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Dia das Mães: cuidar da saúde da mulher é cuidar de toda a família

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Por Mariana Ramos

O Dia das Mães costuma ser marcado por homenagens, encontros e demonstrações de carinho. Mas, em meio à rotina intensa de cuidar da família, administrar a casa, trabalhar e dar conta de tantas responsabilidades, muitas mulheres acabam deixando a própria saúde em segundo plano.

A verdade é que cuidar da saúde da mulher é também cuidar de toda a família. Quando uma mãe adoece, toda a dinâmica familiar sente os impactos — físicos, emocionais e até sociais. Por isso, o autocuidado precisa deixar de ser visto como um luxo e passar a ser encarado como uma necessidade.

Na endocrinologia, é muito comum atender mulheres que convivem por anos com sintomas silenciosos, acreditando que o cansaço constante, a irritabilidade, a dificuldade para emagrecer, a queda de cabelo, as alterações no sono ou a falta de energia são apenas consequências naturais da rotina. No entanto, esses sinais podem indicar desequilíbrios hormonais importantes.

Problemas na tireoide, resistência à insulina, diabetes, alterações hormonais relacionadas à menopausa, obesidade e deficiência de vitaminas estão entre as condições mais frequentes e que impactam diretamente a qualidade de vida feminina. Muitas dessas doenças evoluem de forma silenciosa e, quando não acompanhadas adequadamente, podem comprometer não apenas a saúde física, mas também o bem-estar emocional da mulher.

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Outro ponto importante é que a sobrecarga feminina também se reflete no organismo. O estresse crônico, a privação de sono e a exaustão física influenciam o metabolismo e favorecem o ganho de peso e desequilíbrios hormonais.

Por isso, o acompanhamento médico regular é fundamental. A prevenção continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para garantir qualidade de vida, longevidade e bem-estar. Realizar exames periódicos, investigar sintomas precocemente e manter hábitos saudáveis faz diferença em todas as fases da vida da mulher.

Neste Dia das Mães, além das homenagens, fica também um convite à reflexão: quem cuida de todos também precisa ser cuidado. Priorizar a própria saúde não é egoísmo — é um ato de responsabilidade consigo mesma e com aqueles que ama.

Porque uma mulher saudável vive com mais disposição, equilíbrio e qualidade de vida — e isso reflete diretamente em toda a família.

Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
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Araguaia: uma região de enorme potencial que precisa ser ouvida

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Por Natasha Slhessarenko

Durante muitos anos, a região do Araguaia foi conhecida como o “Vale dos Esquecidos”. A expressão, forte e dolorosa, traduz o sentimento de uma população que, apesar de viver em uma das regiões mais belas e promissoras de Mato Grosso, ainda convive com desafios históricos relacionados à infraestrutura, à saúde, à geração de oportunidades e à presença efetiva do poder público.

Recentemente, percorri 18 municípios da região em uma jornada intensa de escuta e diálogo. Foram dias de estrada, reuniões e conversas com moradores, lideranças comunitárias, representantes do setor produtivo, profissionais de saúde, educadores, povos indígenas e gestores locais. Mais do que uma viagem, foi uma oportunidade de olhar nos olhos das pessoas e compreender, de forma direta, as necessidades e os sonhos de quem constrói diariamente essa importante parte do nosso estado.

O Araguaia reúne vocações extraordinárias. A força do agronegócio, o potencial para a industrialização, a riqueza cultural e as belezas naturais, especialmente ao longo do Rio Araguaia, revelam uma região com enorme capacidade de crescimento. No entanto, esse potencial ainda esbarra em limitações estruturais que impedem que o desenvolvimento aconteça em toda a sua plenitude.

Uma das demandas mais recorrentes foi a necessidade de acelerar o processo de industrialização. Produzir é fundamental, mas agregar valor à produção local é o caminho para gerar empregos, ampliar a renda e criar novas perspectivas para os jovens e para as famílias da região. Ao mesmo tempo, ficou evidente a importância de investir na qualificação profissional, preparando a mão de obra para aproveitar as oportunidades que podem surgir com a expansão econômica.

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O turismo também desponta como uma grande possibilidade. Poucos lugares em Mato Grosso possuem uma combinação tão singular de natureza exuberante, cultura e hospitalidade. O Rio Araguaia é um patrimônio de valor incalculável. Com planejamento, infraestrutura e incentivo adequado, a região pode se consolidar como um dos principais destinos turísticos do estado e do país.

Na área da infraestrutura, embora avanços importantes tenham sido realizados, como o asfaltamento de trechos da BR-158, ainda há muito a ser feito. Estradas em melhores condições representam segurança, integração regional, redução de custos logísticos e maior acesso a serviços essenciais.

Na saúde, o que ouvi reforçou uma realidade conhecida por quem atua há anos nessa área: a interiorização da assistência especializada é uma necessidade urgente. A ampliação da oferta de médicos especialistas, exames de maior complexidade e leitos de UTI pode reduzir a necessidade de longos e desgastantes deslocamentos até centros maiores, muitas vezes em situações delicadas e com risco para os pacientes.

Tive também a oportunidade de conversar com representantes do povo Povo Xavante, cuja presença é parte fundamental da identidade do Araguaia. Em alguns municípios da região, os povos indígenas representam cerca de 60% da população, o que evidencia a necessidade de políticas públicas que alcancem de forma efetiva essas comunidades, respeitando suas especificidades culturais e garantindo acesso à saúde, educação e demais serviços essenciais para assegurar qualidade de vida e dignidade aos povos originários.

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Ao final dessa experiência, retornei com a convicção de que o Araguaia não pode mais ser lembrado pelo abandono, mas reconhecido por sua força, por sua diversidade e por seu imenso potencial. Ouvir a população é o primeiro passo para compreender com profundidade os desafios e construir soluções que façam sentido para quem vive a realidade local.

Mato Grosso é um estado de dimensões continentais e de enorme riqueza. O desenvolvimento, no entanto, só será pleno quando alcançar cada município, independentemente do seu tamanho ou da distância da capital. Nenhuma comunidade deve ficar à margem do progresso.

O Araguaia tem pressa, tem vocação e tem futuro. E esse futuro começa quando transformamos a escuta em compromisso e o compromisso em ação.

Dra. Natasha Slhessarenko é médica, empresária e servidora pública em Mato Grosso.
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