AGRO & NEGÓCIO
Ministério, Embrapa e Sindilat lançam projeto infantil para resgatar valor da produção leiteira
Uma estória bem contada, num drama que envolve um rapaz, que mora na cidade grande e recebe a notícia que um tio distante lhe deixou de herança uma fazenda leiteira… Esse é um pedacinho do enredo da peça teatral “Na Fazenda Doce de Leite”, voltada a crianças de 5 a 10 anos, que faz parte das atividades da parceria Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Embrapa e Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), como parte das ações do Projeto Fazenda Doce de Leite, lançado neste dia 23 de agosto, no auditório do Mapa, em Porto Alegre. O Projeto terá o envolvimento de escolas públicas, as quais ajudarão a iniciativa que pretende conscientizar o público infantil sobre a importância do rural, consumo de leite e lácteos e as boas práticas agropecuárias para produção e comercialização do leite. Estão planejadas 24 sessões para escolas públicas, durante a Expointer 2022, de 27 de agosto a 4 de setembro.
“Essa ação é importante porque aproxima o setor do consumidor e valoriza o produtor e a família”, frisou a superintendente do Mapa/RS, Helena Rugeri, no lançamento da ação. Segundo ela, o projeto vem ao encontro de várias ações desenvolvidas pelo Ministério da Agricultura tanto na área do desenvolvimento quanto de defesa agropecuária.
Segundo o chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Roberto Pedroso de Oliveira, o projeto é uma excelente oportunidade para a Embrapa intensificar a comunicação com a sociedade, especialmente com o público infantil, sobre a cadeia produtiva do leite, em que várias tecnologias são geradas pela Empresa. “As crianças terão oportunidade de entender como o leite é produzido e industrializado, a realidade do meio rural e a importância da pesquisa para garantir a produção de um alimento de qualidade, de uma forma lúdica”, pontuou.
O secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, informou que o roteiro foi composto de forma a explicar para as crianças que o leite não vem da caixinha. “As crianças dos grandes centros urbanos veem os pais comprarem leite no supermercado e não sabem que por trás de toda embalagem dos produtos que consomem há muito trabalho e dedicação de produtores e da indústria. Como representantes do setor lácteo, sabemos da importância de orientar o consumidor sobre a origem dos produtos, cuidados com o trato dos animais e princípios nutricionais do leite”, destacou.
A peça teatral
A obra fala de maneira lúdica sobre a importância do produtor de leite e de forma divertida sobre os benefícios do leite, boas práticas na produção, envolvendo bem-estar animal, conservação do meio ambiente, destino correto das embalagens na propriedade rural e nos centros urbanos, além de mostrar um pouco do dia-a-dia na propriedade rural, a importância do aleitamento materno e o imprescindível papel dos estudos para as crianças nos meios urbano e rural.
O diretor da Khaos Cênica, Denisson Beretta, conta que o roteiro busca oferecer às crianças uma experiência memorável e uma reflexão sobre a produção da indústria leiteira. “É importante a tomada de consciência das crianças quando elas têm contato com outra realidade que não é a sua, percebendo assim as diferenças que existem entre o campo e a cidade”, falou. Após cada sessão, de 30 minutos de duração, as crianças participarão de bate-papo com os atores, cliques de fotos com os personagens e irão degustar produtos lácteos.
Apresentações na Expointer
As apresentações da peça teatral ocorrerão na Casa da Indústria de Laticínios – Quadra 46 do Boulevard no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS) -, ao longo de toda a Exposição. A expectativa é receber mais de 4 mil crianças, incluindo neste momento escolas da rede pública de ensino de Sapucaia do Sul. Nos dias de semana, as apresentações serão às 8h30min, 10h, 14h e 15h30min. No primeiro fim de semana, no sábado e no domingo, haverá sessão às 15h. Já no último final de semana da feira, no sábado serão dois horários, às 10h e às 15h, e no domingo, às 10h.
Para complementar a sessão teatral acontecerá também a visita ao Recanto das Terneiras, um novo espaço, que permite aos visitantes interagir com as vacas das raças Jersey e Holandês, relacionando os conceitos trabalhados de produção e industrialização do leite. Toda a visitação será acompanhada por um especialista da Universidade de Passo Fundo (UPF), parceira na atividade.
Projeto Fazenda Doce de Leite
É uma ação onde se destaca todo o processo de pesquisa para garantir a qualidade do leite, utilizando a linguagem lúdica, junto às escolas públicas até dezembro de 2023, sendo previsto um público de mais de 60 mil crianças.
