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Segundo Império

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Moacyr Freitas – Quadros Históricos

Leverger no Rio Paraguai

   O primeiro presidente da Província de Mato Grosso, nomeado por Dom Pedro II, foi o cuiabano cônego José da Silva Magalhães, que assumiu a 28 de outubro de 1840. Em 1844, chega a Cuiabá o médico Dr. Sabino da Rocha Vieira para cumprir pena no Forte Príncipe da Beira. Fora o chefe da famosa Sabinada, pretendendo implantar uma República no Brasil. Neste mesmo ano de 1844, o francês Francis Castelnau visitou Mato Grosso em viagem de estudos. Tornou-se célebre pelos legados naturalistas.
   O cel. João José da Costa Pimentel foi nomeado para a presidência da Província a 11 de junho de 1849. Augusto Leverger, nomeado a 07 de outubro de 1850, assumiu o governo Provincial a 11 de fevereiro de 1851. Exerceu a presidência cinco vezes. Além de providências notáveis no tempo da Guerra do Paraguai, notabilizou-se pela pena de historiador de Mato Grosso.
Importante Tratado abriu as portas do comércio de Mato Grosso para o progresso: o de 06 de abril de 1856. Graças à habilidade diplomática do Conselheiro Paranhos, Brasil e Paraguai celebraram o Tratado da Amizade, Navegação e Comércio. 
   O primeiro vapor a sulcar as águas da Província de Mato Grosso foi o Water Witch, da marinha dos Estados Unidos, sob o comando do Comodoro Thomaz Jefferson Page, em 1853, incumbido pelo seu governo da exploração da navegação dos afluentes do Prata. Em 1859, ao tomar posse o presidente Antônio Pedro de Alencastro (o 2º Alencastro), chegou a Mato Grosso o Ajudante de Ordens, o capitão Manoel Deodoro da Fonseca, o futuro proclamador da República. 
  

Moacyr Freitas – Quadros Históricos
Vapor Water-Witch

No ano de 1862, o célebre pintor Bartolomé Bossi, italiano, visitou a Província de Mato Grosso, deixando um livro de memórias. Imortalizou em tela acontecimentos da época. Sobressai na História de Mato Grosso o episódio da Guerra do Paraguai. Solano Lopes aprisionou a 12 de novembro de 1864 o navio brasileiro Marquês de Olinda, que havia acabado de deixar o porto de Assunção, conduzindo o presidente eleito da Província de Mato Grosso, Frederico Carneiro de Campos. Começara ali a Guerra do Paraguai, de funestas lembranças para Mato Grosso. Os mato-grossenses foram quase dizimados pela varíola. Um efeito cascata se produziu atingindo povoações distantes. Metade dos moradores de Cuiabá pereceu. No entanto, o povo de Mato Grosso sente-se orgulhoso dos feitos da Guerra do Paraguai onde lutaram em minoria de gente e de material bélico, mas tomando por aliado o conhecimento da natureza e sempre produzindo elementos surpresa. Ruas e praças imortalizaram nomes e datas dos feitos dessa guerra.
   A notícia do fim da Guerra do Paraguai chegou a Cuiabá no dia 23 de março de 1870, com informações oficiais. O vapor Corumbá chegou embandeirado ao porto de Cuiabá, às cinco da tarde, dando salvas de tiros de canhão. Movimento notável ocorrido nesse período do Segundo Império foi o da abolição da escravatura. O símbolo do movimento aconteceu a 23 de março de 1872: O presidente da Província, Dr. Francisco José Cardoso Júnior, libertou 62 escravos, ao comemorar o aniversário da Constituição do Império. Em dezembro do mesmo ano, foi fundada a “Sociedade Emancipadora Mato-Grossense”, sendo presidente o Barão de Aguapeí. 
  A 12 de agosto de 1888, nasceu o Partido Republicano. Nomeiam-se líderes; José da Silva Rondon, José Barnabé de Mesquita,

Moacyr Freitas – Quadros Históricos

Trincheiras de Barão de Melgaço, por ocasião da Guerra do Paraguai.

Vital de Araújo, Henrique José Vieira Filho, Guilherme Ferreira Garcêz, Frutuoso Paes de Campos, Manoel Figueiredo Ferreira Mendes. A notícia da Proclamação da República tomou os cuiabanos de surpresa a 09 de dezembro de 1889, trazida pelo comandante do Paquetinho Coxipó, pois vinte e um dias antes, a 18 de novembro felicitaram Dom Pedro II por ter saído ileso do atentado de 15 de junho. A 02 de setembro a Assembléia Provincial aprovara unânime a moção congratulatória pelo aniversário do Imperador. Ao findar o Império, a Província de Mato Grosso abrigava 80.000 habitantes.

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Livro revela aspectos inéditos da vida de Rondon e sua relação com os índios

Para historiadores que revisitaram a história dele para publicar um livro, o militar foi fundamental para a integração de um país de fronteiras frágeis e para estabelecer contato e manter a sobrevivência de tribos indígenas.

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Museu do índio

Expedicao roosevelt rondon

Theodore Roosevelt, Rondon e membros da equipe posam diante do marco do rio que leva o nome do ex-presidente americano.

