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Por que controlar a hipertensão e a diabetes ainda é um desafio?

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Por Mariana Ramos

Apesar dos avanços da medicina e do maior acesso à informação, o controle da hipertensão arterial e do diabetes mellitus continua sendo um dos maiores desafios em saúde pública no Brasil e no mundo. Estima-se que milhões de brasileiros convivem com essas doenças crônicas, muitas vezes sem diagnóstico ou com tratamento inadequado, o que pode levar a complicações graves e até fatais.

A hipertensão e o diabetes tipo 2 são condições silenciosas na maior parte do tempo. Seus sintomas podem passar despercebidos até que surjam danos irreversíveis aos órgãos, como rins, coração, olhos e cérebro. Esse caráter assintomático contribui para a baixa adesão ao tratamento, já que muitos pacientes só se preocupam com a doença quando ela já causou algum prejuízo importante à saúde.

Outro fator determinante é o estilo de vida moderno. O sedentarismo, a alimentação rica em sódio, açúcares e ultraprocessados, o estresse crônico e a privação de sono têm papel central no desenvolvimento e na descompensação dessas doenças. Mesmo quando há orientação médica, muitos pacientes enfrentam dificuldades para promover mudanças sustentáveis em seus hábitos, seja por questões socioeconômicas, emocionais ou de acesso a serviços de saúde.

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Além disso, o tratamento medicamentoso muitas vezes exige disciplina rigorosa. No caso do diabetes, por exemplo, é fundamental monitorar frequentemente a glicemia, ajustar doses, manter alimentação equilibrada e, em alguns casos, aplicar insulina mais de uma vez ao dia. Já a hipertensão pode demandar o uso contínuo de uma ou mais medicações, com controle periódico da pressão arterial. Quando o paciente não adere corretamente ao tratamento, as chances de complicações aumentam significativamente.

A atuação de uma equipe multidisciplinar pode fazer toda a diferença no controle dessas doenças. O acompanhamento regular com endocrinologista, cardiologista, nutricionista, educador físico e psicólogo, por exemplo, permite um olhar integral sobre o paciente, com planos terapêuticos mais ajustados à sua realidade.

Como médica endocrinologista, tenho presenciado diariamente os desafios enfrentados por quem vive com diabetes ou hipertensão. Mas também vejo histórias de superação, quando o paciente é acolhido, orientado e compreende que o tratamento não é apenas sobre remédios, mas sobre cuidado contínuo e qualidade de vida.

Conscientizar a população, ampliar o acesso a exames de rotina e fortalecer as políticas de prevenção são caminhos essenciais para mudar esse cenário. É preciso lembrar que controlar essas doenças não é apenas possível — é necessário. E, mais do que isso, é um compromisso com a vida.

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Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
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Crise silenciosa na nutrição animal

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Por Guilherme Tonhá

Nos últimos dias, o mercado de commodities e insumos acendeu uma luz amarela que o pecuarista não pode ignorar: a escalada global nos preços de insumos importantes para a suplementação mineral dos rebanhos. O principal deles é o ácido sulfúrico, que é uma matéria-prima importante para a cadeia de fósforo utilizada na nutrição animal. Com isso, outros insumos também são afetados, como o fosfato bicálcico, afetando o preço da arroba.

Para entender a gravidade do problema, é preciso olhar para fora da porteira. Grande parte da pressão atual decorre de incertezas geopolíticas no Oriente Médio e dos crescentes riscos logísticos envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas comerciais mais vitais do planeta. Sendo o ácido sulfúrico uma matéria-prima fundamental também para a indústria de fertilizantes, as restrições externas de oferta e o encarecimento do frete internacional geraram um efeito dominó. Países fornecedores passaram a priorizar seus mercados internos para garantir a própria segurança alimentar, expondo a extrema vulnerabilidade do modelo brasileiro, cuja produção nacional é insuficiente para atender à demanda interna e altamente dependente de importações.

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O reflexo desse desarranjo global chega de forma severa ao maior rebanho bovino do país. Essa escalada de custos operacionais asfixia o produtor em um momento de extrema fragilidade, caracterizado por margens severamente espremidas e pela desvalorização dos valores pagos pela indústria frigorífica. É a sobreposição de desafios testando a resiliência do pecuarista de corte.

Ignorar a suplementação mineral para cortar custos, contudo, é uma armadilha perigosa. Sem o aporte correto de fósforo e microelementos, os prejuízos são sistêmicos e de longo prazo: há perda imediata no ganho de peso diário, queda crônica na imunidade do rebanho, atraso no cio de vacas de cria (o que estica o intervalo entre partos) e redução na produção leiteira. Em suma, o boi de engorda alonga seu ciclo, empurrando o abate para frente e encarecendo ainda mais o custo de manutenção do animal no pasto ou no confinamento.

Diante desse cenário, o pecuarista moderno precisa entender de uma vez por todas que o sucesso da sua atividade não pode ser balizado apenas pelo preço de venda da arroba. Olhar exclusivamente para o faturamento final é uma visão incompleta de gestão. Na pecuária competitiva de hoje, o lucro real não é apenas vender bem; é, fundamentalmente, saber comprar bem e antecipar os movimentos do mercado.

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O atual momento exige que o produtor monitore os sinais com atenção cirúrgica. O mercado de insumos costuma antecipar movimentos econômicos que só mais tarde impactam o custo de produção. Quem acompanha essas mudanças estruturais consegue se planejar com antecedência, travar custos quando oportuno e proteger sua margem operacional.

Guilherme Tonhá é pecuarista e diretor comercial da Estância Bahia – EB Leilões, EB Fazendas e EB Agro.

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