POLÍTICA NACIONAL
Regulamentação da profissão de audiodescritor vai à CE
Os audiodescritores poderão ter sua profissão regulamentada, conforme projeto aprovado nesta quarta-feira (8) na Comissão de Direitos Humanos (CDH). A proposta estabelece regras para o exercício da profissão e disciplina a atuação dos audiodescritores como roteiristas, consultores, revisores e narradores.
A audiodescrição é definida como recurso de acessibilidade de comunicação que traduz conteúdos visuais estáticos e dinâmicos em linguagem verbal escrita, oral ou sinalizada, para ampliar o acesso de pessoas com deficiência visual à informação, à cultura, à educação, à comunicação, à saúde, ao trabalho, à participação social e ao consumo de produtos e serviços.
O PL 2.273/2025, do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), recebeu parecer favorável, na forma de texto alternativo, do senador Flávio Arns (PSB-PR) e segue agora para a análise da Comissão de Educação (CE).
Alessandro afirma que a regulamentação busca qualificar a atividade e ampliar a oferta de audiodescrição, com impacto sobre inclusão e cidadania.
Para Arns, a proposta fortalece um recurso de tecnologia assistiva ligado aos direitos à informação, à cultura e à participação social das pessoas com deficiência. A regulamentação do exercício da audiodescrição contribuirá ainda mais para a profissionalização do setor, afirma o relator no parecer.
Direitos
Os roteiros de audiodescrição serão considerados obras intelectuais protegidas pela legislação de direitos autorais. O texto também estabelece jornada de trabalho de seis horas diárias, limitada a 30 horas semanais, salvo o disposto em convenção ou acordo coletivo.
Público atendido
O texto define o recurso da audiodescrição como tradução visual, intersemiótica, sistemática, criteriosa e contextualizada, com parâmetros normativos, científicos e éticos próprios. Também prevê que, além das pessoas com deficiência visual, a audiodescrição pode beneficiar pessoas idosas, pessoas com baixo letramento e pessoas neurodivergentes.
O audiodescritor deve ser o profissional qualificado tecnicamente para atuar na área após treinamento, curso, oficina, graduação, pós-graduação ou outra forma de habilitação profissional, em modalidade virtual ou presencial.
O texto prevê que esse profissional poderá
- planejar, elaborar, convalidar e narrar roteiros de audiodescrição;
- realizar estudos de viabilidade técnica e financeira;
- elaborar orçamentos e definições operacionais;
- emitir pareceres, notas técnicas e relatórios;
- fazer visitas técnicas;
- atuar em entidades ligadas à gestão da audiodescrição;
- prestar consultoria e assessoria;
- executar serviços na área; buscar formação continuada; e
- exercer magistério em disciplinas para as quais esteja habilitado, especialmente sobre audiodescrição, acessibilidade, diversidade e inclusão.
Formação
O texto aprovado prevê três caminhos para a habilitação profissional. Pelo primeiro caminho, de formação aliada à experiência de trabalho, o profissional deverá ter concluído o ensino médio, comprovar 200 horas em curso de formação, qualificação ou aperfeiçoamento em audiodescrição e experiência de pelo menos 12 meses no exercício da atividade, de forma consecutiva ou intercalada, mediante participação efetiva em trabalho de audiodescrição.
Pelo segundo caminho, de formação aliada à pesquisa, será necessário ter concluído o ensino superior, comprovar 240 horas de curso de audiodescrição e apresentar ao menos uma publicação sobre o tema, como livro, ensaio, artigo científico, trabalho de conclusão de curso, dissertação de mestrado ou tese de doutorado.
Pelo terceiro caminho, de formação, o profissional deverá ter concluído o ensino médio e comprovar 500 horas de formação em audiodescrição, por certificado de curso específico de formação, qualificação ou aperfeiçoamento que contemple diferentes modalidades e áreas de aplicação do recurso, como artes, arquitetura, educação e esportes. O texto ainda prevê regra de transição para assegurar, por 24 meses, o exercício da atividade a quem ainda não reunir integralmente os requisitos.
Equipe
A audiodescrição deverá ser feita de forma coletiva, por equipe composta de pelo menos um audiodescritor roteirista e um audiodescritor consultor. Na audiodescrição oralizada, também será necessária a presença do audiodescritor narrador, para garantir a experiência por meio de voz humana. O texto permite ainda a participação de audiodescritores revisores em qualquer modalidade e de outros profissionais, como colaboradores, coparticipes ou especialistas em áreas específicas, quando necessário.
O texto aprovado inclui formalmente o audiodescritor revisor na equipe. O roteirista será responsável pela tradução de eventos e conteúdos visuais em linguagem verbal, por meio da elaboração do roteiro. O consultor atuará em coautoria com o roteirista na construção e no aprimoramento do roteiro, a partir de sua experiência como pessoa com deficiência visual, para assegurar a acessibilidade do produto ou serviço sob a perspectiva do usuário final.
