cultura
Escritor cuiabano já venceu prêmios através de livros inspirados em sonhos e cotidiano
Por Cristina Cavaleiro
A inspiração pela escrita surgiu aos oito anos de idade através de livros infantis na década de 90, entre eles: Sonho de Beto, Leo Marinho e Harry Poter. De lá para cá, o escritor cuiabano Victor Hugo Angels, de 32 anos, que também é empresário de pequeno porte, consultor administrativo, graduado em marketing, artes cênicas, Administração de Empresas e atualmente concluindo o curso de Ciências Políticas, começou a criar personagens inusitados, que foram surgindo a partir de sonhos, alguns desenvolvidos por meio de fatos reais do cotidiano.
Filho único de uma pedagoga com um funcionário público, Victor Hugo, ao longo de sua carreira já lançou cinco obras literárias baseadas em romance policial, fantástico e terror, que levaram de três dias há cinco anos para serem finalizadas. São livros voltados ao público adulto, juvenil e infantil. Trabalhos realizados com amor e dedicação que renderam os prêmios da Literatura Mato-grossense e do município de Três Corações no estado de Minas Gerais. Conhecido pela inspiração literária, atualmente Victor Hugo é presidente da Cadeia Criativa do Estado do Plano Estadual de Livro, Literatura e Leitura de Mato Grosso (PELLLB), gestão 2018/2028.
Qual profissão exerceu antes de ser escritor?
Victor Hugo Angels – Quando conclui o ensino médio minha mãe abriu um restaurante e exerci a função de gerente do estabelecimento. Como ela não conseguiu conciliar o trabalho como professora e empreendedora, encerramos a atividade no ramo. De 2009 a 2012 trabalhei como professor de informática. Fiz teatro durante seis anos, onde conciliava a atividade teatral e divulgador de livros na editora do Brasil. Também trabalhei na Copa do Mundo de 2014.
Em relação as obras literárias, qual foi lançada recentemente? E o que retrata?
Victor Hugo Angels – O livro Darkness foi lançado no dia 30 setembro deste ano. Levei cinco anos para escrevê-lo. Considerada a obra libertária que levei mais tempo para desenvolver.
Esse longo período de produção foi devido as pesquisas e estudos junto aos órgãos de justiça do estado e país para retratar os fatos de forma correta dentro do parâmetro da lei judicial e evitar violação dos direitos humanos. Até porque tem uma película do livro que aborda o tema pedofobia, onde o fato se consuma. Eu precisava averiguar até que ponto poderia ser descrito e o que não deveria ser abordado. Todos os relatos em torno dessa questão tive orientação jurídica, para evitar polemicas, envolvendo a minha imagem.
O livro relata a história da personagem Sofia que na trama sofre um assédio sexual e acaba assassinando o assediador, fazendo justiça com as próprias mãos. Na história, Sofia sai em busca de bandidos e assassinos, chegando a assassina-los.
Logo no início da trama a personagem é demitida do emprego e passa a sobreviver da rescisão contratual, o que a mantém por dois anos. Durante esse tempo, ela foi cometendo esses crimes usando a aparência, uma mulher muito bonita, até chegar o desfecho da história, ou seja, o final.
A personagem Sofia surgiu a partir de uma cena, em que presenciei de assédio sexual, em uma das avenidas mais movimentadas de Cuiabá, Avenida Historiador Rubens de Mendonça, tradicional Av. do CPA. Na época, uma mulher estava atravessando a via vestida com roupas de academia, quando um homem a abordou direcionando a jovem palavras de baixo escalão. A triste cena de machismo e falta de respeito me motivou a criar a personagem, e por isso o livro relata o drama de uma jovem que teve sua história de vida transformada após sofrer um assédio. A obra foi contemplada pela Lei Aldir Blanc pelo Governo Federal.
Criou algum trabalho para o público infantil?
Victor Hugo – Sim, “Mundo dos Sonhos e o Ferreiro e a Cartola”. O livro venceu o II prêmio de Literatura de Mato Grosso, na categoria infanto-juvenil. A obra foi escrita em três dias, no ano 2016. A missão da pequena Rita é salvar o “Mundo dos Sonhos”. Após aceitar a proposta de um desconhecido e depois de encontrar uma cartola caída em seu quintal, Rita decide salvar o mundo, onde tudo pode acontecer, somente para ter o seu irmão mais novo e sua mãe de volta em casa. Mal sabe ela quais mistérios a aguardam nessa jornada. Era época da dengue hemorrágica, quando o livro foi escrito.
