cultura
Exposição que celebra da arte cuiabana entre avó e neta segue até dia 21
Segue aberta até o próximo dia 21 de novembro, no Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, em Cuiabá, a exposição “Cores, Traços, Criatividade: uma viagem artística entre gerações”, que reúne obras da artista plástica Ellém Pellicciari e de sua neta Yasmin Peliciari, de 14 anos. A visitação é gratuita, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Com apoio da Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo e Agricultura, sob gestão do secretário Fernando Medeiros, e da ARTEMAT (Associação dos Artistas Plásticos de Mato Grosso), a mostra celebra o poder da arte como elo entre gerações, revelando o diálogo entre a experiência e o olhar jovem.
Traço e trajetória
Aos 69 anos, Ellém Pellicciari nasceu em Franca (SP) e vive em Cuiabá há mais de três décadas. Mestre em Educação, ativista ambiental e protetora dos animais, ela exibe telas em acrílica que transitam entre o contemporâneo e a arte naïf, com cenas simples, cores intensas e mensagens sobre o cotidiano, a natureza e o ser humano. “Ficar escondida dentro de casa não adianta. Toda oportunidade que eu tenho de mostrar minhas obras, eu vou mesmo”, diz a artista, que já expôs em diversos estados e conquistou 25 certificados internacionais de galerias fora do país.
Inspirada desde a juventude pelo mestre Cândido Portinari, Ellém acredita que a arte é uma força que transforma e aproxima. “A arte é pouco valorizada, mas ela está em toda parte, até nas ruas, entre pessoas que só precisam de incentivo. Nosso sonho é ampliar espaços e oportunidades para esses talentos invisíveis”, afirma.
Ela aproveita para agradecer o apoio da Prefeitura e da Secretaria de Cultura, que, segundo ela, “têm aberto portas e valorizado artistas locais”. O único pedido que faz é simples e direto: “Que o espaço possa abrir também aos finais de semana, para receber turistas e famílias”.
O olhar da nova geração
Ao lado da avó, Yasmin Peliciari estreia no mundo das exposições. Estudante do 8º ano, ela mostra 10 obras inspiradas no universo dos animes, desenhadas com lápis aquarelável e tinta. “Desenho desde bem pequena. Gosto de me expressar por meio da arte. Quando estou feliz ou num dia ruim, o desenho sempre me ajuda”, conta, tímida.
Sem ter frequentado cursos formais, Yasmin aprendeu sozinha, assistindo a vídeos e folheando revistas. “Quero estudar anatomia e teoria das cores para aperfeiçoar meu traço”, diz. Ela explica que se inspira em poses e ângulos diferentes: “Gosto de personagens em posições pouco comuns, com um olhar ou movimento que foge do padrão”.
Para Ellém, ver a neta seguir o mesmo caminho é motivo de emoção e esperança. “A Yasmin tem sensibilidade, e isso não se ensina. A arte é uma herança de alma.”
Arte que aproxima
A exposição propõe uma viagem pela sensibilidade e pelas fases da criação artística, do gesto espontâneo ao traço amadurecido. Inspirada na frase de Pablo Picasso, “A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade”, a mostra convida o público a refletir sobre o poder da expressão criativa em diferentes tempos da vida.
Para o secretário Fernando Medeiros, o incentivo a exposições como essa reforça o compromisso da Prefeitura com o fortalecimento da cultura local. “A arte é reflexo da nossa identidade e diversidade. Valorizar artistas como Ellém e Yasmin é incentivar o diálogo entre gerações e reconhecer a importância da criação na formação humana e social”, afirma.
Serviço
Exposição “Cores, Traços, Criatividade: uma viagem artística entre gerações”
Local: Museu do Morro da Caixa D’Água Velha – Cuiabá (MT)
Visitação: até 21 de novembro, de segunda a sexta, das 8h às 17h
Entrada gratuita
cultura
Museu do Morro da Caixa D’Água Velha reúne dois importantes nomes da poesia visual brasileira
A capital mato-grossense receberá, entre os dias 7 e 21 de junho, uma rara oportunidade de imersão na poesia visual contemporânea. O Museu do Morro da Caixa D’Água Velha abre simultaneamente as exposições Convergências, de Tchello D’Barros, e Divergências – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema, de Juliano Lobato, reunindo 60 obras de dois artistas reconhecidos por suas contribuições à arte experimental brasileira. Com entrada gratuita e classificação livre, a programação reforça o protagonismo histórico de Mato Grosso na poesia visual e transforma o público em participante ativo da criação artística.