Foram 40 anos explorando o sertão brasileiro. Neste período, ele percorreu mais de 100 mil quilômetros, o equivalente a 2,5 voltas ao redor da Terra. O tempo na mata e a distância vencida mostram o papel impressionante desempenhado pelo marechal Cândido Rondon, cuja morte completa 60 anos na próxima sexta-feira.

 

Para historiadores que revisitaram a história dele para publicar um livro, o militar foi fundamental para a integração de um país de fronteiras frágeis e para estabelecer contato e manter a sobrevivência de tribos indígenas. Além disso, ao levar cientistas em suas viagens, proporcionou o estudo e a descoberta de centenas de novas espécies, iniciando a catalogação do que hoje é conhecida como biodiversidade, uma das maiores riquezas do Brasil.

 

Abolicionista, responsável pelo contato com centenas de populações indígenas, criador do Serviço de Proteção ao Índio, transformado em Funai em 1967, e líder de missões em que convergiram ciência, humanismo e políticas públicas, Rondon ganhou admiradores entre intelectuais. Foi indicado duas vezes ao Nobel da paz, em 1953 e 1957. Em 1925, Albert Einstein sugeriu seu nome ao comitê do prêmio. Não ganhou a honraria, mas tem um estado brasileiro para manter viva sua lembrança: o nome de Rondônia foi inspirado no do militar.

 

O legado indianista de Rondon foi incomparável. Algumas tribos existem até hoje só por causa de seu trabalho. A ciência também deve muito a ele avalia Magali Romero Sá, uma das organizadoras do livro “Rondon: inventários do Brasil 1900-1930”, lançado recentemente pela editora Andrea Jakobsson Estúdio.

 

Outra autora, Lorelai Kury destaca que a República Velha, instalada no final do século XIX, tinha muito interesse nas missões rumo ao oeste e ao norte do país, cujas fronteiras ainda estavam em consolidação. As comissões, como eram chamadas as expedições de reconhecimento, acumulavam objetivos, todos relacionados às potenciais riquezas naturais e ao reforço do poder central sobre as localidades mais isoladas, como as habitadas por nações indígenas.

 

Rondon começou em uma missão chefiada em 1890 pelo major Gomes Carneiro, que instalava linhas telegráficas no país, conta Lorelai, que é professora do Programa de História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). Na verdade, esta não era a principal missão, porque a tecnologia rapidamente tornou-se obsoleta. O efeito esperado era conhecer as tribos indígenas para incorporá-las ao trabalho de ocupação do território. E, simbolicamente, despertar um sentimento de brasilidade.

 

Dez anos depois, quando assumiu a chefia da primeira de suas seis expedições, Rondon investiu em rituais para criar uma identificação entre os índios e os ideais nacionalistas introduzidos pelos militares.

 

Para despertar o patriotismo dos indígenas, o marechal adotou costumes como um horário para o hasteamento da bandeira, revela Lorelai. Ao mapear uma região, Rondon colocava marcos em pedra e fotografava os indígenas ao lado deles, passando a ideia de que eram os guardiões daquele terreno.

 

Registro de cerimônias

 

Lorelai chama a atenção para a forma adotada pelo chefe das comissões de conquistar a amizade dos nativos.

 

Museu do índio

Expedicao roosevelt rondon

Membro de comissão mostra uma câmera para os índios na fronteira com a Colômbia: rituais de tribos eram filmados

Rondon explorava imagens de uma maneira magnífica: fez filmes de qualidade que incentivavam o orgulho nacional e outros que mostravam os costumes daquelas populações — conta.

 

Magali concorda que o senso midiático de Rondon foi importante para angariar apoio popular a suas expedições.

 

Muitas pessoas sequer sabiam que havia tentativas de entrar em contato com os índios, e outros acreditavam que os gastos governamentais para isso eram altos demais. As imagens registradas pelos militares, portanto, foram importantes para divulgar a validade e os resultados dos trabalhos, explica Magali, que também é professora de História das Ciências e da Saúde da COC/Fiocruz. Ao mesmo tempo, Rondon valorizava os rituais indígenas, e assim ganhava a confiança daquelas populações.

 

Além da apresentação dos valores republicanos, Rondon precisava levar aos seus superiores uma pilha de informações. Os relatórios e correspondências das comissões continham dados sobre diversos aspectos da vida nas tribos, como a estrutura das famílias, alimentação, indumentária, habitação, trabalho, formas de opressão, doenças e práticas de cura.

 

Para cumprir tantos estudos, o marechal não se restringiu à companhia de militares. Lorelai lembra que, em suas incursões, Rondon convidou profissionais de diversas áreas, entre eles; engenheiros, médicos, cientistas, pintores, cartógrafos e naturalistas.

 

Conforme os mapas oficiais ganhavam novas informações, as expedições também se dedicavam a batizar marcos geográficos. Um dos homenageados foi o ex-presidente americano Theodore Roosevelt, que acompanhou Rondon em uma comissão científica entre 1913 e 1914. O Rio da Dúvida transformou-se em Rio Roosevelt.

 

Enquanto os brasileiros abriam estradas e conheciam os indígenas, Roosevelt dedicou-se à caça. O hobby provocou incômodo geral, Rondon caçava apenas para comer, porque acreditava que os animais tinham alma. Muitos militares eram vegetarianos. Um jornal da época publicou uma charge em que um macaco perguntava a outro se sobrariam animais no caminho do ex-presidente.

 

 

 

 

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