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Em MT casa própria avança no interior

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Por Diogo Reis

Durante muito tempo, o mercado imobiliário em Mato Grosso esteve associado principalmente a Cuiabá e Várzea Grande. Essa realidade mudou. O crescimento econômico e populacional dos municípios do interior abriu uma nova frente para a habitação popular e aproximou milhares de famílias da compra do primeiro imóvel.

Mato Grosso chegou a 3,65 milhões de habitantes no Censo de 2022, com crescimento de quase 20% em relação a 2010. No mesmo período, a população brasileira avançou cerca de 6,5%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa expansão acompanhou o fortalecimento de cidades impulsionadas pelo agronegócio, pela agroindústria, pelo comércio e pelo setor de serviços.

Em municípios como Sapezal, Juína, Alta Floresta, Tangará da Serra, Nova Olímpia e Aripuanã (regiões diversas), a riqueza produzida no campo movimenta toda a economia local. Novas empresas são abertas, o comércio se fortalece e as oportunidades de trabalho aumentam. Com emprego e renda, as famílias passam a planejar novos passos, entre eles a realização do sonho da casa própria.

Esse cenário ajuda a explicar por que o interior se tornou uma das principais frentes de crescimento da habitação popular em Mato Grosso. A primeira casa representa a formação de patrimônio, mas vai além, pois oferece segurança, estabilidade e pertencimento, além de contribuir para a permanência dos trabalhadores nas cidades onde constroem suas carreiras e criam seus filhos.

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Programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida têm papel decisivo nessa transformação. Os subsídios, as condições de financiamento e a possibilidade de utilização do FGTS tornam a compra mais acessível, especialmente para as famílias que vivem de aluguel e acreditavam que adquirir um imóvel ainda estava distante de sua realidade.

Em Mato Grosso, a combinação dos benefícios federais com as políticas estaduais de habitação amplia essas possibilidades. A união entre programas públicos, crédito imobiliário e iniciativa privada permite que o crescimento econômico dos municípios também se traduza em qualidade de vida e formação de patrimônio para a população.

Entretanto, construir casas populares no interior exige compreender a realidade de cada região. A escolha de uma cidade não deve considerar somente o número de habitantes. É necessário analisar a geração de empregos, a renda das famílias, a atividade econômica predominante, o ritmo de crescimento, a infraestrutura urbana, a disponibilidade de crédito e as perspectivas para os próximos anos.

Esses indicadores orientam desde a escolha da área até as características do empreendimento. O interior de Mato Grosso é um mercado plural. Municípios ligados à produção de grãos, à pecuária, à agroindústria ou ao setor de serviços possuem dinâmicas próprias. Para que a casa seja acessível, o projeto e o financiamento precisam estar alinhados ao perfil econômico das famílias daquela localidade.

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A experiência da GRF Incorporadora nos municípios mato-grossenses mostra que o sonho da casa própria está presente muito além dos grandes centros. São municípios diferentes, mas que compartilham uma realidade. Famílias que trabalham, movimentam a economia regional e buscam a segurança de uma casa para chamar de sua.

Essa expansão também deve caminhar ao lado do planejamento urbano. Os novos bairros precisam estar conectados à infraestrutura, aos serviços públicos e às áreas de trabalho. Construir moradias não significa apenas erguer paredes, mas contribuir para a formação de comunidades e para o crescimento organizado das cidades.

Esse movimento vai além de uma mera tendência do setor, trata-se de transformação social. Quando o desenvolvimento chega acompanhado de moradia, as famílias conquistam estabilidade, os municípios mantêm seus trabalhadores e a economia local se fortalece.

É assim que o crescimento deixa de ser apenas um indicador e passa a ter endereço: a casa própria.

Diogo Reis é diretor da GRF Incorporadora – empresa mato-grossense que constrói moradias populares no Brasil.

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O que o colesterol revela sobre a saúde hormonal?

