alta floresta
Alta Floresta implementa 1º plano urbano de mitigação da Amazônia para redução de atropelamentos de animais silvestres
Por Josana Salles
Alta Floresta será o primeiro município da Amazônia brasileira a ter um Plano Urbano de Mitigação para redução de atropelamentos de animais silvestres e incremento de conectividade nos viários que cortam fragmentos florestais da cidade. Em outubro deste ano serão instaladas 6 pontes de dossel em vias onde ocorrem acidentes com animais.
A iniciativa é do Programa Alta Floresta não Atropela, desenvolvido pelo Projeto Reconecta, município de Alta Floresta e Fundação Ecológica Cristalino (FEC), têm apoio de parceiros, como o Instituto Ecótono, Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), ICMBio, IBAMA, Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA), entre outros.
No ano passado, a bióloga Fernanda Abra, líder do Projeto Reconecta, esteve na cidade e com todos os parceiros do programa identificou os pontos críticos onde ocorrem atropelamentos de animais silvestres. A partir daí foi elaborado o Plano de Mitigação e realizada vistoria da rede elétrica com a Energisa. Entre os dias 22 a 26 de julho deste ano, a bióloga apresentou o planejamento a várias instituições públicas municipais, estaduais e federais do município.
Alta Floresta surgiu em meio à floresta amazônica nos anos 70 e ainda mantém vários fragmentos de floresta no perímetro urbano. Agrega parte do território do Parque Estadual Cristalino e está próximo de um corredor de biodiversidade que abrange unidades de conservação federais e territórios indígenas, totalizando em torno de 7 milhões de hectares (MT e Pará). Por isso mantém uma grande população de animais silvestres raros, entre aves, mamíferos e répteis.
Fernanda Abra explica que as ações do Programa Alta Floresta não Atropela consistem em integrar os fragmentos florestais para que os animais não fiquem isolados e assim comprometendo a genética de cada espécie. Além disso, reduzir a morte direta por atropelamento aumenta a conservação da fauna e a segurança viária.
Serão implantadas placas de sinalização, redutores de velocidade, passagens terrestres e desassoreamento de bueiros que poderão ser adaptadas para passagem de animais terrestres. No caso das pontes de dossel, o objetivo é proteger oito espécies de primatas existentes, sendo algumas criticamente ameaçadas, como o zogue-zogue-de-alta-floresta ( Plecturocebus grovesi ), descrito recentemente pela ciência e considerado um dos primatas mais ameaçados do planeta. Cerca de 40% das espécies de primatas do Brasil estão ameaçadas de extinção, mas em Alta Floresta a média chega a quase 70%.
As pontes serão instaladas pelo Projeto Reconecta, que já possui experiência com instalação e monitoramento de outras 32 pontes de dossel na BR-174, projeto apoiado pelo DNIT e Comunidade Indígena Waimiri-Atroari (https://projetoreconecta.com). Parte dos materiais das pontes serão adquiridos pelo Reconecta e o restante pela Prefeitura de Alta Floresta.
As pontes de dossel de Alta Floresta ainda terão câmeras para monitoramento das espécies que utilizarão as estruturas. O monitoramento será liderado pelo Projeto Reconecta contando com apoio de estudantes e acadêmicos locais, como da UNEMAT e UFMT. Um dos parceiros do Projeto é o primatólogo e professor Dr. Gustavo Canale, que é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia.
Os recursos estão sendo doados pelo projeto Reconecta, da bióloga Fernanda Abra, vencedor da edição 2024 do Prêmio Whitley, da organização britânica Whitley Fund for Nature (WFN) e considerado o Oscar da Conservação da Natureza.
O grupo Alta Floresta Não Atropela criado para discutir os problemas em relação à fauna silvestre de Alta Floresta e encaminhar soluções é uma iniciativa do município, Fundação Ecológica Cristalino (FEC e projeto Reconecta com apoio da 7ª Companhia Independente Bombeiros Militar – 7ª CIBM – Alta Floresta, Diretoria Regional de Alta Floresta – SEMA/MT, Unidade Técnica do IBAMA de Alta Floresta, Aeroporto de Alta Floresta/COA, UFMT – Campus Sinop, Instituto Ecótono, UNEMAT/AFL, Fazenda Anacã , vereadora Ilmarli Teixeira e o Conselho Municipal de Meio Ambiente – COMDEMA.
alta floresta
Abastecimento de água e energia solar pautam reunião entre presidente do TCE-MT e prefeito de Alta Floresta
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, recebeu nesta segunda-feira (13) o prefeito de Alta Floresta, Valdemar Gamba, para debater o abastecimento de água e o fornecimento de energia solar no município. Acompanhado do vice-prefeito, Robson Quintino, Gamba detalhou o andamento de obras e serviços públicos, questionados por vereadores na semana passada em reunião com o presidente.
“Esses debates democráticos são importantes para todas as instituições, inclusive para o processo de gestão da própria prefeitura, que presta contas para o Tribunal. Principalmente porque o Tribunal de Contas tem a missão de construir junto aos gestores. A minha gestão como presidente tem sido do debate aberto, pois são assuntos de interesse da população”, declarou Sérgio Ricardo.
