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Dañono

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Ritual Xavante de furação das orelhas dos waptè, jovens de 15 a 17 anos, que ocorre de cinco em cinco anos. No ano de sua realização, o cultivo das roças é cuidado de modo especial, a fim de que a colheita seja mais farta do que de costume. Em um período que antecede à cerimônia de perfuração dos lóbulos das orelhas, os jovens, lado a lado, permanecem toda a parte do dia , muitas vezes, até por volta da meia-noite, em um córrego nos arredores da aldeia, batendo repetidamente com as mãos na água para molhar o rosto. Esse gesto, associado ao tempo que permanecem na água, adormece as orelhas e elimina a sensação de dor durante a perfuração. Após esse período, os jovens, em fila e em obediência aos seus padrinhos, deixam o córrego e dirigem-se ao pátio da aldeia, cada um com suas bordunas. Em frente às suas casas, os jovens encontram as esteiras, trançadas por seus pais, onde se sentarão à espera de seus padrinhos que, com um fragmento de osso da perna da onça, realizarão a perfuração. O adorno recebido é feito do talo grosso de uma espécie de capim. Depois que todos os jovens já exibem os adornos recém recebidos, vão até à sua casa e são pintados por sua irmã mais nova com tinta à base de jenipapo. Retornam ao córrego para que os padrinhos certifiquem-se de que o par de brincos está em posição paralela. Na manhã seguinte, as mulheres dedicam-se à preparação do alimento: uma espécie de bolo de milho. A cerimônia chega ao fim com a corrida de toras em torno da aldeia realizada pelos jovens guerreiros. Nos três meses seguintes, os jovens receberão ensinamentos dos índios mais velhos e só então estarão aptos ao casamento.

Anna Maria Ribeiro Fernandes Moreira da Costa

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Cravos no ramo: Sombolismo, história e tradições em Portugal

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Usar cravos nos ramos de flores não é propriamente uma novidade. Trata-se de uma flor muito usada, devido à sua forte carga simbólica, pois pode ser associada a diferentes significados consoante a sua cor. Em muitas culturas, os cravos são usados para expressar emoções, intenções ou sentimentos. Sem dúvida que são uma estratégia silenciosa, mas muito poderosa. Segundo a Interflora, especialistas no envio de flores e no seu simbolismo, cravos vermelhos simbolizam amor apaixonado, o cravo branco representa pureza e paz, estando também associado a novos começos. Já o cravo cor-de-rosa é a flor da gratidão, também muitas vezes associada ao amor maternal, enquanto o amarelo é a flor da alegria e da amizade, estando o roxo mais ligado ao misticismo, à espiritualidade e até ao luto.

Em Portugal, o cravo – em particular o cravo de cor vermelha – é, desde 1974, um poderoso símbolo de liberdade, resistência e esperança. Uma flor que todos os portugueses usam e reconhecem como símbolo nacional.

O simbolismo dos cravos vermelhos em Portugal

A ligação mais imediata e recente dos cravos vermelhos no país é à Revolução dos Cravos, de 25 de Abril de 1974. Nessa noite, os militares entraram em Lisboa e derrubaram o regime ditatorial do Estado Novo, dando início a uma nova era de democracia no país. Em vez de tiros e de sangue, os soldados colocaram cravos vermelhos nos canos das suas espingardas. Esta imagem, que na altura atravessou fronteiras, faz hoje parte do imaginário e da cultura portuguesa e é um símbolo de Abril e dos seus valores democráticos.

E tudo graças a Celeste Martins Caeiro, que, naquela manhã, levava consigo cravos vermelhos e brancos para celebrar o aniversário do restaurante onde trabalhava. Ao ver os soldados e sem nada mais para lhes oferecer, Celeste presenteou-os com os cravos que tinha consigo. Por este gesto, Celeste Martins Caeiro (que faleceu recentemente, em novembro do ano passado) será sempre recordada, tendo sido,, no passado Dia da Mulher (8 de Março), condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com o grau de Oficial da Ordem da Liberdade.

Ainda hoje, esta data é celebrada em Portugal com cravos vermelhos, que são distribuídos e levados pela população na mão ou à lapela.

Os cravos antes do 25 de Abril

A verdade é que a ligação dos cravos à cultura portuguesa já vinha de trás. Em algumas localidades, por exemplo, era comum colocar um cravo vermelho à janela como forma de declarar o seu amor sem usar palavras.
Usar ramos de cravos é também comum nas muitas festas religiosas e romarias que existem no país. Nestas festas, os cravos ganham destaque em andores e procissões conquistando um simbolismo sagrado, muitas vezes associado à fertilidade e à celebração da primavera.

Como pode ver, usar cravos num ramo pode significar muitas coisas. E da mesma forma que esta flor faz parte da memória histórica e coletiva de todos nós, sendo um tributo à luta pela liberdade, também é uma flor carregada de mensagem e perfeita para ser partilhada com quem se ama.

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