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Cuiabá precisa da ferrovia para seu desenvolvimento

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Por Júnior Macagnam

Com a chegada da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo a Dom Aquino, na semana passada, o sonho dos cuiabanos de terem acesso à logística por trem ficou mais perto de virar realidade. Temos motivos concretos para continuarmos na luta por essa conquista para a nossa capital.

Levantamento do Núcleo de Inteligência da CDL Cuiabá demonstra o quanto a conexão aos trilhos pode transformar a economia da cidade. O ramal de 175 quilômetros planejado para interligar a ferrovia a Cuiabá integra um investimento de R$ 8,12 bilhões, com impacto expressivo na geração de empregos, renda e competitividade.

Em todo o estado, a previsão é de que mais de 138 mil empregos sejam criados, resultando em um crescimento de 6,37% no Valor Bruto da Produção (VBP). Hoje, a capital possui aproximadamente 230 mil empregos formais.

Com a ferrovia, a expectativa é de criar cerca de 19 mil novas vagas, um acréscimo de 8,10%. A renda média dos trabalhadores, que atualmente é de R$ 2.500,00, também deverá crescer, com incremento estimado em 6,48%, elevando a massa salarial em aproximadamente R$ 2,18 bilhões anuais.

Para além de uma obra de infraestrutura, a ferrovia será um importante instrumento de geração de oportunidades e melhoria da qualidade de vida. Outro diferencial é a localização estratégica do terminal ferroviário, ao lado do Distrito Industrial de Cuiabá, com acesso à BR-070, ao Porto Seco, ao Aeroporto Internacional Marechal Rondon e à rede de gás natural. Essa integração criará um polo logístico e industrial capaz de atrair novas agroindústrias, fortalecer o setor produtivo e reduzir os custos de transporte em até 30%, beneficiando toda a região do Vale do Rio Cuiabá.

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A CDL Cuiabá atua como protagonista nesse processo. Participa do Fórum Pró-Ferrovia ao lado da Assembleia Legislativa, da Prefeitura, de entidades empresariais e da sociedade civil, defendendo o projeto com base em estudos técnicos. Nosso Núcleo de Inteligência acompanha indicadores de emprego, renda e atividade econômica e continuará monitorando os impactos da ferrovia para subsidiar políticas públicas e decisões empresariais.

Um dos principais desafios será a qualificação da mão de obra. Para que os novos postos de trabalho sejam ocupados por cuiabanos, será necessário ampliar os investimentos em educação profissional. O sucesso do projeto dependerá não apenas dos trilhos, mas também de políticas voltadas à formação de trabalhadores, à infraestrutura urbana e a um ambiente favorável aos investimentos.

A CDL Cuiabá também defende um cronograma público, com prazos definidos e acompanhamento permanente da sociedade. A transparência e o diálogo entre o poder público, a iniciativa privada e a comunidade são fundamentais para garantir a execução eficiente do projeto.

A ferrovia é um projeto coletivo. Seu sucesso depende da união entre empresários, trabalhadores, poder público e sociedade civil. Ao reduzir custos logísticos, atrair investimentos e ampliar a atividade industrial, Cuiabá deixará de ser predominantemente um centro de serviços para consolidar-se como um importante polo logístico e industrial.

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A primeira etapa da ferrovia, entre Rondonópolis e Dom Aquino, já demonstra que o projeto está em andamento. Agora, o desafio é garantir que a extensão até Cuiabá seja executada dentro do cronograma previsto.

A CDL Cuiabá, dentro do seu propósito de unir forças para transformar a capital no melhor lugar para empreender e morar, continuará atuando para que esse projeto se torne realidade. Mais do que uma obra de infraestrutura, a ferrovia representa uma oportunidade histórica de fortalecer a competitividade da capital, gerar empregos, ampliar a renda e construir uma cidade mais próspera e preparada para o futuro.

Júnior Macagnam é empresário do setor da moda há mais de 20 anos e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá).

