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Siriri Cuiabano, o ritmo que sacudiu a Turquia

A conquista do 1º lugar no 18° Festival Buyukçekmece de Cultura e Artes, pelo Grupo Folclórico Flor Ribeirinha, reavivou o sentimento de amor por Cuiabá, a capital de Mato Grosso

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GcomMT

Siriri

 Flor Ribeirinha

Quando o batuque do mocho fez tremer o chão de Istambul, no sábado (05), a Turquia não teve dúvida. Era a explosão mais marcante que o país árabe experimentaria na sua história cultural. Quando o ganzá marcou o ritmo e a viola de cocho fez balançar corpos e selou o Siriri para sempre na mente de um público de cinco mil pessoas, não tinha pra mais ninguém. Cuiabá estava no centro das atenções folclóricas do Planeta com o seu frenético e explosivo Siriri.

 

A conquista do 1º lugar no 18° Festival Buyukçekmece de Cultura e Artes, pelo Grupo Folclórico Flor Ribeirinha, reavivou o sentimento de amor por Cuiabá, a capital de Mato Grosso. Concorrendo com 97 representantes de diversos países do mundo, o grupo cuiabano que nasceu na comunidade de São Gonçalo Beira Rio, levou o espetáculo “Mato Grosso dançando o Brasil”, com a mostra de vários ritmos e o carro-chefe das apresentações: o tradicional Siriri.

 

Não demorou e o assunto disseminou em compartilhamentos nas redes sociais e, ao mesmo tempo, fez ressurgir vídeos históricos sobre a cidade, que completou em abril 297 anos. Em um deles, que mostramos logo abaixo, com imagens do cinegrafista Nilo Oliveira Velozo e produção do Acervo Audiovisual da Funai, uma Cuiabá romântica, em preto e branco, revela traços de uma cidade que nasceu para representar culturalmente o País no ‘coração da América do Sul’.

Rai Reis

Siriri

 Flor Ribeirinha no bairro São Gonçalo Beira Rio

O batuque tribal e o coro estridente do Flor Ribeirinha fez renascer uma Cuiabá histórica e, ao mesmo moderna. Comparações inevitáveis afloraram na mente dos mais antigos e encheu de orgulho os mais jovens. É lógico que, muito diferente dos idos anos de 1719, quando Pascoal Moreira Cabral desbravava os rios e matas, e quando o ouro era produto que mais facilmente se obtinha, Cuiabá hoje é uma metrópole quase tricentenária, numa verdadeira metamorfose que atinge toda e qualquer peça da chamada Capital Verde de Mato Grosso. A descrição é do historiador João Carlos Vicente Ferreira, fundador do Portal Mato Grosso, site que reúne textos históricos sobre o Estado e os seus 141 municípios.

 

Lembra João Carlos que, a cidade fundada em 8 de abril de 1719 pelos bandeirantes Pascoal Moreira Cabral e Miguel Sutil, às margens do córrego da Prainha, devido a descoberta de ouro, mais tarde foi denominadas “Lavras do Sutil”, a maior fonte de ouro que se teria achado no Brasil até então. Cuiabá só foi elevada a cidade em 17 de setembro de 1818, através de carta régia assinada por D. João VI.

Arquivo Público

Cine teatro Cuiabá

Avenida Getúlio Vargas na década de 1940

Só em agosto de 1835 se tornou Capital da província com a Lei nº 19, assinada por Antonio Pedro de Alencastro, à época, com cerca de 7 mil habitantes. Foi em 1909 que Cuiabá teve seu reconhecimento como Centro Geodésico da América do Sul. Em meados do Século XIX, já estando unidas a parte principal e a portuária da cidade, a população já atingia quase 10 mil habitantes. Atualmente, Cuiabá continua sendo uma cidade provinciana quando se fala em número de habitantes. Segundo o IBGE, em 2016 não tinha mais do que 585.367 moradores.

 

Se Cuiabá tem gente de menos, se comparada às demais capitais históricas do Brasil, por aqui transborda cultura. A dança do Siriri é só um exemplo dessa contagiante rotina quase esquecida não apenas em Cuiabá, mas, também, em cidades como Santo Antonio de Leverger, Poconé, Barão de Melgaço, Cáceres, Nossa Senhora do Livramento, Acorizal e Rosário Oeste, principalmente.

Drone Cuiabá

Cuiabá

Avenida Getúlio Vargas em 2015

Se na segunda metade do século XIX, com o fim da Guerra do Paraguai e a livre negociação entre países do eixo, Cuiabá ganhou força como polo avançado no interior brasileiro por sua expressiva produção agroindustrial açucareira e intensa exportação de poaia e seringa, em pleno século XXI, a cidade é a sede das maiores empresas produtoras de grãos do Planeta e sede administrativa do Estado que se orgulha em também estar no topo cultural por meio da iniciativa solitária de dona Domingas Leonor, funcionária pública e artesã que criou o Flor Ribeirinha.

