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Cáceres encerra 43º Festival Internacional de Pesca com lotação máxima e show nacional

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Por João Arruda | Cáceres

A “Princesinha do Paraguai” viveu dias de lotação máxima. Cáceres, localizada a 210 quilômetros a oeste de Cuiabá, encerra neste domingo a 43ª edição do seu tradicional Festival Internacional de Pesca (FIP). O evento atraiu uma multidão que tomou conta das ruas estreitas do Centro Histórico do município pantaneiro, impulsionando fortemente o turismo e a economia da região.

O impacto do festival foi sentido em toda a rede de hospedagem. Com uma população fixa de aproximadamente 96 mil habitantes, a cidade recebeu um incremento estimado em 40 mil turistas. A demanda foi tão alta que não apenas os hotéis e as tradicionais chalanas de Cáceres esgotaram seus leitos e camarotes, mas também a rede hoteleira de Mirassol do Oeste, município vizinho situado a 76 quilômetros de distância, que serviu como base de suporte.

Além da famosa competição de pesca embarcada, o encerramento do evento é marcado pelo aguardado show de Amado Batista. O cantor goiano possui uma longa relação com a cidade fronteiriça, marcando presença desde os anos 1970, época em que estourou nacionalmente com seu estilo popular e romântico, abraçado por municípios de todo o país.

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A atual edição do FIP foi organizada sob a liderança da prefeita Eliene Dias e da secretária de Turismo Alessandra Castilho. Condensado em três dias de festa — um formato mais enxuto que o de anos anteriores —, o evento é considerado um sucesso absoluto na cidade, superando edições passadas em volume de público, valor de premiação e infraestrutura.

História e pioneirismo

A grandiosidade atual reflete uma história que começou no início da década de 1980. A ideia original partiu de três apaixonados pela pesca: o engenheiro catarinense Aderbal Milches, o pirangueiro Adelino Ferreira e o jornalista Luizmar Faquini. O projeto foi abraçado pelo então prefeito Ivo Cuiabano Scaff, com forte patrocínio do Banco Itaú, viabilizado pelo gerente Edevaldo Cruz. Grande incentivador do evento, Edevaldo faleceu tragicamente em um acidente na BR-070 quando retornava a Cuiabá, onde já atuava como diretor-geral da instituição.

O ineditismo do festival de Cáceres acabou inspirando competições de pesca esportiva por todo o Brasil e pelo mundo. O título de “Internacional”, inclusive, rendeu uma história curiosa nos bastidores. Quando o jornalista Marco Antônio Moreira, o Vila, então assessor da prefeitura, questionou Scaff sobre a presença de estrangeiros para justificar o nome do evento, o prefeito respondeu com bom humor: “Eu pego duas Kombis da prefeitura, vou ali em San Mathias, na Bolívia, cato duas dúzias de bolivianos, pronto, tá feito, tá internacional”.

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Ao longo de mais de quatro décadas, o FIP foi moldado por figuras marcantes. Nomes como Claudionor Duarte Corrêa, na arbitragem, e Esdras Leitão, na comunicação, tornaram-se símbolos do evento. A mineira Yeda Marly de Oliveira Assis também é lembrada como uma figura emblemática que impulsionou a festa com um marketing arrojado.

Contudo, foi entre 1997 e 2009, durante as gestões do prefeito e pecuarista Aloisio Coelho de Barros, que o festival ganhou projeção massiva por meio de estratégias de mídia inovadoras para a época, consolidando-se definitivamente como o maior evento turístico de Mato Grosso. Hoje, o legado segue vivo, mantendo o espírito competitivo com veteranos como o engenheiro de comunicação Adilson Michels, que acompanha o torneio desde garoto e é o competidor mais antigo em atividade.

João Arruda é jornalista, geógrafo e pesquisador em Cáceres, é filho, neto e bisneto de brancos com duas avós uma Bororo e outra Guató.

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Justiça Federal concede 10 anos para produtor pagar dívidas com a Caixa

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A 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Cáceres (MT) determinou que a Caixa Econômica Federal reestruture o pagamento de uma dívida de crédito rural de R$ 925,6 mil, concedendo ao produtor um prazo de 10 anos para a quitação, com a primeira parcela fixada para março de 2027. A decisão, proferida pela juíza federal Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira no dia 1º de julho de 2026, suspende a execução extrajudicial que estava em curso pelo banco e blinda o produtor contra restrições cadastrais, ao mesmo tempo em que veda a cobrança de juros moratórios ou multas sobre o saldo devedor.

O despacho afasta a mora — a inadimplência técnica — e obriga o banco a reformular o contrato, fundamentando-se na comprovação técnica de uma quebra superior a 50% na produtividade da safra de soja na propriedade. Ao analisar o pedido, o Judiciário entendeu que o contrato original, diante dos prejuízos climáticos, tornava-se inexequível, ameaçando a continuidade da atividade agrícola. A decisão rejeitou o argumento da Caixa, que invocava o princípio da liberdade contratual e a nova regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) para recusar o alongamento da dívida.

Impactos e desdobramentos

A decisão ocorre em um momento de tensão regulatória. No mesmo dia da sentença, entrou em vigor a Resolução nº 5.314 do CMN, que alterou o Manual de Crédito Rural (MCR) para conferir às instituições financeiras maior autonomia para decidir sobre prorrogações de dívidas, sob o critério de “conveniência e decisão” bancária. A sentença de Mato Grosso, portanto, não é apenas um caso isolado de cobrança, mas um sinal de alerta para o mercado financeiro: a autonomia concedida pelo CMN aos bancos não é absoluta perante o Judiciário.

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Embora o efeito desta decisão não seja automático para outros produtores — ou seja, não se trata de uma lei que obriga todos os bancos a alongarem dívidas em todo o país —, o caso funciona como um “leading case” ou precedente persuasivo. Advogados do setor agropecuário devem utilizar este entendimento em outros tribunais para demonstrar que, quando há comprovação de frustração de safra, o direito ao alongamento da dívida de crédito rural deve prevalecer sobre normas administrativas de conveniência bancária.

O novo cenário de judicialização

Para o setor produtivo, a decisão abre uma porta de saída, mas exige cautela. O precedente demonstra que o Judiciário não agirá como um “cancelador” de dívidas. A magistrada só concedeu o benefício porque a defesa apresentou laudos técnicos irrefutáveis sobre a quebra de produtividade. Isso sinaliza que produtores que buscam o Judiciário para evitar a falência precisarão de governança impecável: contabilidade em dia, monitoramento climático e provas técnicas de que a inadimplência é fruto do clima, não de má gestão.

Para o sistema financeiro, a notícia traz um aumento no risco de “judicialização” do crédito rural. Se os tribunais consolidarem o entendimento de que a prorrogação de 10 anos é uma medida de justiça social e econômica, os bancos serão forçados a recalibrar suas carteiras de risco. O efeito prático disso pode ser uma maior seletividade na concessão de crédito, com exigências mais rigorosas de garantias, ou até mesmo um aumento nas taxas de juros para compensar a possibilidade de, em caso de quebra de safra, o pagamento ser alongado judicialmente por uma década.

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O caso segue para as instâncias superiores, já que a Caixa Econômica Federal deve recorrer da decisão. Até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacifique o tema, o cenário será de insegurança jurídica, com produtores buscando amparo nos tribunais federais para garantir a viabilidade das lavouras em anos de insucesso climático.

Fonte: Pensar Agro

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