo – em particular o cravo de cor vermelha – é, desde 1974, um poderoso símbolo de liberdade, resistência e esperança. Uma flor que todos os portugueses usam e reconhecem como símbolo nacional.
O simbolismo dos cravos vermelhos em Portugal
A ligação mais imediata e recente dos cravos vermelhos no país é à Revolução dos Cravos, de 25 de Abril de 1974. Nessa noite, os militares entraram em Lisboa e derrubaram o regime ditatorial do Estado Novo, dando início a uma nova era de democracia no país. Em vez de tiros e de sangue, os soldados colocaram cravos vermelhos nos canos das suas espingardas. Esta imagem, que na altura atravessou fronteiras, faz hoje parte do imaginário e da cultura portuguesa e é um símbolo de Abril e dos seus valores democráticos.
E tudo graças a Celeste Martins Caeiro, que, naquela manhã, levava consigo cravos vermelhos e brancos para celebrar o aniversário do restaurante onde trabalhava. Ao ver os soldados e sem nada mais para lhes oferecer, Celeste presenteou-os com os cravos que tinha consigo. Por este gesto, Celeste Martins Caeiro (que faleceu recentemente, em novembro do ano passado) será sempre recordada, tendo sido,, no passado Dia da Mulher (8 de Março), condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com o grau de Oficial da Ordem da Liberdade.
Ainda hoje, esta data é celebrada em Portugal com cravos vermelhos, que são distribuídos e levados pela população na mão ou à lapela.
Os cravos antes do 25 de Abril
A verdade é que a ligação dos cravos à cultura portuguesa já vinha de trás. Em algumas localidades, por exemplo, era comum colocar um cravo vermelho à janela como forma de declarar o seu amor sem usar palavras.
Usar ramos de cravos é também comum nas muitas festas religiosas e romarias que existem no país. Nestas festas, os cravos ganham destaque em andores e procissões conquistando um simbolismo sagrado, muitas vezes associado à fertilidade e à celebração da primavera.
Como pode ver, usar cravos num ramo pode significar muitas coisas. E da mesma forma que esta flor faz parte da memória histórica e coletiva de todos nós, sendo um tributo à luta pela liberdade, também é uma flor carregada de mensagem e perfeita para ser partilhada com quem se ama.
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