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Mato Grosso

Justiça bloqueia repasses ao “Rei do Porco” por dívida de R$ 3,48 milhões

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O senador Wellington Fagundes e Reinaldo Morais, o "Rei do Porco" durante ato de campanha | Foto: Victor Ostetti | Midia News

A Justiça de Mato Grosso determinou o bloqueio de 6% dos valores que a Suinobras, empresa do empresário Reinaldo Morais (Novo), o “Rei do Porco”, tem a receber da BRF S.A. e da Cooperativa Cooasgo. A medida atende a uma cobrança milionária feita pela Poli-Nutri Alimentos contra a companhia, cujo dono disputa o cargo de vice-governador na chapa de Wellington Fagundes (PL).

A decisão foi proferida na última semana pela juíza Ana Paula da Veiga Carlota Miranda, titular da 3ª Vara Cível de Cuiabá, em ação na qual a Poli-Nutri cobra uma dívida de R$ 3,48 milhões. O montante retido deverá ser depositado em conta judicial até a quitação do débito, que tem origem no fornecimento de insumos para a criação de animais, como ração.

Antes disso, a Suinobras havia recorrido ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) sustentando que não tinha sido oficialmente citada no processo. Na ocasião, o tribunal anulou decisões anteriores que determinavam o bloqueio de 629 mil quilos de porcos vivos da empresa. Contudo, mesmo após a anulação, a companhia não apresentou defesa nem justificou os atrasos no pagamento.

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Ao analisar o caso, a magistrada destacou o comportamento da devedora e apontou a existência de “manobras” para dificultar o andamento do processo. “O histórico processual da devedora revela manobras destinadas a frustrar atos expropriatórios, além do passivo expressivo que recai sobre a empresa em diversas Comarcas”, afirmou.

A juíza ainda qualificou a conduta como “desleal” e aplicou multa de 2% sobre o valor atualizado da causa. “Tendo a demandada obtido a anulação dos atos pretéritos sob o fundamento da ausência de citação formal, mas negligenciado a obrigação de justificar a omissão no recebimento e tornado a quedar-se revel no prazo expressamente reaberto, resta configurada a conduta desleal e procrastinatória, justificando-se a fixação de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa em favor do Estado”, registrou na decisão.

Segundo o despacho, o bloqueio se mostrou necessário porque a Suinobras tinha valores retidos em outro processo, na Justiça do Paraná. Como a dívida naquele estado foi quitada, os recursos seriam liberados à empresa, o que poderia comprometer o pagamento do débito cobrado em Cuiabá.

 

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Mato Grosso

Fundação Ecológica Cristalino forma nova turma de brigadistas para proteger 7 mil hectares de reservas

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Por  Josana Salles 

A Fundação Ecológica Cristalino (FEC), gestora das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), formou brigadistas em junho de 2026. O curso de prevenção e combate a incêndios, com 32 horas presenciais em quatro dias, foi ministrado no Cristalino Lodge, hotel parceiro da fundação, e reuniu funcionários do hotel e das reservas. A equipe formada atua na resposta a focos de incêndio e na proteção dos 7 mil hectares das RPPNs e arredores, área vizinha ao Parque Estadual Cristalino.

“Quando a gente consegue atuar nos primeiros momentos, é extremamente importante para que o controle seja feito imediatamente e o foco não ganhe maiores proporções”, disse a consultora em Pesquisa e Gestão das Reservas da FEC, Mayara Gomes Corrêa.

O instrutor foi Paulo André da Silva Barroso, coronel bombeiro militar da reserva do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso, mestre em Proteção e Defesa Civil, com foco em gestão de riscos, prevenção e resposta a desastres, e consultor em proteção contra incêndios florestais. Os novos brigadistas irão atuar junto a Brigada Florestal Cristalino, criada em 2024.

Parque Cristalino

A capacitação integra o Plano de Proteção Contra Incêndios Florestais (PPCIF) das reservas. “O objetivo do plano de proteção contra incêndios florestais para a RPPN Cristalino é prevenir a ocorrência de incêndios florestais. O principal meio pelo qual o fogo chegaria às RPPNs seria a ação antrópica, potencializada pelas alterações climáticas”, afirma Barroso.

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Segundo ele, o plano prevê tanto ações preventivas quanto capacidade de combate, para que o fogo cause o menor dano possível. “O bioma da Amazônia não tem capacidade de lidar com incêndios. O fogo na Amazônia tem potencial de causar danos irreversíveis na floresta, além dos danos diretos à fauna e à flora.”

O conteúdo do curso incluiu legislação florestal federal, estadual e de RPPN; teoria do fogo e o triângulo do comportamento do incêndio florestal; fatores que influenciam o combate; técnicas e métodos de combate; formas de propagação do calor; organização para o combate; regras e protocolos de segurança; e primeiros socorros, com aulas teóricas e práticas. “A questão da segurança foi um tema transversal no nosso curso. Isso foi explicado inúmeras vezes”, destaca.

A última parte da carga horária foi dedicada à prática. Os brigadistas realizaram marcha para o combate com construção de aceiros negro, raspado e mecanizado, além de montagem de almoxarifado de campanha. “Utilizamos o caminhão-pipa da RPPN, mangueiras e todos os equipamentos de combate — abafador, bomba costal, pinga fogo, soprador, rastelo e enxada — que estruturam a brigada florestal da RPPN Cristalino”, conta Barroso.

A consultora em Pesquisa e Gestão das Reservas da FEC, Mayara Gomes Corrêa, médica veterinária e doutora em Ciência Animal, destaca a importância da preparação da equipe. “É muito importante a gente ter essa equipe preparada para agir rapidamente e de maneira segura frente a um foco de incêndio”, afirma.

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Além da formação da brigada, outras ações preventivas vêm sendo realizadas. “Outras ações preventivas vêm sendo realizadas, com aceiros, estruturação de abastecimento de água e monitoramento ativo e constante. É o conjunto dessas ações que é fundamental para prevenir o incêndio e para estarmos aptos a agir imediatamente e ter capacidade de combater um incêndio florestal — e, mais do que isso, de preveni-lo”, explica.

A gestão das Reservas Cristalino atendeu à demanda de todos os equipamentos previstos no PPCIF. Os equipamentos de proteção individual incluem coturno, perneira, calça de combate, blusa, gandola, capacete, óculos de proteção, protetor auricular, apito para comunicação e rádios de comunicação. Os equipamentos direcionados ao combate incluem abafador, soprador, bomba costal com água e caminhão-pipa. “Nós realizamos o aceiro com 3 a 6 metros de largura, permitindo o acesso de veículos para auxiliar no deslocamento da água, dos brigadistas e do material de combate”, acrescenta Mayara.

Os participantes foram aprovados no curso e receberão o certificado de brigadista florestal. O curso foi ministrado em conformidade com as normas da ABNT e do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso. A formação seguiu as determinações da NBR 14276 e da norma do Corpo de Bombeiros nº 34.

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