CIDADES
Regularização fundiária moderniza gestão territorial e impulsiona economia em 33 municípios
Com quase 81 mil imóveis regularizados em 33 municípios, GeoGis reforça avanço da regularização fundiária e atualização cadastral no país
A modernização do cadastro territorial tem se consolidado como uma das principais estratégias para fortalecer as finanças dos municípios brasileiros sem aumento de impostos. Em meio às dificuldades fiscais enfrentadas pelas prefeituras, iniciativas de regularização fundiária e atualização cadastral vêm ampliando a arrecadação, reduzindo a informalidade e melhorando o planejamento urbano.
O tema ganhou ainda mais relevância com a implementação do Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), conhecido como o “CPF dos imóveis”, que passou a integrar dados de cartórios, prefeituras e Receita Federal. O sistema permite maior controle sobre imóveis irregulares, construções fora do cadastro oficial e propriedades que ainda não integram a base tributária municipal.
Hoje, estima-se que cerca de metade dos imóveis brasileiros apresente algum tipo de irregularidade documental ou cadastral. Em muitos casos, isso significa imóveis sem atualização de IPTU, construções não registradas oficialmente ou propriedades sem regularização completa.
Nesse cenário, empresas especializadas em gestão territorial vêm ganhando protagonismo. Em Mato Grosso, a GeoGis já regularizou 80.996 imóveis por meio da emissão de Certidões de Regularização Fundiária (CRF), em 33 municípios, beneficiando milhares de famílias e ampliando a capacidade de arrecadação das cidades atendidas.
Além da regularização documental, os projetos permitem atualizar bases territoriais, identificar inconsistências cadastrais e ampliar o controle sobre áreas urbanas. O reflexo é direto na gestão pública: com informações mais precisas, os municípios conseguem melhorar a cobrança de tributos, planejar investimentos e organizar serviços essenciais.
O avanço da regularização fundiária também tem mobilizado parlamentares de diferentes regiões do país. Durante evento sobre gestão territorial, o deputado federal pela Paraíba, Mersinho Lucena destacou que a falta de documentação ainda impede a chegada de investimentos públicos em milhares de comunidades.
“Quando uma área não está regularizada, o Poder Público fica impedido de levar infraestrutura, saneamento, escolas e outros serviços essenciais. A regularização fundiária é uma ferramenta que garante segurança jurídica e permite que as políticas públicas cheguem a quem mais precisa”, afirmou Lucena.
Outro exemplo vem de Maceió (AL), onde a GeoGis participa de um programa de regularização fundiária com previsão de alcance de 5 mil imóveis. Até o momento, 492 unidades já foram regularizadas na capital alagoana.
Especialistas apontam que a atualização cadastral se tornou uma ferramenta estratégica para as cidades. Um cadastro desatualizado reduz a eficiência da arrecadação e limita o planejamento urbano, afetando diretamente áreas como infraestrutura, pavimentação, saneamento e habitação.
Além do impacto fiscal, a regularização fundiária também movimenta a economia. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros precisem de algum tipo de regularização. O levantamento aponta ainda que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Segundo o estudo, imóveis regularizados podem alcançar valorização de até 30%, além de ampliar o acesso ao crédito, facilitar financiamentos e aumentar a segurança jurídica dos proprietários.
Para o deputado federal Augusto Coutinho, a regularização fundiária continua sendo uma das principais demandas da população em áreas urbanas consolidadas. Segundo ele, moradores de comunidades visitadas recentemente em Pernambuco relataram viver há décadas em seus imóveis sem possuir a documentação definitiva.
“A regularização traz dignidade às famílias. Com a posse formal do imóvel, o cidadão passa a ter acesso ao crédito, pode investir na própria casa e conquista uma segurança que muitas vezes esperou por décadas”, destacou o parlamentar.
Para gestores públicos, o avanço da tecnologia aplicada à gestão territorial também representa mais transparência e redução de fraudes nas transações imobiliárias. A expectativa do setor é que a modernização cadastral se consolide nos próximos anos como uma das principais ferramentas de fortalecimento financeiro das cidades brasileiras.
CIDADES
TCE-MT aprova contas de Alto Garças, Guiratinga e Araguaiana com superávit de R$ 50,9 milhões
Com equilíbrio das contas públicas, dinheiro em caixa para honrar obrigações e cumprimento dos principais limites constitucionais e legais, as contas anuais de governo dos municípios de Alto Garças, Guiratinga e Araguaiana, referentes ao exercício de 2005, receberam parecer prévio favorável à aprovação do Plenário do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Sob relatoria do conselheiro Waldir Teis, os balanços foram apreciados na sessão ordinária do último dia 29.
Em seu voto, o conselheiro ressaltou a importância de uma análise ampla das contas públicas, para além dos dados fiscais. “É imperioso que sejam analisados o panorama socioeconômico do município e a gestão financeira e contábil propriamente dita, a fim de possibilitar uma avaliação real do desempenho das contas públicas, bem como do cumprimento, pelo chefe do Executivo, de seu dever de preservação do equilíbrio fiscal e de gestão responsável na elaboração e execução do orçamento, que é o eixo central da responsabilidade fiscal.”
Alto Garças, Guiratinga e Araguaiana mantiveram o equilíbrio fiscal e encerraram o exercício com arrecadação superior às despesas executadas, com superávit orçamentário de R$ 21,5 milhões, R$ 17,9 milhões e R$ 11,5 milhões, respectivamente.
Os três municípios também encerraram o ano com disponibilidade financeira líquida positiva, o que garantiu capacidade financeira para cobrir suas obrigações imediatas. A disponibilidade líquida foi de R$ 22 milhões para Alto Garças, R$ 17,13 milhões para Guiratinga e R$ 5,5 milhões para Araguaiana.
Os municípios também cumpriram os limites e percentuais constitucionais e legais, requisitos indispensáveis para o parecer prévio favorável. Na Manutenção e Desenvolvimento do Ensino, a aplicação mínima de 25% foi atendida por Alto Garças (25,49%), Guiratinga (25,65%) e Araguaiana (30,86%). A valorização dos profissionais do magistério também foi superior ao mínimo de 70%, com aplicações de 91,95%, 97,30% e 91,23%, respectivamente. Na área da saúde, Alto Garças aplicou 31,83%, Guiratinga, 17,63% e Araguaiana, 22,82%.
Os três municípios ainda mantiveram seus gastos com pessoal (Executivo, Legislativo e consolidado do município) abaixo do máximo estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Com o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento da gestão, o relator expediu recomendações com diretrizes para o fortalecimento da governança, a regulação e a transparência das informações do saneamento básico, a adoção de melhorias nos procedimentos contábeis para o registro apropriado por competência das despesas trabalhistas, além da adequação da base de cálculo do adicional de insalubridade e da intensificação das ações de vigilância epidemiológica conduzidas pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e pelos Agentes de Combate às Endemias (ACE).
O relator acolheu integralmente o parecer do Ministério Público de Contas sobre as contas de Alto Garças, que receberam parecer prévio favorável com ressalvas, e parcialmente a respeito das contas de Guiratinga e Araguaiana. Os votos foram seguidos por unanimidade do Plenário.
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