cultura
Coro Experimental MT apresenta “Um Ney para Cada Um” no Cine Teatro Cuiabá
Espetáculo inédito faz uma releitura da obra de Ney Matogrosso e conta com a participação especial do cantor Renato Braz
Quando você pensa em Ney Matogrosso, qual é a primeira ideia que lhe vem à cabeça? As respostas são múltiplas, devido à versatilidade e à longevidade da carreira de Ney, um dos maiores intérpretes da música brasileira em atividade. Temos o Ney irreverente e iconoclasta do grupo Secos & Molhados, o Ney refinado que interpreta Villa-Lobos, Cartola e Noel Rosa; o Ney sapeca, sagaz e sempre muito sensual, desafiando o tempo e esbanjando energia aos 84 anos. Em seu nono ano de vida, o Coro Experimental MT (CEMT) homenageia o artista sul-mato-grossense no espetáculo “Um Ney para Cada Um”, a ser apresentado no Cine Teatro Cuiabá, no dia 21 de maio (quinta-feira).
“Escolher Ney Matogrosso é, antes de tudo, escolher um artista que rompeu padrões — não só pela sua voz absolutamente singular, mas pela coragem estética, corporal e política com que sempre se colocou no mundo. Ney representa a liberdade de ser múltiplo, de não caber em rótulos, e isso dialoga diretamente com o que buscamos enquanto coro: expandir possibilidades”, afirma Jefferson Neves, diretor artístico do CEMT.
E como se não bastasse a escolha de Ney Matogrosso como tema da próxima apresentação — é a primeira vez que o CEMT cria um espetáculo focado na obra de um artista —, o grupo contará com uma participação muito especial. O cantor paulista Renato Braz, outra voz impecável que dá vida a um repertório diversificado e sofisticado, subirá ao palco do Cine Teatro Cuiabá com os coralistas do CEMT.
“Ney é uma das minhas primeiras referências como artista e até hoje continua sendo muito importante para mim. Por isso, poder prestar essa homenagem a ele é motivo de grande alegria”, afirma Renato Braz. Aos 57 anos, ele ainda se recorda de uma passagem da infância. “Eu tinha três ou quatro anos e me lembro de estar na sala de casa quando alguns parentes me perguntaram o que queria ser quando crescesse. Respondi que queria ser cantor e não tive dúvidas em apontar como minha inspiração o vocalista do grupo Secos & Molhados, que tinha um público infantil muito grande.”
Cantar em Mato Grosso tem outro sabor especial para Renato Braz: além de rever amigos como a cantora Vera Capilé (integrante do CEMT, com quem dividiu os palcos numa turnê internacional do Projeto Pixinguinha em 2004), o cantor está retornando ao estado de suas raízes. “É muito importante voltar ao lugar que me deu minha mãe, minha música — tudo aquilo que me fez ser cantor”, conta Renato, numa referência ao Mato Grosso anterior à divisão do estado, ocorrida em 1977. Ele diz que tem sangue guarani por parte de pai e mãe.
Para Jefferson Neves, contar com a presença de Renato Braz — um intérprete de extrema sensibilidade e dono de uma voz igualmente única — é uma grande honra para o CEMT.
“Não é apenas um convite artístico, é um encontro de universos que se reconhecem. Renato tem uma capacidade muito rara de atravessar a canção com verdade e profundidade emocional, algo que dialoga diretamente com o próprio Ney. Ter Renato conosco fortalece ainda mais a proposta do espetáculo: múltiplas vozes, múltiplas leituras, múltiplos Neys coexistindo em cena.”
Tuanny Godoi, que divide a direção do CEMT com Neves desde 2017, afirma que a vinda à capital mato-grossense de Renato Braz, um intérprete com reconhecimento nacional e internacional, é “uma oportunidade muito rica, de aprendizado e ampliação de escuta” para os integrantes do Coro Experimental.
Para Vera Capilé, trazer Renato Braz para participar de um espetáculo do CEMT é motivo de grande alegria.