 

Há tempos Cuiabá conquistou crescimento e ainda espera mais com os megaprojetos ferroviários e hidroviários em andamento, além da saída rodoviária para o Oceano Pacífico. Agora, sem dúvida, a conquista mais importante da última semana foi concedida pelo frenético Siriri do Flor Ribeirinha. Uma dança folclórica que faz parte das festas tradicionais e festejos religiosos. A música fala das coisas da vida de forma simples e alegre, embalada pela viola de cocho, o cracacha (ganzá) e o mocho ou tamboril. Uma conquista que representa tanto pelos ganhos culturais, quantos pelas oportunidades que surgirão ao turismo e pela visibilidade dada a esse rincão que, por ora, também encanta com as suas imagens mais antigas.

Divulgação

Siriri

Dona Domingas

Do barro à dança folclórica

 

A cuiabana Domingas Leonor da Silva, a Dona Domingas, nasceu na comunidade de São Gonçalo Beira Rio em um dia de festa do ano de 1954.  Aprendeu artesanato em barro com a mãe, índia coxiponé, mas logo se apaixonou pelo Siriri.

 

Na adolescência quebrou paradigmas ao se tornar a primeira mulher a tocar tamborim nas festas folclóricas cuiabanas, quebrando o domínio exercido pelos homens. Da experiência, nasceu o grupo de dança Flor Ribeirinha, para divulgar e promover a dança do siriri, além de outras formas tradicionais do Mato Grosso, como o Rasqueado e o Boi-à-Serra.

 

O Flor Ribeirinha

 

Os primeiros registros da dança de Siriri na região datam de cerca de 200 anos. É harmonizado e marcado pela batida da viola de cocho, do mocho e do ganzá. Dançado e cantado por homens, mulheres e crianças em fila ou roda formada por pares que cantam e batem palmas ao ritmo rápido e forte da música, apresenta um coro estridente e às vezes monótono, mas é próprio da música ameríndia, com clara influência da música serena e melodiosa repleta de sentimento religioso dos colonizadores.

GcomMT

Siriri

 

O ritmo marcado por instrumentos de percussão é herança da música africana. A dança utilizada é o meio expressivo que usa o corpo como instrumento material vibrante e sonoro de construção de elementos simbólicos que traduzem sentido. A música é dançante, os tempos da música e da dança encontram-se uma vez que a música tocada pelo grupo é mais bruta, mais adaptada ao compasso do corpo.

 

O Flor Ribeirinha sintetiza toda essa história, apesar de jovem. Nasceu em 27 de julho 1993 e, hoje, representa a preservação e a construção de uma identidade local que quase se perdeu por falta de apoio político. O grupo é o primeiro de Mato Grosso a explorar o folclore cuiabano de forma profissional e emprega cerca de 40 pessoas em cada apresentação, incluindo músicos, bailarinos, coreógrafos, diretores, cenógrafos e estilistas. Assim como a flor, renova-se a cada ano inserindo novas coreografias, estampas em suas roupas e na forma de se produzir cultura. Afinal, a música e a dança cuiabana é tão viva quanto a sua gente.

 

SAIBA MAIS

 

Flor Ribeirinha representa MT na Turquia

Ritmos folclóricos de MT no Rio Media Center

MT no 4º Encontro Universitário de Danças

 

No primeiro vídeo, apresentação do Flor Ribeirinha em 03 de agosto de 2013, no 31º Festival de Danças de Joinville (SC). No segundo vídeo, o grupo apresenta trecho do espetáculo ‘Nandaia’.

 

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Cuiabá Arsenal participa de evento de gestores neste final de semana

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Esta será a terceira edição e serão abordados temas como a captação de patrocínios, gestão de atletas e tecnologia.

Com uma programação intensa e de extrema importância para o conhecimento de todas as equipes, a edição já teve todas as suas vagas preenchidas – mais de oitenta e cinco equipes inscritas e vinte estados do país.

Entre os confirmados, coaches e atletas do Cuiabá Arsenal já garantiram e têm presença marcada no evento.  

A transmissão ocorrerá pelo aplicativo Zoom entre os dias 25 e 26 de julho, e os ingressos (esgotados), foram vendidos pela Sympla.

O EVENTO 

O Congresso Brasileiro de Futebol Americano é o maior evento da modalidade no Brasil que não é um jogo! E isso já diz muito sobre ele, que conecta pessoas de todas as regiões e das mais diferentes histórias!

O CUIABÁ ARSENAL 

O Cuiabá Arsenal é uma associação sem fins lucrativos, que além de declarada de utilidade pública pelo município de Cuiabá pela Lei 6.049/2016 e pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso pela Lei 10.921/2019, pelos seus trabalhos na área social e desportiva já realizados, possui forte atuação social em Várzea Grande-MT. O time, com seu reconhecimento possui patrocinadores importantes, como Unimed Cuiabá, Unic e American Airlines.

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