Qual a primeira obra literária? é voltado para qual público?
Victor Hugo – O livro se chama Alquimista Imortal e o Perfume da Princesa. Por ser semelhante ao Crepúsculo, Harry Porter e Jogos Vorazes, que são séries de romances e fantasias, considero que seja voltado ao púbico adolescente, com objetivo de estimular o habito da leitura nos jovens, até mesmo nos pré-adolescentes de 11 e 12 anos, que se consideram adolescentes de 15, 16 e 17 anos. Diz trecho do livro que em um certo dia “chovia tanto que nem parecia chuva de verão. Com suas roupas encharcadas, Niky já estava cansado e entrou na caverna junto com Florina. Ela se sentou no chão e Niky ainda estava se sentindo estranho por causa daquela sensação de cansaço, ao lado de Florina e aconchegou-se inocentemente sua cabeça nos seios dela, percebendo que ali poderia ser o melhor lugar do mundo. Os fios castanhos do cabelo de Florina estavam meio secos e deliciosamente cheirosos, pois cheiravam flores de jasmim.
Destaque outros trabalhos que fazem parte de seu currículo de escritor
Victor Hugo – Um deles é a Fada Demônio. Existe um trecho da história que diz: por mais adoráveis e inofensivas que nos possam parecer, as coisas que nos alegram, talvez também sejam as que mais nos assustam. Fadas? Sereias? Bonecas? Ou apenas uma doce velhinha visitando uma igreja? Pessoas que já se foram e tiveram suas almas presas em fotografias? Ou aquelas que voltam somente para nos livrar de um mal maior? Decida por você, o que te agrada, o que traz prazer ou medo e dor, ou, quem sabe, todas essas coisas ao mesmo tempo. Com um toque de fábulas infantis e a inocência de um amor sincero, os contos são narrados em uma linguagem simplificada e com muito bom gosto para os céticos e céticas.
Também escrevi a obra: A Catedral dos Anjos e a Donzela da Montanha, que é a continuação do livro “O Alquimista Imortal e o Perfume da Princesa” ambos fazem parte da série Alquimistas Espirituais.
O trecho do livro conta que Apesar do início do verão em Highlands, o sopro do vento parecia anunciar um começo de inverno. Depois de Allister ter vestido a jaqueta de couro, que estava carregando pendurada em seu ombro, para se aquecer, ele segurou impulsivamente a mão de Lumia. No momento em que os dedos de suas mãos se cruzaram, Lumia sentiu uma excitação muito forte em todo seu corpo e, de fato, o coração dela estava batendo mais acelerado. Allister teve a mesma sensação, enquanto o corpo dele pareceu tremer, como se sua alma oscilasse dentro de si. Mas mesmo assim, ele não soltou a mão da amiga, porém à apertou, carinhosamente, com mais força. Os dois por fim voltaram suas faces, uma em direção à outra, ao mesmo tempo, e então se encararam nos olhos e ficaram presos entre aquela troca olhares durante alguns segundos. A cor azul dos olhos de Lumia estava tão vibrante, que se pareciam com um par de pedras de água marinha bem lapidadas, brilhantes à luz do sol, muito diferentes da sua tonalidade normal de azul-anil. E a íris castanhas dos olhos de Allister assumiam um tom avermelhado, como a cor do céu no alvorecer de uma nova manhã. Alguns segundos depois, as palavras que Allister não gostaria de ter dito, quebraram aquele prazeroso silêncio entre os olhares: – Vamos entrar, porque aqui está realmente frio…”
Informações sobre a venda de livros pelo site www.victorangels.com

cultura
Museu do Morro da Caixa D’Água Velha reúne dois importantes nomes da poesia visual brasileira
A capital mato-grossense receberá, entre os dias 7 e 21 de junho, uma rara oportunidade de imersão na poesia visual contemporânea. O Museu do Morro da Caixa D’Água Velha abre simultaneamente as exposições Convergências, de Tchello D’Barros, e Divergências – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema, de Juliano Lobato, reunindo 60 obras de dois artistas reconhecidos por suas contribuições à arte experimental brasileira. Com entrada gratuita e classificação livre, a programação reforça o protagonismo histórico de Mato Grosso na poesia visual e transforma o público em participante ativo da criação artística.
