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Bioenergia abre nova fronteira de renda e ganha força no Congresso

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A retomada da agenda legislativa no segundo semestre vai colocar a bioenergia entre as prioridades da bancada ligada ao agronegócio. A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) defende regras estáveis para ampliar a produção de biodiesel, etanol e biometano, além da preservação da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), programa que transforma a redução de emissões em receita para as usinas e, em determinadas situações, para os fornecedores de matéria-prima.

O interesse do produtor rural está no aumento da demanda por soja, milho, cana-de-açúcar e outras matérias-primas agrícolas. Também cresce a possibilidade de transformar palha, bagaço, restos de culturas e dejetos de bovinos, suínos e aves em energia e renda dentro da propriedade.

Desde agosto de 2025, o diesel comercializado no país contém 15% de biodiesel, composição conhecida como B15. Como o óleo de soja continua sendo a principal matéria-prima utilizada pelas usinas brasileiras, o aumento da mistura obrigatória ampliou a procura pelo grão e estimulou o esmagamento dentro do país.

O processamento da soja gera óleo para o biodiesel e farelo utilizado na alimentação de aves, suínos, bovinos e peixes. Dessa forma, a expansão do combustível não interessa apenas aos produtores da oleaginosa. Também interfere nos custos e na disponibilidade de ração para outras cadeias do agronegócio.

Uma das decisões recentes do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estabelece que pelo menos 80% do biodiesel destinado à mistura obrigatória deve vir de usinas que possuam o Selo Biocombustível Social. Para obter a certificação, as empresas precisam comprar matérias-primas de agricultores familiares e cumprir obrigações de contratação, capacitação e assistência técnica.

A medida pode ampliar o acesso de pequenos produtores à cadeia de fornecimento das usinas. O alcance dependerá, no entanto, da distribuição regional das compras e da capacidade de outras oleaginosas, além da soja, ganharem escala comercial.

O biometano é outra frente acompanhada pelo Congresso. O combustível é obtido pela purificação do biogás produzido a partir da decomposição de matéria orgânica. No campo, pode ser gerado com dejetos animais, resíduos de lavouras, vinhaça da cana e sobras da agroindústria.

O Conselho Nacional de Política Energética fixou para 2026 uma meta inicial de redução de 0,5% das emissões do mercado de gás natural por meio do biometano. O volume de referência é de aproximadamente 181,7 milhões de metros cúbicos no ano, ou 504,8 mil metros cúbicos por dia.

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Para o produtor, a oportunidade está em utilizar resíduos que antes representavam custo e risco ambiental. O biogás pode alimentar geradores e reduzir a conta de energia da propriedade. Depois de purificado, o biometano pode substituir o gás natural e o diesel em máquinas, caminhões e processos industriais.

A instalação de biodigestores e unidades de purificação, contudo, exige capital, manutenção e escala. Projetos coletivos conduzidos por cooperativas, associações e agroindústrias são apontados como uma alternativa para produtores que, isoladamente, não geram volume suficiente para justificar o investimento.

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion, afirma que o fortalecimento dos biocombustíveis pode combinar segurança energética, geração de empregos e redução de emissões. Para ele, o país reúne condições para aumentar a oferta de energia renovável sem comprometer a produção de alimentos.

Isan Rezende

O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), avalia que a bioenergia cria uma nova fonte de remuneração para o produtor, mas alerta que os benefícios não chegarão automaticamente ao campo. “O aumento da mistura de biodiesel e a expansão do etanol elevam a procura por matérias-primas. Para que isso melhore a renda rural, o produtor precisa participar dos contratos e ter condições de negociar uma parcela do valor gerado pela cadeia”, afirma.

Segundo Rezende, o biometano possui potencial especial nas regiões com produção intensiva de carnes, leite, açúcar e etanol. “Dejetos e resíduos ainda são tratados, em muitas propriedades, apenas como um problema ambiental. Quando existe escala, financiamento e conexão com o mercado consumidor, esse material pode produzir energia, reduzir despesas e abrir uma nova atividade econômica dentro da fazenda.”

Ele ressalta, porém, que a expansão depende de previsibilidade. “Uma usina, um biodigestor ou uma unidade de purificação não são investimentos de curto prazo. O produtor, a cooperativa e a indústria precisam saber quais regras estarão valendo nos próximos anos. Alterações repentinas nas misturas, nas metas ou na remuneração ambiental afastam capital e deixam o campo com todo o risco.”

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Essa previsibilidade também está no centro das discussões sobre o RenovaBio. Para 2026, o Conselho Nacional de Política Energética estabeleceu uma meta nacional de 48,09 milhões de Créditos de Descarbonização (CBIOs). Cada crédito corresponde a uma tonelada de gás carbônico que deixou de ser lançada na atmosfera.

Os créditos são emitidos por produtores e importadores de biocombustíveis certificados e adquiridos principalmente por distribuidoras de combustíveis, que precisam cumprir metas anuais. Quanto mais eficiente for a produção e menor a emissão registrada ao longo do processo, maior tende a ser a capacidade de geração de CBIOs.

O Congresso já aprovou a participação de produtores independentes de matéria-prima em parte da receita obtida com esses créditos. A mudança buscou fazer com que os ganhos ambientais não ficassem concentrados nas usinas. A efetividade do mecanismo, entretanto, depende da regulamentação, dos contratos e da transparência dos cálculos apresentados ao fornecedor.

