Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

artigos

Da importunação sexual ao feminicídio: a resposta começa com um Estado presente

Publicados

em

Por Natasha Slhessarenko

Mato Grosso infelizmente voltou a ocupar espaço nas estatísticas da violência contra a mulher. Além de figurar entre os estados com os maiores índices de feminicídio do país, registrou mais de 500 casos de importunação sexual apenas nos primeiros meses deste ano. Esses números não podem ser tratados como episódios isolados. Eles revelam um Estado que ainda falha na prevenção, na proteção e no acolhimento das mulheres. Quando a violência avança e o poder público não acompanha essa realidade com políticas eficazes, quem perde é toda a sociedade.

A importunação sexual é crime. Não se trata de uma “brincadeira”, de um “mal-entendido” ou de um comportamento inconveniente. É uma violência que fere a dignidade da mulher, invade sua liberdade e compromete seu direito de viver, estudar, trabalhar e ocupar os espaços públicos sem medo. Muitas vezes, esse é o primeiro degrau de uma escalada de violência que pode evoluir para agressões físicas, violência doméstica e, infelizmente, para o feminicídio. Combater a importunação sexual também é impedir que outras formas de violência aconteçam.

Os dados demonstram que mais mulheres estão denunciando, o que representa um avanço importante. Mas também evidenciam que ainda existe uma enorme distância entre a necessidade de proteção e a estrutura que o Estado oferece. Mato Grosso possui dimensões continentais, mas ainda conta com número insuficiente de Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher. Em muitas regiões, uma vítima precisa percorrer centenas de quilômetros para registrar uma ocorrência ou buscar atendimento especializado. Essa realidade é incompatível com a urgência que esses casos exigem.

Leia mais:  Lipedema: quando a balança não conta toda a história

Também precisamos fortalecer a presença do Estado na segurança pública. Durante anos, milhares de mato-grossenses conviveram com a expectativa de reforço das forças de segurança enquanto candidatos aprovados em concursos públicos aguardavam convocação. Somente no fim do segundo mandato do atual governo parte desses aprovados começou a ser chamada. O resultado é uma estrutura que ainda precisa ser fortalecida para responder aos desafios atuais.

Precisamos ampliar o efetivo e colocar mais policiais nas ruas, realizando policiamento preventivo em bairros, praças, escolas, pontos de ônibus e demais espaços públicos. A presença ostensiva das forças de segurança inibe a ação dos criminosos e devolve às mulheres um direito básico: o de ir e vir com liberdade e segurança.

Defendo igualmente a ampliação da rede de proteção às mulheres. Mato Grosso precisa implantar uma Casa da Mulher Brasileira em cada sede de Consórcio Regional de Saúde. Esses espaços concentram, em um único local, atendimento policial, assistência jurídica, atendimento psicológico, assistência social, serviços de saúde e acolhimento humanizado, reduzindo a revitimização e oferecendo uma resposta rápida e integrada às vítimas.

Mas proteger uma mulher também significa oferecer condições para que ela reconstrua sua vida. Muitas permanecem em ambientes de violência por dependerem financeiramente do agressor. Por isso, defendo políticas públicas voltadas à qualificação profissional, ao encaminhamento para o mercado de trabalho e ao incentivo ao empreendedorismo feminino, para que essas mulheres conquistem autonomia financeira, independência e condições reais de romper o ciclo da violência.

Também precisamos investir na qualificação permanente dos servidores públicos que atendem essas mulheres. Nem todas as cidades contam com Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher. Por isso, policiais civis, escrivães, investigadores e demais profissionais que atuam nas delegacias comuns precisam receber treinamento específico para acolher vítimas de violência com sensibilidade, respeito e conhecimento dos protocolos de atendimento. O primeiro contato com o poder público pode determinar se a mulher seguirá em frente com a denúncia ou desistirá de buscar seus direitos.

Leia mais:  O problema da dívida

Nenhuma estrutura, entretanto, será suficiente se continuarmos atuando apenas depois que a violência acontece. Precisamos investir fortemente em prevenção. Educação para o respeito, campanhas permanentes de conscientização, fortalecimento da rede de proteção e integração entre saúde, assistência social, educação, segurança pública e sistema de Justiça precisam deixar de ser ações isoladas para se transformar em uma política permanente de Estado.

Como médica, aprendi que prevenir salva vidas. Como mulher, sei que nenhuma de nós deveria mudar sua rotina, seus caminhos ou seus sonhos por medo da violência. E como cidadã comprometida com Mato Grosso, acredito que governar também significa cuidar das pessoas, especialmente daquelas que mais precisam da proteção do Estado.

A violência contra a mulher não será enfrentada apenas com discursos ou indignação. Exige planejamento, investimento, presença do Estado e compromisso permanente com a vida. Enfrentar a importunação sexual é proteger a liberdade das mulheres hoje e evitar tragédias amanhã. Esse deve ser um compromisso de qualquer governo que pretenda construir um Mato Grosso mais seguro, mais justo e mais humano.

Dra. Natasha Slhessarenko é médica, servidora pública e empresária em Mato Grosso.
Propaganda

artigos

Legado construído com trabalho, diálogo e compromisso com Mato Grosso

Publicados

em

Por Wenceslau Júnior

Encerrar um ciclo é uma oportunidade para refletir sobre o caminho percorrido. No dia 30 de junho, concluo minha missão à frente do Sistema Comércio de Mato Grosso, iniciada em 2018, com a certeza de que Fecomércio, Sesc e Senac chegam mais fortes, mais modernos e mais presentes na vida dos mato-grossenses.