Ao reunir 30 obras de cada artista, a iniciativa reafirma o papel do Museu do Morro da Caixa D’Água Velha como espaço de difusão cultural, reflexão e aproximação entre a produção artística contemporânea e a comunidade.
A exposição Convergências, de Tchello D’Barros, apresenta trabalhos que exploram as relações entre imagem, palavra e percepção visual. Reconhecido nacional e internacionalmente, o artista possui trajetória consolidada no campo da poesia visual, com participação em exposições, publicações e projetos culturais desenvolvidos em diversos países.
Já Divergências, de Juliano Lobato, propõe uma experiência baseada na liberdade interpretativa do observador. Artista visual, poeta experimental, curador e pesquisador da linguagem visual, Lobato desenvolve há mais de três décadas uma produção vinculada aos Poemas Sem Palavras, ao Intensivismo e aos desdobramentos contemporâneos do Poema-Processo.
Embora partam de influências estéticas distintas, as duas exposições compartilham uma mesma proposta: transformar o visitante em participante ativo da experiência artística. Sem títulos explicativos ou narrativas fechadas, as obras convidam o público a construir seus próprios significados, assumindo o papel de coautor da poesia presente em cada trabalho.
Para Juliano Lobato, os Poemas Sem Palavras dialogam diretamente com os princípios do Poema-Processo, movimento que compreende a leitura como parte essencial da obra. “Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema. O artista cria a estrutura visual, mas a poesia se completa quando encontra o olhar, a memória e a experiência de quem observa”, afirma.
A proposta também evidencia a relevância histórica de Mato Grosso para os movimentos experimentais da poesia visual brasileira. O estado mantém forte ligação com artistas e pesquisadores que contribuíram para a consolidação de linguagens inovadoras no cenário nacional, entre eles Wlademir Dias-Pino, Rubens de Mendonça e Silva Freire, referências fundamentais para diferentes gerações de criadores.
A realização simultânea das exposições reforça o compromisso da Prefeitura de Cuiabá com a democratização do acesso à cultura e a valorização dos equipamentos públicos como espaços permanentes de formação, convivência e difusão artística.
Administrado pelo município, o Museu do Morro da Caixa D’Água Velha vem ampliando sua programação cultural e consolidando sua atuação como centro de preservação da memória e promoção das artes. Além de exposições de diferentes linguagens, o espaço desenvolve ações educativas voltadas a estudantes e visitantes de diversas regiões do estado.
Nos últimos meses, o museu recebeu iniciativas de destaque, como a exposição coletiva Unidos pela Arte, que reuniu mais de 20 artistas mato-grossenses, além de atividades vinculadas ao projeto Caminhos da Cultura, fortalecendo sua vocação de aproximar a população do patrimônio histórico, da produção artística contemporânea e das múltiplas manifestações culturais de Mato Grosso.
Para Juliano Lobato, apresentar a exposição em Cuiabá tem significado especial. “Cuiabá ocupa um lugar importante na história da poesia visual brasileira, sendo berço de artistas e movimentos que influenciaram gerações. Expor essas obras ao público é uma forma de reconhecer essa herança cultural e fortalecer o diálogo entre a produção contemporânea e a comunidade.”
“Além de apresentar ao público a produção contemporânea de dois importantes nomes da poesia visual brasileira, as exposições também buscam aproximar os mato-grossenses do legado de Wlademir Dias-Pino, referência internacional da arte e da literatura experimental e um dos principais expoentes das vanguardas poéticas surgidas em Mato Grosso”, destaca Lobato.
E conclui: “A mostra contribui para valorizar um patrimônio cultural que nasceu no estado e continua influenciando artistas e pesquisadores em diversas partes do mundo.”
SERVIÇO
Exposição: CONVERGÊNCIAS
Artista: Tchello D’Barros
Exposição: DIVERGÊNCIAS – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema
Artista: Juliano Lobato
Período: 7 a 21 de junho de 2026
Local: Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, Cuiabá/MT
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre
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