Parlamentares como Efraim Filho e Alceu Moreira defendem a preservação do RenovaBio e a continuidade do aumento gradual da mistura de biodiesel. O argumento é que metas conhecidas com antecedência permitem planejar o cultivo, o esmagamento de grãos, a instalação de usinas e a infraestrutura necessária para transportar e armazenar os combustíveis.

A expansão também precisa considerar os efeitos sobre os demais mercados agrícolas. Uma procura maior por óleo de soja pode favorecer o preço recebido pelo agricultor, mas mudanças rápidas na demanda podem afetar as indústrias de alimentos e os custos das cadeias que utilizam derivados do grão.

O desafio do Congresso será transformar o potencial da bioenergia em regras que ofereçam segurança ao investimento e repartam os resultados entre indústria e campo. Para o produtor, a transição energética será mais do que uma agenda ambiental se representar contratos, redução de custos e uma nova receita dentro da propriedade.

Fonte: Pensar Agro

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AGRO & NEGÓCIO

Beckhauser inaugura laboratório de PD&I com foco no futuro da pecuária

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A Beckhauser inaugurou nesta terça-feira (04.08), em Maringá, o BeckLab, centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) criado para desenvolver soluções voltadas ao avanço da pecuária brasileira. O espaço terá atuação em novos produtos, inovação aberta e fortalecimento da cultura inovadora da empresa, com projetos alinhados aos princípios da pecuária regenerativa.

Com a inauguração, a Beckhauser também passou a ser a primeira empresa âncora do MaringaTech. A iniciativa amplia a participação da companhia no ecossistema regional de inovação e aproxima a indústria de universidades, startups e outros agentes envolvidos na criação de tecnologias para o agronegócio.

O laboratório recebeu um investimento inicial de R$ 1,5 milhão. A expectativa é que o aporte alcance R$ 3,5 milhões nos próximos dois anos, incluindo recursos para eventos, consultorias, capacitações e formação da equipe responsável pelas atividades do espaço.

Segundo a CEO da Beckhauser, Mariana Beckheuser, a criação do BeckLab representa uma nova etapa na trajetória da empresa e reforça a busca por modelos colaborativos de inovação.

CEO da Beckhauser, Mariana Beckheuser

“O laboratório nasceu do nosso desejo de dar um passo importante em direção ao futuro. Valorizamos profundamente tudo o que nos trouxe até aqui e entendemos que é hora de explorar novas formas de inovar, seguindo no caminho da transição do modelo fechado para o aberto, fortalecendo ainda mais a colaboração, que é um dos nossos valores”, afirmou.

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A escolha do MaringaTech, de acordo com a executiva, foi estratégica. Além de estar localizado na cidade onde a empresa mantém sua sede, o parque reúne um ambiente de startups em expansão, a presença da Universidade Estadual de Maringá e uma vocação industrial voltada às áreas de agro, saúde e indústria limpa.

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Novo modelo de inovação

Para Tiago Beckheuser, coordenador do projeto e da estratégia de inovação da empresa, o BeckLab modifica a forma como a companhia desenvolve novas ideias. Até então, os projetos eram conduzidos principalmente em conjunto com a engenharia e dentro da fábrica.

Com o novo centro, a empresa pretende criar um ambiente exclusivo para experimentação, reunindo profissionais de diferentes áreas, novos talentos, conhecimentos de campo, design e engenharia.

“É quase como inovar no próprio jeito de inovar. Até hoje, a inovação ocorria na Beckhauser integrada à engenharia, dentro da fábrica. Com o BeckLab, criamos um espaço exclusivo para pensar e experimentar o novo, unindo design, engenharia e conhecimento de campo a profissionais da empresa e a novos talentos”, explicou.

Ainda segundo Tiago, a participação no MaringaTech deve ampliar a colaboração e democratizar o acesso à inovação. A proposta é desenvolver soluções capazes de transformar a cadeia produtiva de maneira mais humana, inteligente e sustentável.

Projeto começou a ser estruturado em 2022

A instalação do BeckLab começou a ser planejada em 2022 e avançou oficialmente em 2025, quando a Beckhauser apresentou o projeto ao prefeito de Maringá, Silvio Barros. Na ocasião, a Prefeitura formalizou o endosso ao contrato para implantação do laboratório no MaringaTech.

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O acordo consolidou a parceria entre a empresa e o parque tecnológico. Participaram do encontro o presidente do MaringaTech, Carlos Valter Martins Pedro; a gestora do parque, Ana Paula Freitas; o presidente do Conselho da Beckhauser, José Carlos Beckheuser; a CEO Mariana Beckheuser; e o coordenador do projeto, Tiago Beckheuser.

O anúncio público da iniciativa ocorreu durante o encerramento da Inovaweek Maringá 2025, quando o projeto foi apresentado à comunidade e aos representantes do ecossistema de inovação regional.

A inauguração também integra as comemorações pelos 56 anos de trajetória da Beckhauser, celebrados em 2025, e marca um novo ciclo na estratégia da companhia.

Atuação no setor pecuário

A Beckhauser desenvolve, industrializa e divulga tecnologias voltadas à pecuária sustentável. Seu portfólio inclui equipamentos tradicionais e automatizados para manejo e contenção bovina, utilizados desde as propriedades rurais até os frigoríficos.

A empresa também mantém parcerias voltadas a sistemas de controle e pesagem eletrônica, com soluções direcionadas ao aumento da produtividade, à qualidade dos processos e ao bem-estar de animais e profissionais.

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