POLÍTICA NACIONAL
Projeto cria programa para reduzir insegurança hídrica no Rio Grande do Sul
O Projeto de Lei 1256/26, da deputada Maria do Rosário (PT-RS), cria o Programa de Estruturação das Regiões em Situação de Insegurança Hídrica da Metade Sul do Rio Grande do Sul.
O objetivo é garantir acesso permanente à água para a população dessa região, definida por critérios técnicos do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e o Plano Nacional de Segurança Hídrica.
Esse plano deverá ser revisado a cada dez anos para atualizar os critérios técnicos, os diagnósticos e as áreas com prioridade de atendimento.
“Diferentemente do que sugerem os recorrentes decretos de emergência, a situação da metade sul do Rio Grande do Sul não é episódica, mas estrutural”, afirma Maria do Rosário. “A sucessão de eventos climáticos adversos tem comprometido a produção agrícola — especialmente de culturas como a soja —, afetando diretamente a subsistência de milhares de famílias e a economia do setor primário”, acrescenta.
O programa atenderá:
- trabalhadores enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf);
- agricultores e pecuaristas empresariais que atuem em regime familiar;
- pequenos agricultores e pecuaristas informais;
- populações tradicionais do meio rural; e
- núcleos populacionais urbanos em situação de insegurança hídrica.
O que poderá ser financiado
O programa prevê investimentos federais, em parceria com os municípios gaúchos, para:
- construção de reservatórios para armazenar água das chuvas;
- implantação de sistemas de captação, reserva, tratamento e distribuição de água;
- construção, instalação e aquisição de tecnologias de irrigação e drenagem;
- promoção de programas de capacitação do público prioritário para instalação e manutenção dos sistemas;
- divulgação de programas de educação ambiental e sanitária.
“Fazendas de água”
O texto também prevê a implementação de “fazendas de água”, que reúnem práticas de recomposição da vegetação nativa e de conservação do solo para melhorar os ciclos hidrológicos locais.
A proposta também estimula a criação de sistemas agroflorestais para conciliar produção agrícola e conservação ambiental.
Por fim, o projeto destina parte dos recursos do Fundo Social ao financiamento do programa. Esse fundo administra parte das receitas que a União obtém com a exploração de petróleo e gás natural.
Próximos passos
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas Comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; Integração Nacional e Desenvolvimento Regional; Minas e Energia; Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para virar lei, o projeto precisa ser aprovado por deputados e senadores.
Reportagem – Raquel Keoui
Edição – Natalia Doederlein
Fonte: Câmara dos Deputados
POLÍTICA NACIONAL
Comissão aprova relatório de Fávaro e libera R$ 13,2 bilhões
Sob a relatório do senador Carlos Fávaro (PSD-MT) foi aprovado na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização do Congresso Nacional, o PLN 17/2026, que abre crédito especial de R$ 13,2 bilhões para viabilizar o Programa Desenrola Adimplentes, o Fies Empreendedor, o apoio aos produtores de cana-de-açúcar do Nordeste e investimentos em ciência e tecnologia para a agropecuária brasileira. A matéria passou pela comissão nesta quarta-feira (8) e segue para votação em plenário do Congresso nesta quinta-feira (9).
“Aprovamos um relatório que destina mais de R$ 13 bilhões para ações que mudam a vida das pessoas. É recurso para o trabalhador informal que paga suas contas em dia e merece juros justos, para o jovem que se formou pelo Fies e quer empreender, para o produtor do Nordeste castigado pelo tarifaço americano e para a modernização tecnológica de toda a agropecuária brasileira”, afirmou Fávaro.
O Desenrola Adimplentes, instituído pela Medida Provisória 1373/26, destina R$ 4 bilhões para que trabalhadores informais que mantêm suas dívidas em dia possam renegociar débitos de até R$ 15 mil por instituição financeira, com juros reduzidos a no máximo 1,99% ao mês (ao contrário dos 6% a 12% cobrados atualmente no mercado). Para participar, o trabalhador precisa ter pago ao menos quatro parcelas sem atraso superior a 90 dias. O empréstimo original é quitado e uma nova operação com condições mais favoráveis é oferecida pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. A expectativa do governo é alcançar até 500 mil trabalhadores informais.
Fávaro reforça combate ao vício em bets
Fávaro fez questão de destacar a vedação às apostas online (bets). Isso porque quem aderir ao programa terá o CPF automaticamente bloqueado em plataformas de bets por seis meses. A mesma regra vale para os beneficiários do Fies Empreendedor. Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo é impedir que recursos obtidos com condições favoráveis de financiamento sejam desviados para sites de apostas.
A medida reconhece formalmente o que Fávaro vem denunciando em seus seminários pelo interior de Mato Grosso. Para ele, as bets são um vetor de endividamento e destruição familiar. Dados da Confederação Nacional do Comércio apontam que as apostas online retiraram cerca de R$ 143 bilhões do varejo brasileiro entre 2023 e 2026, e que 80,9% das famílias estão endividadas, o maior índice da história do país.
Vida nova com crédito novo
O Fies Empreendedor, criado pela mesma medida provisória, oferece uma linha de crédito inédita para ex-estudantes do Fies que estejam adimplentes há pelo menos 36 meses.
Pessoas físicas podem contratar até R$ 80 mil, com prazo de 60 meses e carência de seis meses. Pessoas jurídicas, desde que tenham ao menos um sócio beneficiário do Fies, podem acessar até R$ 180 mil, com prazo de 96 meses e carência de 12 meses.
A taxa é de 0,87% ao mês (até 11,19% ao ano). A União destina R$ 1 bilhão ao programa, com estimativa de beneficiar entre 50 mil e 125 mil pessoas dentro de um universo de 500 mil egressos do Fies em situação regular.
Impacto da taxação dos EUA
O crédito aprovado também garante subvenção econômica aos produtores independentes de cana-de-açúcar da Região Nordeste, que enfrentam prejuízos simultâneos causados por intempéries climáticas e pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre exportações brasileiras.
O eixo de maior impacto para o agronegócio é a destinação de R$ 9 bilhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), operados pela Finep, para financiamentos de longo prazo em ciência, tecnologia e inovação voltados a toda a agropecuária brasileira. A linha Move Agricultura financia a aquisição de máquinas e implementos agrícolas inovadores com tecnologia nacional, a juros de 9,2% ao ano. A grande novidade é que, pela primeira vez, produtores rurais pessoas físicas poderão acessar recursos do fundo científico, até então restritos a empresas. A medida integra o Plano Safra 2026/2027, que totaliza R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial.
A aprovação na Comissão Mista consolida a convergência de pautas que Fávaro vem construindo no Senado, combate ao endividamento provocado pelas bets, incentivo ao empreendedorismo jovem, defesa do produtor rural e modernização tecnológica do campo. A matéria segue para votação em plenário do Congresso Nacional nesta quinta-feira (9).
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