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Cautelar do TCE suspende pagamento de verba indenizatória de vereador
No total, Alexandre da Silva Tavares recebia, por mês, verba indenizatória de R$ 17 mil, além dos salários de vereador e dentista. Desses R$ 17 mil, R$ 6.000,00 eram referentes a VI concedida aos servidores da Secretaria de Saúde de Nova Mutum
Marcos Bergamasco | Agência Phocus
Prefeitura municipal de Nova Mutum
A Prefeitura Municipal de Nova Mutum deve suspender o pagamento de verba indenizatória (VI) extra para o servidor da Secretaria Municipal de Saúde Alexandre da Silva Tavares, um dentista que também é vereador do município.
A determinação consta na medida cautelar (35/2018) concedida parcialmente pelo conselheiro interino Isaías Lopes da Cunha, em Representação de Natureza Interna proposta pela Secretaria de Controle Externo da 2º Relatoria, que apontou irregularidades no pagamento do benefício.
Thiago Bergamasco | TCE-MT
Conselheiro Interino do TCE-MT, Isaias Lopes da Cunha
A decisão foi publicada na edição do Diário Oficial de Contas disponibilizado em 30 de janeiro. Em caso de descumprimento, a multa diária é de 5 UPFs.
No total, Alexandre da Silva Tavares recebia, por mês, verba indenizatória de R$ 17 mil, além dos salários de vereador e dentista. Desses R$ 17 mil, R$ 6.000,00 eram referentes a VI concedida aos servidores da Secretaria de Saúde de Nova Mutum que atuam na Unidade Básica de Saúde (UBS) rural da comunidade do Portal do Marape, e que foi instituída pela Lei Municipal nº 1880/2015; outra VI, no valor de R$ 4 mil, foi concedida pela Prefeitura, por meio da Lei Municipal nº 1881/2015, aos servidores da saúde que atuam na UBS rural da Comunidade Ranchão; além de R$ 7 mil da verba indenizatória que recebe como vereador.
Na decisão, o conselheiro interino Isaías Lopes da Cunha considerou que, no caso específico do servidor Alexandre da Silva Tavares, ficou caracterizado o periculum in mora (perigo da demora) na continuidade do pagamento das verbas indenizatórias que ele recebe como servidor público municipal, fixadas pelas leis nº 1880/2015 e nº 1881/2015, que somam R$ 10 mil, podendo ocasionar prejuízos ainda maiores ao ente público. Por esse motivo a cautelar suspende o pagamento dos R$ 10 mil.
A Representação Interna proposta pela Secex pedia a suspensão do pagamento, para todos os servidores, das verbas indenizatórias instituídas pelas leis 1880 e 1881 de 2015, e pelas leis nº 1623/2013, que beneficia o prefeito, o vice prefeito, secretários municipais e procurador-geral do município; e nº 1784/2014, que beneficia médicos do PSF, com R$ 3.000,00, e do Pronto Atendimento, com R$ 2,7 mil. A equipe da Secex argumentou que as verbas indenizatórias para esses cargos é lesiva aos cofres públicos, pois caracterizariam remuneração ou subsídio complementar. Nesse caso, ficariam sujeitas à retenção de tributos, podendo constituir, futuramente, passivo para o município.
Ao negar essa parte do pedido, o conselheiro justificou que as leis estabeleceram a verba como forma compensatória ao não recebimento de diárias, adiantamento, passagens e ajuda de transporte, dentre outras despesas inerentes ao exercício dos cargos, bem como para custeio das viagens dentro do Estado. “A finalidade da verba indenizatória é o ressarcimento de despesas realizadas pelos agentes públicos no exercício de suas atribuições.
Por isso, considerando que o prefeito municipal exerce o mandato de chefe do Poder Executivo, desempenhando suas funções políticas e administrativas e que o vice prefeito, o procurador geral e os secretários municipais são seus auxiliares direto, conforme dispõe art. 65, da Lei Orgânica do Município de Nova Mutum/MT, os mesmos fizeram jus ao recebimento da verba indenizatória”, reforçou o conselheiro.
Isaías Lopes da Cunha ressaltou ainda que a equipe de instrução restringiu seu questionamento alegando que os cargos citados desempenham suas atribuições habitualmente na cidade sede do Poder Executivo Municipal. Contudo, no entendimento do relator, não há qualquer informação nos autos de que os servidores municipais citados não se deslocaram ou não viajaram em razão de suas atividades, o que torna temerária a afirmação de que a verba indenizatória seria inconstitucional ou mesmo imoral a todos os servidores indicados.
NOTA DE ESCLARECIMENTO
O vereador Alexandre da Silva Tavares emite nota de esclarecimento sobre a medida cautelar concedida pelo conselheiro interino do Tribunal de Contas do Estado, Isaías Lopes da Cunha, referente a suspensão da verba indenizatória pela Prefeitura de Nova Mutum, referente aos serviços prestados na Comunidade Pontal do Marape e Ranchão.
Alexandre Tavares esclarece que o recebimento de verba indenizatória é um meio legal de ser ressarcido dos custos com desgaste de veículo, combustível, pedágio, hotel e alimentação para a realização da prestação dos serviços como dentista nas duas comunidades do interior, tendo em vista que são percorridos mais de 2,5 mil km mensais para a realização desses atendimentos odontológicos nos Postos de Saúde da Família do interior.
Os trabalhos são realizados duas vezes por semana no Pontal do Marape e outras duas vezes no Ranchão.
