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Canarana enfrenta grave problema de mortalidade infantil apesar de capacidade financeira

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O município de Canarana (a 643 km de Cuiabá), está enfrentando uma crise de saúde pública que expõe um grave problema de mortalidade infantil. Em 2022, a taxa de mortalidade infantil na cidade foi de 21,41 óbitos para cada 1.000 nascidos vivos, um índice alarmante que coloca Canarana na 30ª posição entre os 141 municípios do estado e na 1010ª posição entre os 5.570 municípios do Brasil.

Dados alarmantes

– Mortalidade Infantil (2022):
– Taxa: 21,41 óbitos por mil nascidos vivos
– Posição no Estado: 30ª de 141
– Posição no País: 1010ª de 5570
– Posição na Região Geográfica Imediata: 4ª de 8

– Internações por Diarreia (2022):
– Taxa: 96,7 internações por 100 mil habitantes
– Posição no Estado: 25ª de 141
– Posição no País: 648ª de 5570
– Posição na Região Geográfica Imediata: 4ª de 8

 Capacidade financeira

Apesar dos desafios na saúde, Canarana possui uma capacidade financeira considerável. Em 2021, o PIB per capita do município foi de R$ 132.641,17, colocando-o na 21ª posição entre os municípios de Mato Grosso e na 115ª posição a nível nacional. Em 2023, o total de receitas realizadas foi de R$ 252.104.177,39, enquanto as despesas empenhadas somaram R$ 230.911.227,10. Esses números colocam Canarana na 18ª posição no estado em termos de receitas e despesas, e na 688ª e 710ª posições a nível nacional, respectivamente.

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Comparações financeiras

– PIB per capita (2021):
– Valor: R$ 132.641,17
– Posição no Estado: 21ª de 141
– Posição no País: 115ª de 5570
– Posição na Região Geográfica Imediata: 3ª de 8

– Receitas Brutas Realizadas (2023):
– Valor: R$ 252.104.177,39
– Posição no Estado: 18ª de 141
– Posição no País: 688ª de 5570
– Posição na Região Geográfica Imediata: 3ª de 8

– Despesas Brutas Empenhadas (2023):
– Valor: R$ 230.911.227,10
– Posição no Estado: 18ª de 141
– Posição no País: 710ª de 5570
– Posição na Região Geográfica Imediata: 3ª de 8

*Dados do IBGE

Desafios de Gestão

Os dados revelam um contraste preocupante entre a capacidade financeira do município e a gestão dos recursos, especialmente no setor de saúde. A alta taxa de mortalidade infantil e o elevado número de internações por diarreia indicam que, apesar dos recursos disponíveis, a administração pública não está conseguindo direcionar adequadamente os investimentos para áreas críticas.

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Canarana enfrenta um grave problema de mortalidade infantil e internações por diarreia, que são indicativos de falhas na gestão da saúde pública. A cidade possui recursos financeiros significativos, mas a má administração está impedindo que esses recursos sejam utilizados de forma eficaz para melhorar a qualidade de vida da população. É urgente que as autoridades locais reavaliem suas prioridades e implementem políticas de saúde mais eficientes para reverter esse quadro alarmante.

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MP pede condenação de ex-prefeito e associação por supostas irregularidades em eventos

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O Ministério Público de Mato Grosso pediu a condenação do ex-prefeito de Canarana, Fábio Marcos Pereira de Faria, do ex-presidente da Associação dos Amigos de Canarana (ADAC), Hudson Alfredo Weirich, e da própria entidade por supostos atos de improbidade administrativa relacionados à realização da Feira Industrial, Comercial e Agropecuária de Canarana (Feican) e da Festa do Peão.

As alegações finais foram apresentadas pela Promotoria de Justiça de Canarana em uma ação civil pública que apura a execução dos Termos de Colaboração nº 001/2017, 001/2018 e 004/2019, firmados entre o município e a associação. Conforme o documento, os repasses públicos chegaram a aproximadamente R$ 400 mil por exercício, ultrapassando R$ 1,2 milhão no período analisado.

