cultura
Da dança siriri ao vôlei indígena: Cuiabá sedia olimpíada da cultura popular de Mato Grosso
Por Keka Werneck
Cuiabá irá sediar, na próxima semana, de 21 a 23 de outubro, um grande encontro. Pesquisadores, educadores, estudantes, sendo a maior parte deles jovens, e demais convidados vão se reunir para a 3ª Olimpíada Nacional dos Povos Tradicionais, Quilombolas e Indígenas e a 4ª Mostra Científica de Povos Tradicionais, Quilombolas e Indígenas do Estado de Mato Grosso. Os eventos concomitantes serão realizados no campus da capital da UFMT, no auditório da Adufmat. A iniciativa é da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) e alia ensino, pesquisa e extensão.
Nos eventos, estarão à mostra e concorrendo na Olimpíada trabalhos que destacam a tradicional dança siriri, a linguiça artesanal, experiência com plantio de morango na escola, festas de santo, benzedeiras, produção de rapadura e farinha, bonecos artísticos, vôlei em aldeia, artesanato, comidas típicas e o trançado indígena, a importância das varredoras de ruas em Cáceres, o rio Paraguai, as queimadas no Pantanal, o valor do pescador, a realidade de alunos bolivianos na fronteira, plantas medicinais e um grande número de temas, trazendo vasto conhecimento e olhares sobre a cultura popular mato-grossense.
Idealizadora e coordenadora dos eventos, a professora doutora da Unemat Lisanil Conceição Patrocínio Pereira convida todos para esta partilha de expertises das quais muitos de nós já nos esquecemos e têm relação com qualidade de vida. “Faremos o diálogo principalmente com nossos jovens, para deixar evidente o quanto os povos tradicionais, os indígenas, os quilombolas têm a nos ensinar, vamos resgatar isso”.
No evento, serão selecionadas 70 bolsas de Iniciação Científica Júnior do CNPq para os jovens estudantes, para que sigam em frente, pesquisando os saberes de Mato Grosso. Os candidatos às bolsas enviaram relatos de experiências desenvolvidas na escola, em casas e/ou comunidades, que expressam a pujança da cultura popular mato-grossense, sua força e relevância.
O objetivo estratégico desses eventos é também fomentar o desenvolvimento sustentável orientado pela ONU, já em sintonia com a Agenda 2030 no Brasil. Este projeto tem a Unemat como proponente e conta com parcerias da UaB, PPGEO (Mestrado em Geografia) e PPGCI (Mestrado em Ensino Intercultural Indígena), além das escolas públicas.
cultura
Projeto Teatreiras em Cena encerra atividades refletindo sobre acesso e acessibilidade cultural
O Projeto Teatreiras em Cena encerrou suas oficinas no Instituto Federal de Mato Grosso, trazendo para a equipe e também para o público uma reflexão sobre acesso e acessibilidade cultural.
Foram realizadas cinco oficinas, nas quais o teatro se tornou uma ferramenta eficaz para que os participantes desenvolvessem experiências socioemocionais e também obtivessem mais instrumentos para suas práticas profissionais.
Tais instrumentos e ferramentas não foram oportunizados apenas ao público participante, mas também à equipe, que se envolveu em um aprendizado mais aprofundado sobre acesso e acessibilidade cultural — tema presente no âmbito da Aldir Blanc, por meio da Instrução Normativa (IN) MinC nº 10, de 28 de dezembro de 2023 —, explica Naine Terena, uma das “Teatreiras em Cena”.
Terena integrou a equipe do Ministério da Cultura, comandando a diretoria responsável pela coordenação de acesso e acessibilidade cultural, com foco nas diferentes maneiras de atuar junto a pessoas com deficiência. Para ela, a presença dessas medidas nos editais do PNAB é essencial para que equipes de projetos possam se preparar e ampliar a participação de pessoas com deficiência, tanto como público quanto como realizadoras culturais. “Estamos caminhando, ainda que lentamente, para ter essa equipe mais diversa, mas seguiremos firmes neste objetivo”, pondera.
Nesse sentido, Alicce Oliveira, atriz que conduziu as oficinas, aponta que uma das principais reflexões foi a urgência de ampliar projetos que garantam a participação integral das pessoas com deficiência (PCDs). Ela explica que as oficinas de jogos teatrais desenvolvidas no projeto foram cuidadosamente adaptadas para esse público. Entre os desafios, destacou-se a condução de uma mesma oficina para um grupo diverso, com necessidades específicas em cada proposta apresentada.
Para Alicce, ainda que o processo seja inicial, ficou evidente a troca potente e o aprendizado significativo entre os participantes. “Fica claro que nós, produtores culturais, ainda temos muito a aprender e a aprimorar no atendimento às pessoas com deficiência. Com o fortalecimento de políticas públicas como a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), esse movimento de inclusão vem sendo ampliado no setor cultural, abrindo caminhos importantes para uma atuação mais democrática e diversa.”
No Teatreiras em Cena, algumas ações foram direcionadas para o campo da formação da equipe e para o apoio ao fortalecimento das políticas de acessibilidade — especialmente a arquitetônica, atitudinal e comunicacional.
Em relação ao preparo da equipe, ocorreram aulas focadas na formação para as políticas de acessibilidade atitudinal e comunicacional, abordando pontos específicos sobre as relações estabelecidas com pessoas com deficiência.
Foram ofertadas 4 horas de atividade, divididas em dois dias de encontros online. O projeto também abriu vagas nas oficinas, recebendo pelo menos uma pessoa com deficiência em suas atividades. Já no campo da acessibilidade arquitetônica e comunicacional, o projeto ofereceu aos locais que receberam as atividades: um par de placas em braile para banheiros feminino e masculino, seis capas de encosto de cadeira (prioritário) e 19 adesivos em vinil de sinalização para cadeirantes e Libras.
O projeto é financiado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Governo de Mato Grosso/SECEL-MT, via Edital Viver Cultura.
Sobre os desafios, Mazé Oliveira, produtora executiva, avalia que há diversos aspectos a serem considerados — desde questões práticas, como visitas aos espaços para compreender as necessidades de cada um, até desafios logísticos e financeiros, como onde encontrar itens que atendessem às demandas e coubessem no orçamento.
“Tudo isso foi pensado e negociado para que pudéssemos fazer as entregas da melhor forma, tanto aos espaços quanto ao projeto, respeitando a legislação vigente. Penso que iniciamos uma caminhada mais consciente, entregando capacitação à equipe, kits de acessibilidade arquitetônica aos espaços e uma oficina mais inclusiva para o público PcD participante. No entanto, quando o assunto é acessibilidade, temos muito o que melhorar e aprender — e nada como a prática cotidiana para entendermos isso. Projetos bem planejados e executados têm muito a contribuir nesse quesito, mas ainda carecemos de mais conscientização, mais políticas públicas estruturantes e perenes e mais orçamento realista”, finaliza.
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