“Estou unindo dois amores que me encantam muito: essa amizade gostosa com o Renato e minha paixão pelo Coro Experimental, do qual faço parte há quase 10 anos. Estou muito feliz, realizada”, comenta a veterana cantora, que destaca ainda a felicidade de subir ao palco do Cine Teatro Cuiabá junto com o seu amado Waldir Bertúlio.
Um mergulho na diversidade – Mas, afinal, o que o público pode esperar desse novo espetáculo? Segundo Jefferson Neves, a ideia de “Um Ney para Cada Um” surge do desejo de mergulhar na diversidade — de timbres, interpretações e identidades. A proposta é que cada integrante do coro encontre “o seu próprio Ney”, e ela será compartilhada com o espectador, que poderá se encontrar com o “seu Ney”, ao se deliciar com canções como “O Patrão Nosso de Cada Dia” e “O Vira” (da fase dos Secos & Molhados), “Homem com H”, “Rosa de Hiroshima”, “Sangue Latino” e “Pro Dia Nascer Feliz”, entre outras.
“Este trabalho tem sido um laboratório criativo muito rico para mim como diretor musical. Estou experimentando novas sonoridades nos arranjos, explorando outras texturas vocais e propondo desafios diferentes para o coro, tanto tecnicamente quanto expressivamente”, diz Neves, conhecido por seus múltiplos talentos como arranjador, cantor, maestro, pianista, escritor e roteirista. A propósito, todos os arranjos do novo espetáculo são de sua autoria. O espetáculo contará ainda com a participação especialíssima dos músicos Marinho Sete Cordas (no violão) e Juliane Grisólia (na percussão).
Quem acompanha as apresentações do Coro Experimental desde o primeiro “A Tempo”, encenado há quase nove anos, sabe que há sempre uma preocupação cênica, estética e conceitual muito forte, muito além da execução musical. “O novo espetáculo segue esta linha, de forma ainda mais ousada. O público pode esperar um coro em movimento, explorando contrastes, dramaticidade e uma construção coletiva que valoriza as individualidades. É um espetáculo que transita entre o íntimo e o explosivo, entre o delicado e o visceral — exatamente como o universo do Ney propõe”, detalha Neves.
“Além disso, estamos lidando com um repertório que exige entrega emocional e presença cênica intensa. Então não é apenas um concerto: é uma experiência performática, em que voz, corpo e interpretação estão completamente integrados”, conclui.
O CEMT é um coro independente e atualmente conta com o apoio do Instituto Ciranda – Música e Cidadania. A produção dos espetáculos é realizada de forma coletiva pelos integrantes do grupo, com destaque para alguns cantores que contribuem com sua expertise, entre eles a artista visual Rosylene Pinto, responsável pela idealização e confecção dos cenários, e o fashionista Luiz Pita, que elabora e coordena a proposta de figurino dos coralistas. É importante destacar também a participação do violoncelista Thiago Gasparini, integrante do naipe dos baixos e barítonos.
Mais sobre Renato Braz – O cantor paulistano Renato Braz é uma das referências obrigatórias no atual cenário da música brasileira. Desde seu disco de estreia, “Renato Braz” (1996), que lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Sharp como melhor disco na categoria revelação, ele vem conquistando admiradores em todo o país e no exterior. Ao longo das três últimas décadas, ganhou diversos prêmios e lançou mais de uma dezena de álbuns, com a participação de artistas renomados, consolidando uma carreira reconhecida em nível nacional e internacional. Em sua participação no espetáculo “Um Ney para Cada Um”, Renato apresentará alguns solos e cantará com o CEMT.
Serviço
O que: Espetáculo “Um Ney para Cada Um”
Quando: 21 de maio de 2026 (quinta-feira), às 20h
Onde: Cine Teatro Cuiabá
Compra de ingressos: https://daningressos.com.br/eventos/um-ney-pra-cada-um-14856.html
cultura
Projeto Teatreiras em Cena encerra atividades refletindo sobre acesso e acessibilidade cultural
O Projeto Teatreiras em Cena encerrou suas oficinas no Instituto Federal de Mato Grosso, trazendo para a equipe e também para o público uma reflexão sobre acesso e acessibilidade cultural.