O Ministério Público sustenta que foram identificadas falhas na formalização das parcerias e na prestação de contas dos recursos. Entre os problemas apontados estão a ausência de planos de trabalho nos três termos de colaboração, a apresentação genérica das contas referentes a 2017 e 2018 e irregularidades específicas na documentação do exercício de 2019.

A Promotoria também afirma que a Controladoria Interna do Município não teria recebido documentos essenciais relacionados ao termo de 2019, como o plano de trabalho, a prestação de contas e a análise do controle interno.

Saque em dinheiro e contratação de empresas

Entre as irregularidades descritas nas alegações finais está o saque de R$ 50 mil em espécie, supostamente realizado por Hudson Weirich para “futuros pagamentos”, sem empenho prévio e sem documentação considerada suficiente pelo Ministério Público para comprovar a destinação integral do dinheiro.

O documento também questiona a contratação da empresa CS Faria, cujo nome fantasia seria Araguaia Poços, para a perfuração de dois poços artesianos no Parque de Exposições, pelo valor de R$ 28.450. Segundo o MP, a empresa tinha entre os sócios Caroline Spricigo Faria, então esposa do ex-prefeito, e o próprio Fábio Marcos Pereira de Faria.

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Outra contratação apontada envolve a Gráfica Aurora, registrada, conforme as alegações, em nome de Vilson Biguelini, que ocupava o cargo de vice-prefeito de Canarana na época. A empresa teria prestado serviços gráficos para a Feican, como produção de adesivos, banners, lonas e materiais de identidade visual.

Para o Ministério Público, as contratações indicariam possível conflito de interesses e violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa. A Promotoria também afirma que não foram apresentados procedimentos formais de cotação de preços ou justificativas para demonstrar a eventual inexistência de outros fornecedores.

Diferenças em pagamentos e receitas

As alegações finais ainda apontam uma diferença de R$ 38.890,32 entre um empenho e a transferência efetivamente realizada. De acordo com o MP, foram emitidos empenho e nota fiscal no valor de R$ 22.754,15, mas a transferência teria alcançado R$ 61.644,47.

Segundo a Promotoria, não foram localizados documentos suficientes, como nota fiscal ou empenho correspondente, para justificar a diferença.

Também foram mencionadas despesas com bebidas alcoólicas adquiridas em um estabelecimento pertencente, conforme o documento, a José Roberto Nicolai Weirich, irmão de Hudson Weirich. O Ministério Público sustenta que não ficou comprovado que os gastos tenham sido custeados exclusivamente com recursos próprios da associação.

Outro ponto citado é uma divergência na receita obtida com a venda de passaportes para os eventos. Um recibo indicaria arrecadação de R$ 5.880, enquanto o valor depositado na conta da ADAC teria sido de R$ 3.300, resultando em uma diferença de R$ 2.580 sem esclarecimento ou documentação comprobatória, segundo a Promotoria.

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Dano ao erário

Com base nas informações reunidas no processo, o Ministério Público afirma que houve dano efetivo ao patrimônio público no valor de R$ 972.519,46. Desse total, R$ 102.863,20 seriam relativos ao exercício de 2017, R$ 522.467 ao ano de 2018 e R$ 347.189,26 a 2019.

A Promotoria enquadrou as condutas atribuídas aos réus em dispositivos da Lei de Improbidade Administrativa relacionados à lesão ao erário e à violação dos princípios da administração pública.

O MP também argumenta que a repetição das irregularidades por três anos consecutivos, a ausência de documentação, o saque em espécie e as contratações de empresas ligadas a agentes públicos ou familiares indicariam a existência de dolo, e não apenas falhas administrativas.

Pedidos do Ministério Público

Nas alegações finais, o Ministério Público pediu que a ação seja julgada procedente e que os requeridos sejam condenados ao ressarcimento de R$ 972.519,46 ao Município de Canarana, com aplicação de juros e correção monetária.

A Promotoria também requereu, de forma subsidiária, a condenação dos réus por atos de improbidade administrativa previstos nos artigos 10 e 11 da Lei nº 8.429/1992, além da aplicação das sanções previstas na legislação.

O documento apresentado pelo Ministério Público corresponde à manifestação final da acusação no processo. A decisão sobre a existência ou não de responsabilidade dos envolvidos caberá ao Poder Judiciário.



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