Após a largada do Projeto nas escolas de Sapucaia do Sul, as apresentações seguem para Pelotas e a região Metropolitana, as quais foram convidadas a se inserir no Projeto as cidades de Porto Alegre, Cachoeirinha, Campo Bom, Canoas, Dois Irmãos, Eldorado, Estância Velha, Esteio, Gravataí, Guaíba, Nova Santa Rita, Novo Hamburgo, São Leopoldo e Viamão.
Arte na Caixinha
Outra novidade deste Projeto é a atividade do Concurso Arte na Caixinha. Com a temática “O leite na sua vida”, a atividade visa estimular a criatividade das crianças e reforçar a importância da reciclagem de materiais que seriam descartados, dando novas cores e designs às embalagens de leite UHT. A ideia é que as crianças usem a imaginação para dar nova roupagem às embalagens do produto, apostando em técnicas como pintura, colagem, desenho e grafite. Serão aceitas diferentes formas de intervenções desde que preservada a forma original da caixa de leite. A ação será realizada junto às escolas do Estado do Rio Grande do Sul. Os trabalhos poderão ser inscritos em três categorias: Infantil (entre 5 e 6 anos), Júnior (entre 7 e 8 anos) e Juvenil (entre 9 e 10 anos).
As inscrições de trabalhos deverão ser feitas por um professor integrante do quadro docente da instituição de ensino em que a criança está matriculada. Para isso, é necessário preencher ficha de inscrição, enviá-la pelo e-mail [email protected] junto com identidade do professor responsável, identidade ou comprovante de matrícula dos alunos participantes, autorização assinada pelos pais/responsáveis e, no mínimo, quatro fotos individualizadas da peça. É importante que as imagens mostrem todos os lados da obra.
Fonte: Embrapa
AGRO & NEGÓCIO
Brasil confirma dumping no leite importado, mas tarifa não sai do papel
O governo brasileiro confirmou que empresas da Argentina e do Uruguai venderam leite em pó ao País em condições desleais, mas manteve suspensas as tarifas criadas para proteger o produtor nacional. A decisão mantém o produto estrangeiro entrando sem a cobrança adicional enquanto são avaliados os efeitos da medida sobre a indústria e os consumidores.
A investigação do Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), encontrou dumping e prejuízo à produção brasileira. A prática ocorre quando uma empresa exporta um produto por valor artificialmente baixo, prejudicando os concorrentes no mercado comprador.
Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou tarifas diferentes para cada exportador, com vigência prevista até 8 de junho de 2031. Dependendo da empresa, a cobrança poderia superar 100% do preço médio do leite em pó importado.
A própria resolução, porém, suspendeu imediatamente a aplicação das tarifas por razões de interesse público. Com isso, o dumping foi reconhecido, mas o leite argentino e uruguaio continua entrando no Brasil sem a medida de defesa comercial.
No fim de julho, o governo abriu uma avaliação para calcular os possíveis efeitos da cobrança sobre produção, distribuição, comércio e consumo. Não há prazo definido para que o Gecex tome uma decisão final.
A suspensão provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades da cadeia leiteira. O setor argumenta que o produto importado reduz o preço pago ao pecuarista e atinge principalmente pequenas e médias propriedades, com menor capacidade para suportar períodos prolongados de baixa remuneração.
“Não adianta reconhecer que há mais de 60% de dumping nesse leite em pó que entra no Brasil e não aplicar as tarifas”, afirmou o presidente da FPA, Pedro Lupion. Segundo ele, a concorrência está retirando produtores da atividade e afetando a economia de pequenos municípios.
A pressão das importações aumentou neste ano. Dados apresentados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o País importou o equivalente a 1,02 bilhão de litros de leite em produtos lácteos entre janeiro e maio, recorde para o período e crescimento de 10,5% em relação a 2025.
O leite em pó respondeu pelo equivalente a 754 milhões de litros. Argentina e Uruguai forneceram 653 milhões, ou 86% desse volume. Como o produto é reidratado e utilizado por indústrias de alimentos, sua entrada influencia a demanda pelo leite cru produzido no Brasil.
A CNA sustenta que a tarifa não provocaria aumento relevante no custo da alimentação porque atingiria apenas o leite em pó não fracionado, vendido em embalagens superiores a 800 gramas e utilizado principalmente como insumo industrial. Leite em pó embalado para o consumidor, leite longa vida e queijos não estão incluídos na medida.
O processo foi aberto em dezembro de 2024, após pedido da CNA. A investigação concluiu que houve dumping, dano à cadeia produtiva brasileira e relação entre as importações e o prejuízo interno.
Agora, a disputa está concentrada na aplicação das tarifas. Para o produtor, o reconhecimento da prática tem pouco efeito enquanto a cobrança permanecer suspensa. A proteção somente chegará ao mercado se o Gecex concluir que o benefício para a pecuária leiteira supera eventuais impactos sobre a indústria e os preços ao consumidor.
Fonte: Pensar Agro
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