Foram oito anos marcados por grandes desafios. Enfrentamos a pandemia, vivemos profundas mudanças econômicas e acompanhamos a evolução do mercado de trabalho. Em todos esses momentos, a Federação manteve seu compromisso de representar o setor do comércio de bens, serviços e turismo, defendendo o empreendedor, promovendo o diálogo com os poderes constituídos e investindo em ações que gerassem desenvolvimento para toda a sociedade.

O resultado desse trabalho vai muito além dos números, embora eles impressionem. Entre 2018 e 2026, Sesc e Senac realizaram mais de 14,5 milhões de atendimentos, consolidando uma rede que hoje reúne 33 unidades fixas, oito unidades móveis e mais de dois mil colaboradores dedicados à transformação social.

Esse legado também pode ser visto em obras e projetos que mudaram a realidade de Mato Grosso. Entregamos o novo Sesc Salgadeira, devolvendo aos mato-grossenses um dos principais cartões-postais da região de Cuiabá completamente revitalizado. Inauguramos as modernas unidades do Sesc e do Senac Várzea Grande, ampliando o acesso da população à educação profissional, saúde, cultura, lazer e assistência social.

Também ampliamos o alcance dos serviços com a implantação da unidade móvel Sesc Visão, levando atendimento oftalmológico a milhares de pessoas em municípios que antes não contavam com esse serviço. Criamos, ainda, o projeto Encantos da Gastronomia, valorizando a culinária regional, fortalecendo pequenos empreendedores e incentivando o turismo gastronômico como ferramenta de desenvolvimento econômico.

Leia mais:  IBS e CBS na base do ICMS: estamos diante de um novo "tributo sobre tributo"?

Outro marco desse período foi o fortalecimento da FIT Pantanal, que consolidamos como a maior feira de turismo das regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil. A feira deixou de ser apenas um evento para se tornar uma plataforma de negócios, inovação, qualificação profissional e promoção dos destinos turísticos mato-grossenses, contribuindo para posicionar Mato Grosso como um dos grandes protagonistas do turismo nacional.

Na Fecomércio, fortalecemos a defesa institucional do setor empresarial. Produzimos 571 notas técnicas pela Renalegis, celebramos 195 instrumentos coletivos de trabalho, divulgamos mais de 500 pesquisas e consolidamos serviços como o Cartão do Empresário, que ultrapassou 2,5 mil empresas credenciadas e mais de 51 mil atendimentos. Ainda inauguramos o Complexo Sindical, que fornece espaços para os sindicatos realizarem seus trabalhos.

O Sesc expandiu seus programas sociais, culturais, esportivos e de saúde. O Mesa Brasil distribuiu mais de 8,3 milhões de quilos de alimentos desde 2018. Os restaurantes do comerciário serviram mais de 2,7 milhões de refeições. O Festival Nacional da Viola tornou-se um dos maiores eventos culturais de Mato Grosso, reunindo mais de 202 mil participantes em cinco edições e fortalecendo a valorização da cultura popular brasileira.

O Senac viveu um dos períodos mais importantes de sua história recente. Além de ampliar sua atuação em todo o estado e fortalecer a educação profissional, firmamos uma parceria histórica com o Governo de Mato Grosso por meio do Senac Educ. O programa representa mais de R$ 75,6 milhões em investimentos destinados à qualificação profissional, com milhares de vagas gratuitas ofertadas em diversas áreas, preparando trabalhadores para as demandas do mercado e ampliando oportunidades de emprego, renda e inclusão social.

Leia mais:  Lipedema: quando a balança não conta toda a história

É uma iniciativa que reafirma o papel do Senac como protagonista na formação da mão de obra que impulsiona o desenvolvimento econômico de Mato Grosso.

Nenhuma dessas conquistas pertence a uma única pessoa. Elas são fruto do trabalho conjunto da diretoria, dos sindicatos empresariais, dos colaboradores, da Confederação Nacional do Comércio e de tantos parceiros que acreditaram na força do diálogo, da união e da construção coletiva.

Deixo a presidência com serenidade e orgulho. Entrego uma Federação sólida, respeitada nacionalmente e preparada para continuar crescendo. Tenho plena confiança de que a próxima gestão dará continuidade a esse projeto, preservando aquilo que sempre orientou nossas decisões: o compromisso com o empresário, com os trabalhadores do comércio e com o desenvolvimento de Mato Grosso.

Os mandatos passam. As instituições permanecem. E o verdadeiro legado é deixar um Sistema mais forte do que o encontramos, preparado para servir às próximas gerações.

Wenceslau Júnior é empresário do setor de material de construção há mais de 40 anos em Mato Grosso. Exerce a presidência do Sistema Comércio de Mato Grosso, formado por Fecomércio, Sesc, Senac e IPF-MT, até 30 de junho de 2026.,

 

Continue lendo

Polícia

MATO GROSSO

Política Nacional

AGRO & NEGÓCIOS

ESPORTES

VARIEDADES

CIDADES

Mais Lidas da Semana