O revisor fará a análise crítica do roteiro, a revisão textual e técnica, a checagem entre imagem e audiodescrição, a identificação de inconsistências, os ajustes de tempo e estética e a padronização do roteiro. O narrador será responsável pela vocalização do roteiro.
A função de audiodescritor consultor deverá ser exercida exclusivamente por pessoa com deficiência visual, seja cega ou com baixa visão, com qualificação técnica em audiodescrição. Para atuar como revisor, será preciso ter formação e experiência como roteirista. Já o narrador deverá ter competência em locução, clareza de dicção, entonação, ritmo, projeção vocal e sincronização com o conteúdo original, além de qualificação na área.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Comissão aprova relatório de Fávaro e libera R$ 13,2 bilhões
Sob a relatório do senador Carlos Fávaro (PSD-MT) foi aprovado na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional, o PLN 17/2026, que abre crédito especial de R$ 13,2 bilhões para viabilizar o Programa Desenrola Adimplentes, o Fies Empreendedor, o apoio aos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste e investimentos em ciência e tecnologia para a agropecuária brasileira. A matéria passou pela comissão nesta quarta-feira (8) e segue para votação em plenário do Congresso nesta quinta-feira (9).
“Aprovamos um relatório que destina mais de R$ 13 bilhões para ações que mudam a vida das pessoas. É recurso para o trabalhador informal que paga suas contas em dia e merece juros justos, para o jovem que se formou pelo Fies e quer empreender, para o produtor do Nordeste castigado pelo tarifaço americano e para a modernização tecnológica de toda a agropecuária brasileira”, afirmou Fávaro.
O Desenrola Adimplentes, instituído pela Medida Provisória 1373/26, destina R$ 4 bilhões para que trabalhadores informais que mantêm suas dívidas em dia possam renegociar débitos de até R$ 15 mil por instituição financeira, com juros reduzidos a no máximo 1,99% ao mês (ao contrário dos 6% a 12% cobrados atualmente no mercado). Para participar, o trabalhador precisa ter pago ao menos quatro parcelas sem atraso superior a 90 dias. O empréstimo original é quitado e uma nova operação com condições mais favoráveis é oferecida pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. A expectativa do governo é alcançar até 500 mil trabalhadores informais.
Fávaro reforça combate ao vício em bets
Fávaro fez questão de destacar a vedação às apostas online (bets). Isso porque quem aderir ao programa terá o CPF automaticamente bloqueado em plataformas de bets por seis meses. A mesma regra vale para os beneficiários do Fies Empreendedor. Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo é impedir que recursos obtidos com condições favoráveis de financiamento sejam desviados para sites de apostas.
A medida reconhece formalmente o que Fávaro vem denunciando em seus seminários pelo interior de Mato Grosso. Para ele, as bets são um vetor de endividamento e destruição familiar. Dados da Confederação Nacional do Comércio apontam que as apostas online retiraram cerca de R$ 143 bilhões do varejo brasileiro entre 2023 e 2026, e que 80,9% das famílias estão endividadas, o maior índice da história do país.
Vida nova com crédito novo
O Fies Empreendedor, criado pela mesma medida provisória, oferece uma linha de crédito inédita para ex-estudantes do Fies que estejam adimplentes há pelo menos 36 meses.
Pessoas físicas podem contratar até R$ 80 mil, com prazo de 60 meses e carência de seis meses. Pessoas jurídicas, desde que tenham ao menos um sócio beneficiário do Fies, podem acessar até R$ 180 mil, com prazo de 96 meses e carência de 12 meses.
A taxa é de 0,87% ao mês (até 11,19% ao ano). A União destina R$ 1 bilhão ao programa, com estimativa de beneficiar entre 50 mil e 125 mil pessoas dentro de um universo de 500 mil egressos do Fies em situação regular.
Impacto da taxação dos EUA
O crédito aprovado também garante subvenção econômica aos produtores independentes de cana-de-açúcar da Região Nordeste, que enfrentam prejuízos simultâneos causados por intempéries climáticas e pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre exportações brasileiras.
O eixo de maior impacto para o agronegócio é a destinação de R$ 9 bilhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), operados pela Finep, para financiamentos de longo prazo em ciência, tecnologia e inovação voltados a toda a agropecuária brasileira. A linha Move Agricultura financia a aquisição de máquinas e implementos agrícolas inovadores com tecnologia nacional, a juros de 9,2% ao ano. A grande novidade é que, pela primeira vez, produtores rurais pessoas físicas poderão acessar recursos do fundo científico, até então restritos a empresas. A medida integra o Plano Safra 2026/2027, que totaliza R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial.
A aprovação na Comissão Mista consolida a convergência de pautas que Fávaro vem construindo no Senado, combate ao endividamento provocado pelas bets, incentivo ao empreendedorismo jovem, defesa do produtor rural e modernização tecnológica do campo. A matéria segue para votação em plenário do Congresso Nacional nesta quinta-feira (9).
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