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Por Mariana Ramos

Quando o exame de sangue aponta colesterol elevado, a primeira preocupação costuma ser a saúde do coração. Embora essa preocupação seja fundamental, poucas pessoas sabem que o colesterol também está intimamente ligado ao funcionamento do sistema endócrino. Hormônios e metabolismo caminham lado a lado, e diversas doenças endocrinológicas podem favorecer desequilíbrios no perfil lipídico, aumentando o risco de complicações cardiovasculares.

O colesterol é uma gordura indispensável para o organismo. Ele participa da formação das membranas das células e da produção de hormônios como estrogênio, progesterona, testosterona e cortisol, além da vitamina D. O problema não está na sua existência, mas no excesso, principalmente do LDL, popularmente conhecido como “colesterol ruim”, que favorece o acúmulo de placas nas artérias e aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

A endocrinologia entra em cena porque diversas alterações hormonais interferem diretamente na forma como o organismo produz, utiliza e elimina o colesterol. O hipotireoidismo, por exemplo, costuma estar associado ao aumento do LDL devido à redução do metabolismo. Já quem convive com obesidade, diabetes tipo 2, resistência à insulina ou síndrome metabólica costuma apresentar um conjunto de alterações que inclui colesterol elevado, triglicerídeos aumentados e redução do HDL, popularmente conhecido como colesterol bom.

Na prática, isso significa que nem sempre controlar apenas a alimentação será suficiente para normalizar os exames. Se a causa do colesterol elevado estiver relacionada a uma doença hormonal ou metabólica, é necessário tratar a condição de base para que os resultados sejam duradouros.

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Outro exemplo importante ocorre durante o climatério e a menopausa. Com a queda da produção de estrogênio, é comum que haja aumento do colesterol LDL e redução do HDL, elevando naturalmente o risco cardiovascular das mulheres. Esse é um dos motivos pelos quais o acompanhamento endocrinológico e ginecológico torna-se ainda mais importante nessa fase da vida.

Existe também a influência da genética. Algumas pessoas apresentam hipercolesterolemia familiar, uma doença hereditária caracterizada por níveis muito elevados de colesterol desde a infância. Nesses casos, além das mudanças no estilo de vida, o tratamento medicamentoso costuma ser indispensável para reduzir os riscos futuros.

Um dos maiores desafios é que o colesterol alto raramente provoca sintomas. A maioria dos pacientes só descobre a alteração durante exames de rotina. Enquanto isso, o processo de formação de placas nas artérias pode evoluir silenciosamente por anos. Por esse motivo, realizar avaliações periódicas é uma das principais estratégias de prevenção.

O endocrinologista não avalia apenas o colesterol isoladamente. A avaliação inclui peso corporal, circunferência abdominal, glicemia, funcionamento da tireoide, pressão arterial, histórico familiar e outros fatores metabólicos que ajudam a identificar a origem do problema e definir o tratamento mais adequado para cada paciente.

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A prevenção continua sendo a melhor estratégia. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso, abandono do tabagismo, consumo moderado de bebidas alcoólicas e acompanhamento médico periódico reduzem significativamente o risco de alterações no colesterol e de doenças cardiovasculares.

Quando necessário, medicamentos podem ser prescritos para controlar os níveis de colesterol. No entanto, o tratamento deve ser individualizado. O objetivo não é apenas melhorar um exame laboratorial, mas reduzir efetivamente o risco de eventos cardiovasculares e promover um equilíbrio metabólico duradouro.

O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, lembrado em 8 de agosto, reforça uma mensagem importante: colesterol elevado nem sempre é um problema isolado. Muitas vezes, ele é o primeiro sinal de que existe um desequilíbrio que também precisa ser investigado. Identificar essa causa precocemente permite um tratamento mais completo, protege o coração e contribui para uma vida mais saudável.

Mais do que olhar para um único número no exame, é preciso compreender o organismo de forma integrada. Essa é a essência da endocrinologia: identificar as causas das alterações metabólicas, tratar o paciente como um todo e prevenir doenças antes que elas provoquem consequências mais graves.

Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
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