Foram realizadas cinco oficinas, nas quais o teatro se tornou uma ferramenta eficaz para que os participantes desenvolvessem experiências socioemocionais e também obtivessem mais instrumentos para suas práticas profissionais.
Tais instrumentos e ferramentas não foram oportunizados apenas ao público participante, mas também à equipe, que se envolveu em um aprendizado mais aprofundado sobre acesso e acessibilidade cultural — tema presente no âmbito da Aldir Blanc, por meio da Instrução Normativa (IN) MinC nº 10, de 28 de dezembro de 2023 —, explica Naine Terena, uma das “Teatreiras em Cena”.
Terena integrou a equipe do Ministério da Cultura, comandando a diretoria responsável pela coordenação de acesso e acessibilidade cultural, com foco nas diferentes maneiras de atuar junto a pessoas com deficiência. Para ela, a presença dessas medidas nos editais do PNAB é essencial para que equipes de projetos possam se preparar e ampliar a participação de pessoas com deficiência, tanto como público quanto como realizadoras culturais. “Estamos caminhando, ainda que lentamente, para ter essa equipe mais diversa, mas seguiremos firmes neste objetivo”, pondera.
Nesse sentido, Alicce Oliveira, atriz que conduziu as oficinas, aponta que uma das principais reflexões foi a urgência de ampliar projetos que garantam a participação integral das pessoas com deficiência (PCDs). Ela explica que as oficinas de jogos teatrais desenvolvidas no projeto foram cuidadosamente adaptadas para esse público. Entre os desafios, destacou-se a condução de uma mesma oficina para um grupo diverso, com necessidades específicas em cada proposta apresentada.
Para Alicce, ainda que o processo seja inicial, ficou evidente a troca potente e o aprendizado significativo entre os participantes. “Fica claro que nós, produtores culturais, ainda temos muito a aprender e a aprimorar no atendimento às pessoas com deficiência. Com o fortalecimento de políticas públicas como a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), esse movimento de inclusão vem sendo ampliado no setor cultural, abrindo caminhos importantes para uma atuação mais democrática e diversa.”
No Teatreiras em Cena, algumas ações foram direcionadas para o campo da formação da equipe e para o apoio ao fortalecimento das políticas de acessibilidade — especialmente a arquitetônica, atitudinal e comunicacional.
Em relação ao preparo da equipe, ocorreram aulas focadas na formação para as políticas de acessibilidade atitudinal e comunicacional, abordando pontos específicos sobre as relações estabelecidas com pessoas com deficiência.
Foram ofertadas 4 horas de atividade, divididas em dois dias de encontros online. O projeto também abriu vagas nas oficinas, recebendo pelo menos uma pessoa com deficiência em suas atividades. Já no campo da acessibilidade arquitetônica e comunicacional, o projeto ofereceu aos locais que receberam as atividades: um par de placas em braile para banheiros feminino e masculino, seis capas de encosto de cadeira (prioritário) e 19 adesivos em vinil de sinalização para cadeirantes e Libras.
O projeto é financiado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio do Governo de Mato Grosso/SECEL-MT, via Edital Viver Cultura.
Sobre os desafios, Mazé Oliveira, produtora executiva, avalia que há diversos aspectos a serem considerados — desde questões práticas, como visitas aos espaços para compreender as necessidades de cada um, até desafios logísticos e financeiros, como onde encontrar itens que atendessem às demandas e coubessem no orçamento.
“Tudo isso foi pensado e negociado para que pudéssemos fazer as entregas da melhor forma, tanto aos espaços quanto ao projeto, respeitando a legislação vigente. Penso que iniciamos uma caminhada mais consciente, entregando capacitação à equipe, kits de acessibilidade arquitetônica aos espaços e uma oficina mais inclusiva para o público PcD participante. No entanto, quando o assunto é acessibilidade, temos muito o que melhorar e aprender — e nada como a prática cotidiana para entendermos isso. Projetos bem planejados e executados têm muito a contribuir nesse quesito, mas ainda carecemos de mais conscientização, mais políticas públicas estruturantes e perenes e mais orçamento realista”, finaliza.
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