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Mães protestam contra mortes de bebês em Hospital Municipal
Por Brisa Sanches | Portal Mato Grosso
A indignação tomou conta da população de Canarana, município localizado a 650 quilômetros de Cuiabá, após a morte de vários bebês no Hospital Municipal Lorena Parode. A situação crítica levou a comunidade a organizar protestos, com o próximo marcado para o sábado, dia 14 de setembro, às 17 horas, na Praça do Avião.
Vanessa Gnadt Rauber, uma das mães afetadas, relatou sua trágica experiência. Residente em uma fazenda na região de Canarana, Vanessa deu à luz seu filho no dia 9 de fevereiro. Infelizmente, devido à falta de recursos médicos adequados no município, seu bebê veio a óbito dois dias depois, no dia 11 de fevereiro, em Água Boa. Desde então, Vanessa afirma que outras seis crianças também faleceram no hospital, que não conta com um pediatra desde 2014.
As mães de Canarana estão mobilizando a população para participar da manifestação, clamando por uma resposta das autoridades competentes em relação à saúde pública e às mortes de bebês que vêm ocorrendo no município. Elas exigem melhorias urgentes no atendimento médico e a contratação de especialistas para evitar que mais tragédias aconteçam.
Vanessa gravou um vídeo para esclarecer que o movimento não tem conotação política, respondendo a críticas de que as mães estariam usando a situação para fins políticos. “Pessoas sem coração… Estamos fazendo isso porque queremos respostas,” desabafa Vanessa.
Ela questiona a segurança das gestantes que precisam utilizar os serviços do hospital. “Queremos respostas. Esta manifestação é das mães de Canarana. Você que está grávida, vai confiar em ter seu bebê neste hospital, depois de tantos relatos que aconteceram? Eu acredito que não. É isso que estamos buscando. A gente quer um dia poder se orgulhar e dizer, e falar sem medo: ‘Eu vou ter meu filho aqui, porque tem médicos especialistas, tem medicamentos.’ É sobre isso que estamos falando,” relata Vanessa.
A comunidade espera que a manifestação deste sábado traga visibilidade ao problema e pressione as autoridades a tomarem medidas imediatas para melhorar a saúde pública em Canarana, garantindo um atendimento digno e seguro para todas as mães e seus filhos.
canarana
MP pede condenação de ex-prefeito e associação por supostas irregularidades em eventos
O Ministério Público de Mato Grosso pediu a condenação do ex-prefeito de Canarana, Fábio Marcos Pereira de Faria, do ex-presidente da Associação dos Amigos de Canarana (ADAC), Hudson Alfredo Weirich, e da própria entidade por supostos atos de improbidade administrativa relacionados à realização da Feira Industrial, Comercial e Agropecuária de Canarana (Feican) e da Festa do Peão.
As alegações finais foram apresentadas pela Promotoria de Justiça de Canarana em uma ação civil pública que apura a execução dos Termos de Colaboração nº 001/2017, 001/2018 e 004/2019, firmados entre o município e a associação. Conforme o documento, os repasses públicos chegaram a aproximadamente R$ 400 mil por exercício, ultrapassando R$ 1,2 milhão no período analisado.
O Ministério Público sustenta que foram identificadas falhas na formalização das parcerias e na prestação de contas dos recursos. Entre os problemas apontados estão a ausência de planos de trabalho nos três termos de colaboração, a apresentação genérica das contas referentes a 2017 e 2018 e irregularidades específicas na documentação do exercício de 2019.
A Promotoria também afirma que a Controladoria Interna do Município não teria recebido documentos essenciais relacionados ao termo de 2019, como o plano de trabalho, a prestação de contas e a análise do controle interno.
Saque em dinheiro e contratação de empresas
Entre as irregularidades descritas nas alegações finais está o saque de R$ 50 mil em espécie, supostamente realizado por Hudson Weirich para “futuros pagamentos”, sem empenho prévio e sem documentação considerada suficiente pelo Ministério Público para comprovar a destinação integral do dinheiro.
O documento também questiona a contratação da empresa CS Faria, cujo nome fantasia seria Araguaia Poços, para a perfuração de dois poços artesianos no Parque de Exposições, pelo valor de R$ 28.450. Segundo o MP, a empresa tinha entre os sócios Caroline Spricigo Faria, então esposa do ex-prefeito, e o próprio Fábio Marcos Pereira de Faria.
Outra contratação apontada envolve a Gráfica Aurora, registrada, conforme as alegações, em nome de Vilson Biguelini, que ocupava o cargo de vice-prefeito de Canarana na época. A empresa teria prestado serviços gráficos para a Feican, como produção de adesivos, banners, lonas e materiais de identidade visual.
Para o Ministério Público, as contratações indicariam possível conflito de interesses e violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa. A Promotoria também afirma que não foram apresentados procedimentos formais de cotação de preços ou justificativas para demonstrar a eventual inexistência de outros fornecedores.
Diferenças em pagamentos e receitas
As alegações finais ainda apontam uma diferença de R$ 38.890,32 entre um empenho e a transferência efetivamente realizada. De acordo com o MP, foram emitidos empenho e nota fiscal no valor de R$ 22.754,15, mas a transferência teria alcançado R$ 61.644,47.
Segundo a Promotoria, não foram localizados documentos suficientes, como nota fiscal ou empenho correspondente, para justificar a diferença.
Também foram mencionadas despesas com bebidas alcoólicas adquiridas em um estabelecimento pertencente, conforme o documento, a José Roberto Nicolai Weirich, irmão de Hudson Weirich. O Ministério Público sustenta que não ficou comprovado que os gastos tenham sido custeados exclusivamente com recursos próprios da associação.
Outro ponto citado é uma divergência na receita obtida com a venda de passaportes para os eventos. Um recibo indicaria arrecadação de R$ 5.880, enquanto o valor depositado na conta da ADAC teria sido de R$ 3.300, resultando em uma diferença de R$ 2.580 sem esclarecimento ou documentação comprobatória, segundo a Promotoria.
Dano ao erário
Com base nas informações reunidas no processo, o Ministério Público afirma que houve dano efetivo ao patrimônio público no valor de R$ 972.519,46. Desse total, R$ 102.863,20 seriam relativos ao exercício de 2017, R$ 522.467 ao ano de 2018 e R$ 347.189,26 a 2019.
A Promotoria enquadrou as condutas atribuídas aos réus em dispositivos da Lei de Improbidade Administrativa relacionados à lesão ao erário e à violação dos princípios da administração pública.
O MP também argumenta que a repetição das irregularidades por três anos consecutivos, a ausência de documentação, o saque em espécie e as contratações de empresas ligadas a agentes públicos ou familiares indicariam a existência de dolo, e não apenas falhas administrativas.
Pedidos do Ministério Público
Nas alegações finais, o Ministério Público pediu que a ação seja julgada procedente e que os requeridos sejam condenados ao ressarcimento de R$ 972.519,46 ao Município de Canarana, com aplicação de juros e correção monetária.
A Promotoria também requereu, de forma subsidiária, a condenação dos réus por atos de improbidade administrativa previstos nos artigos 10 e 11 da Lei nº 8.429/1992, além da aplicação das sanções previstas na legislação.
O documento apresentado pelo Ministério Público corresponde à manifestação final da acusação no processo. A decisão sobre a existência ou não de responsabilidade dos envolvidos caberá ao Poder Judiciário.
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