O recebimento da verba indenizatória da Câmara Municipal em nada tem a ver com a VI da Prefeitura, pois são para o exercício de funções distintas. Alexandre Tavares também é vereador e recebe VI como forma compensatória ao não recebimento de diárias, adiantamentos e ajuda de transportes, dentre outras despesas inerentes ao exercício do cargo.
Nova Mutum, 07 de fevereiro 2018
Att/
Alexandre da Silva Tavares
caceres
Prefeitura de Cáceres planeja investir R$ 26 milhões na ampliação da rede municipal de saúde
A Prefeitura de Cáceres pretende contratar um financiamento de R$ 26,049 milhões para executar um pacote de obras voltado à ampliação e modernização da estrutura pública de saúde. A proposta prevê a construção de quatro Unidades Básicas de Saúde (UBSs), uma nova sede para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Adulto e o Hospital Municipal de Cáceres.
Os investimentos seriam viabilizados por meio do Fundo de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS), linha de crédito federal operada pela Caixa Econômica Federal. O projeto foi apresentado durante uma audiência pública realizada na quarta-feira (12), na Câmara Municipal, e ainda precisa cumprir as etapas do processo legislativo antes de eventual contratação do empréstimo.
Durante a discussão, o secretário municipal de Saúde, Claudio Donatoni, detalhou as obras previstas e explicou que parte dos recursos será utilizada para substituir unidades que atualmente funcionam em imóveis alugados e adaptados.
Novas UBSs devem ampliar atendimento
Entre as unidades que poderão ganhar sede própria está a UBS Cohab Nova, que funciona desde 2010 em uma casa adaptada. Atualmente, o município paga R$ 2.837,14 por mês pelo aluguel do imóvel.
A unidade atende cerca de 4 mil moradores. Com a construção de uma estrutura adequada, a capacidade poderá ser ampliada para até 8 mil pessoas, com a implantação de duas equipes completas.
A UBS Vila Real também opera em um imóvel alugado, utilizado desde 1998, com custo mensal de R$ 3.083,27. Segundo a Prefeitura, o prédio não dispõe de espaço apropriado para a instalação de cadeira odontológica e apresenta dificuldades relacionadas à acessibilidade.
Outra unidade incluída no planejamento é a UBS Jardim das Oliveiras, que funciona em imóvel alugado desde 2025. O aluguel custa R$ 2.194,63 por mês. O local apresenta limitações estruturais e precisa passar por adequações apontadas pelo Ministério Público.
Com as novas construções, as três unidades poderão atender aproximadamente 8 mil habitantes cada. A quarta UBS deverá ser instalada em uma área que ainda será definida pela administração municipal. Uma das possibilidades avaliadas é a reorganização da área atualmente atendida pela UBS Santa Isabel.
CAPS Adulto terá sede própria
O projeto elaborado pela Prefeitura também inclui a construção de uma sede própria para o CAPS Adulto. Atualmente, o serviço funciona no prédio do antigo Hospital Bom Samaritano.
De acordo com o secretário de Saúde, a estrutura utilizada hoje não atende às exigências mínimas estabelecidas pelo Ministério da Saúde. A unidade acompanha cerca de 300 pacientes por mês, entre pessoas com transtornos mentais graves, como esquizofrenia, transtorno bipolar severo e quadros psicóticos, além de pacientes que enfrentam problemas relacionados ao consumo de álcool e outras drogas.
Hospital Municipal é principal obra prevista
A maior parte do investimento deverá ser destinada à construção do Hospital Municipal de Cáceres, planejado para funcionar na área do antigo Hospital Bom Samaritano.
A unidade terá aproximadamente 3.302 metros quadrados de área construída e poderá contar com:
- 25 a 30 leitos;
- centro obstétrico;
- centro cirúrgico;
- setor de diagnóstico por imagem;
- enfermarias masculina e feminina;
- ala destinada à maternidade;
- duas salas cirúrgicas.
Segundo Claudio Donatoni, o hospital terá papel estratégico na reorganização do atendimento de saúde do município. A nova estrutura deverá ajudar a reduzir a pressão sobre a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que registra, em média, 25 pacientes internados por dia, apesar de ter como finalidade principal os atendimentos de urgência e a observação de curta duração.
Em algumas situações, pacientes permanecem na UPA por cinco a sete dias enquanto aguardam uma vaga na rede hospitalar. Com o hospital municipal, a Prefeitura espera oferecer uma alternativa para esses casos e ampliar a capacidade de internação.
A unidade também deverá atender à demanda obstétrica. Atualmente, as gestantes fazem o acompanhamento pré-natal nas UBSs municipais, mas precisam ser encaminhadas ao anexo do Hospital Regional para realizar o parto.
Empréstimo poderá ser pago em até 20 anos
O financiamento será contratado junto à Caixa Econômica Federal por meio do FIIS. A linha de crédito prevê juros entre 5,5% e 7% ao ano, conforme o prazo escolhido, que poderá ser de 10 ou 20 anos. Também está prevista uma carência de 12 meses.
Durante a audiência pública, o secretário municipal de Saúde informou que Cáceres apresentou à instituição financeira as condições necessárias para assumir o compromisso.
A proposta foi discutida pelas comissões permanentes da Câmara Municipal e seguirá o trâmite legislativo. A expectativa é de que o projeto seja apreciado em sessão na próxima segunda-feira (17). Se aprovado, o município poderá avançar nas etapas necessárias para formalizar o financiamento e iniciar o planejamento das obras.
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