 

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Recomeçar depois dos 60 exige coragem para abrir novas portas

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Por Isolda Risso

Tive a oportunidade de observar durante a vida que existe uma crença silenciosa que nos envolve ainda muito novos e diz que há uma idade para começar e outra para encerrar sonhos. Imobilizante, ela nos conta que ao cruzarmos determinadas idades, é esperado que nosso ritmo diminua, que nossos sonhos se reduzam e que as expectativas sejam deixadas de lado para a comodidade. Para mim, o tempo ensinou algo diferente.

Agora, após os 60 anos, todo ato de recomeçar se torna uma escolha de maturidade, e não apenas um privilégio exclusivo da juventude. Nos anos que passaram, tive a oportunidade de construir uma carreira como empresária, profissional, mãe e mulher, da mesma forma que vivi todos os desafios que cada uma dessas partes exigiu de mim, desde a educação dos filhos, a administração das responsabilidades, as perdas, mudanças e transformações.

Muito antes de aprender a escutar a mim mesma e compreender com profundidade o que meu espírito pedia, eu já atendia todas essas demandas do mundo externo, como nós mulheres sempre somos ensinadas a fazer. Talvez seja por isso, então, que a liberdade me venha com tanta facilidade nesta idade, porque o sentimento de ter me doado em todas essas frentes impulsiona a minha coragem de recomeçar, mesmo em uma idade que muitas pessoas optam por pouparem esforços em frente ao medo de tentar de novo.

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Estes recomeços não apagam toda a história da minha vida, tampouco deixam de lado os momentos importantes que me formaram. São justamente eles, na realidade, usados como base para traçar novos caminhos, porque se eu não tivesse a maturidade que adquiri em vida, tendo me dedicado em cada momento dela, eu não teria a coragem para dar um novo passo, mesmo sentindo medo.

Nesta altura da humanidade, nós já vivemos mais do que nossas gerações anteriores, temos mais saúde, mais acesso a tecnologias que auxiliam no dia a dia, mais autonomia mesmo depois de determinada idade e, principalmente, mais ferramentas para encontrarmos quem realmente somos no mundo. Temos todos os meios para nos descobrirmos, aprender coisas novas e reencontrar versões de nós mesmos que ficaram para trás. Ainda assim, muitas pessoas permanecem aprisionadas pela ideia de que já passou o tempo de mudar de profissão, aprender algo novo, iniciar um relacionamento, empreender ou desenvolver um talento adormecido.

É por isso que, para mim, faz sentido acreditar que posso aprender mais. Que posso voltar a estudar, descobrir um novo propósito, abrir um negócio, viajar sozinha ou com amigas, ler um livro, plantar um jardim ou simplesmente me permitir experimentar algo que eu jamais considerei antes. A idade não me limita, ela não proíbe os meus recomeços, mas ela me permite compreender que eu ainda estou em construção, mesmo depois dos sessenta anos.

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Durante minha caminhada, descobri que existe uma diferença importante entre envelhecer e amadurecer. O envelhecer é inevitável, esse processo humano que muitas vezes é rigoroso conosco, mas que também pode ser muito belo quando aceitamos as marcas do tempo e tudo que elas significam para nós. Já amadurecer é uma escolha consciente de continuar aprendendo, crescendo e se transformando, e talvez seja por isso que eu me defina como uma aprendiz da vida.

Recomeçar não exige juventude, mas exige muita coragem. E, muitas vezes, é justamente nesta maturidade, depois de uma vida inteira de experiências, que encontramos o impulso de coragem de tentar novamente.

Isolda Risso é empresária, cronista, coach de vida e terapeuta. Mulher 60+, mãe de um lindo casal de filhos, é graduada em Gastronomia, entusiasta da arteterapia e apaixonada por fotografia e arranjos florais. Curiosa de nascença, define-se como uma aprendiz da vida e um ser a caminho da evolução

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