Abastecimento de água
Sobre o abastecimento de água, o prefeito explicou que se trata de um problema herdado de gestões anteriores, já que o contrato de concessão foi feito em 2002, com vigência de 30 anos, e nunca passou por revisão. “Será preciso reequilibrar o contrato para que a concessionária realize um investimento para melhorar o represamento dos rios Taxidermista I e II, que abastecem a cidade. Além disso, sofremos com estiagens severas em 2010 e 2024, que demonstraram que é preciso aumentar o reservatório. Precisamos reavaliar para que o custo não recaia sobre a população”, alegou.
Já o vice-prefeito chamou a atenção para o crescimento populacional acelerado em Alta Floresta. “O contrato inicial era para 50 mil habitantes, hoje temos uma população com mais de 70 mil habitantes e ninguém antes se atentou para isso, mas agora queremos resolver. Desde o início da nossa gestão, em 2021, fizemos todo um resgate de contratos que nem sequer existiam na prefeitura e hoje temos controle do processo.”
Usina fotovoltaica
Sobre a energia fotovoltaica, os gestores apontaram dificuldades na tratativa com a concessionária Energisa. Segundo eles, já foram investidos R$ 7,5 milhões na implantação do sistema, mas a obra não avançou.
“Criamos um projeto para fazer a usina em um único local, com a intenção de ir ampliando para atender toda a demanda da prefeitura. Porém, quando avançamos nos trabalhos, chegou um ponto em que a Energisa cortou essa possibilidade e proibiu usinas de determinado tamanho. Foi uma suspensão por um período temporário, que ainda está em andamento”, disse Quintino.
Diante da situação, Sérgio Ricardo adiantou que irá se reunir com representantes da Energisa para entender as regras, já que a prefeitura não irá comercializar a energia produzida. Para ele, a limitação da capacidade das usinas acaba impondo custos adicionais aos municípios e dificultando a execução de projetos voltados à redução das despesas públicas.
“Uma coisa é fazer uma usina concentrada, outra é fazer várias usinas, porque você tem que ter equipamentos completos para cada uma e cada equipamento tem um custo. Se fizer tudo passando por um controlador só, é um preço. Agora, desse jeito, vai ter que fazer várias miniusinas. Então, quero conversar com a Energisa”, afirmou o conselheiro.
O presidente levantou ainda a questão da baixa qualidade da energia elétrica no estado, que dificulta o crescimento industrial nos polos de desenvolvimento econômico e prejudica os moradores das regiões mais pobres. “Mato Grosso é um estado cuja industrialização é profundamente afetada pela falta de qualidade da nossa energia. Então, como cidadão, eu responsabilizo a Energisa pelo baixo índice de industrialização do Estado, que seria fundamental na geração de empregos.”
Transporte escolar e saneamento
Com relação ao transporte escolar, Gamba informou que a prefeitura adquiriu 46 ônibus novos e instalou ar-condicionado em sete veículos cedidos pelo Estado. “Nesta questão houve uma falta de buscar diálogo com a prefeitura ou mesmo notificar. O vereador alegou que um dos ônibus passou por manutenção duas vezes em um ano, mas esses veículos novos ainda estão na garantia e não tivemos custo com isso”, esclareceu.
O prefeito também destacou a evolução da construção do aterro sanitário em Alta Floresta, que deve substituir o lixão a céu aberto e atender também a municípios vizinhos, como Carlinda, Paranaíta, Nova Monte Verde, Apiacás e Nova Bandeirantes.
A instalação foi possibilitada em 2024, a partir da mediação do TCE-MT com representantes do Executivo, do Judiciário e do Legislativo para avançar no cumprimento do Marco Regulatório do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020).
“Quero lhe parabenizar porque vocês estão bem adiantados nessa questão da destinação correta dos resíduos sólidos, que é uma exigência prevista em lei federal. Todos eles terão que ter aterros sanitários, pois os lixões estão proibidos no Brasil”, avaliou o conselheiro-presidente.
Por fim, Sérgio Ricardo mencionou a elaboração do Plano de Metas Mato Grosso 2050 e reforçou que o material deve orientar os gestores pelos próximos 24 anos, focando na mitigação das desigualdades. “Estamos acatando sugestões. Conhecemos a realidade de todo o estado e priorizamos as áreas mais pobres, mas as ilhas de prosperidade também devem receber atenção”, concluiu.
-
esportes6 dias atrásFrança vence Marrocos por 2 a 0 e avança às semifinais da Copa do Mundo
-
Educação7 dias atrásCircuito reúne mais de 1,5 mil profissionais de apoio da Rede Estadual em Cuiabá
-
tce mt7 dias atrásPresidente do TCE-MT recebe denúncias de irregularidades em obras e contratações feitas pela prefeitura
-
esportes5 dias atrásEspanha vence Bélgica com gol no fim e garante vaga na semifinal da Copa do Mundo
-
POLÍTICA MT7 dias atrásNatasha e lideranças femininas assinam Carta Compromisso com 18 propostas para mulheres
-
Educação7 dias atrásPrograma Finanças na Mochila forma educadores e já impacta mais de 200 mil pessoas na rede estadual
-
AGRO & NEGÓCIO7 dias atrásA revolução do etanol de milho: o novo mapa do agronegócio brasileiro
-
AGRO & NEGÓCIO7 dias atrásImpasse entre parlamentares e governo trava socorro financeiro ao agronegócio