Ao reunir 30 obras de cada artista, a iniciativa reafirma o papel do Museu do Morro da Caixa D’Água Velha como espaço de difusão cultural, reflexão e aproximação entre a produção artística contemporânea e a comunidade.
A exposição Convergências, de Tchello D’Barros, apresenta trabalhos que exploram as relações entre imagem, palavra e percepção visual. Reconhecido nacional e internacionalmente, o artista possui trajetória consolidada no campo da poesia visual, com participação em exposições, publicações e projetos culturais desenvolvidos em diversos países.
Já Divergências, de Juliano Lobato, propõe uma experiência baseada na liberdade interpretativa do observador. Artista visual, poeta experimental, curador e pesquisador da linguagem visual, Lobato desenvolve há mais de três décadas uma produção vinculada aos Poemas Sem Palavras, ao Intensivismo e aos desdobramentos contemporâneos do Poema-Processo.
Embora partam de influências estéticas distintas, as duas exposições compartilham uma mesma proposta: transformar o visitante em participante ativo da experiência artística. Sem títulos explicativos ou narrativas fechadas, as obras convidam o público a construir seus próprios significados, assumindo o papel de coautor da poesia presente em cada trabalho.
Para Juliano Lobato, os Poemas Sem Palavras dialogam diretamente com os princípios do Poema-Processo, movimento que compreende a leitura como parte essencial da obra. “Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema. O artista cria a estrutura visual, mas a poesia se completa quando encontra o olhar, a memória e a experiência de quem observa”, afirma.
A proposta também evidencia a relevância histórica de Mato Grosso para os movimentos experimentais da poesia visual brasileira. O estado mantém forte ligação com artistas e pesquisadores que contribuíram para a consolidação de linguagens inovadoras no cenário nacional, entre eles Wlademir Dias-Pino, Rubens de Mendonça e Silva Freire, referências fundamentais para diferentes gerações de criadores.
A realização simultânea das exposições reforça o compromisso da Prefeitura de Cuiabá com a democratização do acesso à cultura e a valorização dos equipamentos públicos como espaços permanentes de formação, convivência e difusão artística.
Administrado pelo município, o Museu do Morro da Caixa D’Água Velha vem ampliando sua programação cultural e consolidando sua atuação como centro de preservação da memória e promoção das artes. Além de exposições de diferentes linguagens, o espaço desenvolve ações educativas voltadas a estudantes e visitantes de diversas regiões do estado.
Nos últimos meses, o museu recebeu iniciativas de destaque, como a exposição coletiva Unidos pela Arte, que reuniu mais de 20 artistas mato-grossenses, além de atividades vinculadas ao projeto Caminhos da Cultura, fortalecendo sua vocação de aproximar a população do patrimônio histórico, da produção artística contemporânea e das múltiplas manifestações culturais de Mato Grosso.
Para Juliano Lobato, apresentar a exposição em Cuiabá tem significado especial. “Cuiabá ocupa um lugar importante na história da poesia visual brasileira, sendo berço de artistas e movimentos que influenciaram gerações. Expor essas obras ao público é uma forma de reconhecer essa herança cultural e fortalecer o diálogo entre a produção contemporânea e a comunidade.”
“Além de apresentar ao público a produção contemporânea de dois importantes nomes da poesia visual brasileira, as exposições também buscam aproximar os mato-grossenses do legado de Wlademir Dias-Pino, referência internacional da arte e da literatura experimental e um dos principais expoentes das vanguardas poéticas surgidas em Mato Grosso”, destaca Lobato.
E conclui: “A mostra contribui para valorizar um patrimônio cultural que nasceu no estado e continua influenciando artistas e pesquisadores em diversas partes do mundo.”
SERVIÇO
Exposição: CONVERGÊNCIAS
Artista: Tchello D’Barros
Exposição: DIVERGÊNCIAS – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema
Artista: Juliano Lobato
Período: 7 a 21 de junho de 2026
Local: Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, Cuiabá/MT
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre
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