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Sérgio Ricardo anuncia construção da 1ª Instituição Pública de Longa Permanência para idosos em Cuiabá

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Sérgio Ricardo defendeu a estruturação de políticas públicas voltadas às pessoas com mais de 60 anos | Foto: Tony Ribeiro

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, destacou o papel do órgão no avanço do atendimento à população idosa no estado durante a apresentação do projeto da primeira Instituição Pública de Longa Permanência para Idosos (ILPI) de Cuiabá, nesta terça-feira (7). A obra será executada em uma área de 1,2 hectare doada pelo Tribunal de Contas e marca a continuidade de um trabalho que inclui levantamento sobre o tema, definição de diretrizes e mobilização institucional para ampliar a rede de acolhimento.   “Mato Grosso está envelhecendo. Temos quase 500 mil pessoas com mais de 60 anos, o que representa 12,5% da população estadual. E o mais preocupante é que mais de 53% dessa população idosa está em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Então, este é um dia de resultados, voltado para o futuro e para as pessoas que enfrentam desigualdades, que estão cada vez mais desassistidas” afirmou Sérgio Ricardo.

Para o presidente, a unidade da Capital servirá como modelo para os outros municípios. “As minhas expectativas foram totalmente superadas. Eu não imaginava que seria isso tudo, principalmente na questão da humanidade. Não é um lugar para ficar, é um lugar para morar, onde a pessoa vai se sentir bem, criar vínculos e conviver.”

Autoridades e representantes dos idosos destacaram que trabalho preencherá lacuna histórica. Clique aqui para ampliar
Autoridades e representantes dos idosos destacaram que trabalho preencherá lacuna histórica. 

Ao explicar o que o projeto garantirá um ambiente mais humanizado aos moradores, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, destacou que a implantação da unidade só foi possível a partir da parceria com o TCE-MT. “Esse terreno a gente tem que ser muito grato ao Tribunal de Contas. Por isso eu fiz questão de apresentar esse projeto aqui. Esse projeto não existe sem a parceria do Tribunal, em especial do conselheiro Sérgio Ricardo e dos demais conselheiros, porque o terreno é deles”, afirmou.

Articulação e financiamento

Segundo Sérgio Ricardo, o desembargador Orlando Perri, que é coordenador do Comitê Estadual de Amparo e Proteção à Pessoa Idosa, foi fundamental para viabilização do projeto ao articular instituições e garantir os recursos para a construção de outras quatro unidades no estado. As obras contarão com R$ 21 milhões oriundos de acordo de delação premiada homologada pelo Judiciário e R$ 25 milhões destinados por meio de emenda parlamentar da deputada Amália Barros (in memoriam). O restante será aportado pelo Governo Estadual e, após a conclusão, as instituições serão custeadas pelos municípios.

Por sua vez, Perri chamou a atenção para a necessidade de ampliar as fontes de financiamento e envolver a iniciativa privada na manutenção das instituições. “Temos empresas fortes no estado que podem contribuir com ações sociais. O fundo do idoso não pode depender apenas do orçamento público. Se tivermos recursos suficientes, novas instituições vão surgir e ampliar essa rede de cuidado. É preciso construir essa base financeira para garantir sustentabilidade ao sistema “, pontuou.

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No mesmo sentido se pronunciou o promotor de Justiça Daniel Balan. “O desafio vai no seu custeio também, que é um valor considerável. Há um apagão dessa política a nível estadual, isso me chama a atenção”, afirmou. Ele também ressaltou que parte dos recursos investidos na obra tem origem em investigações conduzidas pelo Ministério Público. “Esse recurso foi fruto de investigação do Ministério Público, de ilícitos, e agora volta para a sociedade nesta instituição”, completou.

Já o procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), William Brito Júnior, apontou que o tema é prioritário. “É uma demanda silenciosa, porque não tem pessoas que falam pelos idosos”, afirmou. Além disso, defendeu que a pauta ganhe centralidade nas decisões de gestores e seja monitorada pelo TCE-MT na análise das contas de governo. “Esperamos que daqui para frente, haja uma mudança de chave para que possamos realmente olhar para os nossos idosos”, completou.

Falta de estrutura reforça necessidade de expansão 

O vice-presidente da Comissão dos Direitos dos Idosos da Câmara de Cuiabá, vereador Dilemário Alencar, avaliou que a iniciativa preenche uma lacuna histórica. “O último centro de convivência foi construído há mais de 17 anos. Então, essa unidade de longa permanência é muito importante, porque a população acima de 60 anos é a que mais cresce. Eu fico feliz, mas também reforço que precisamos avançar mais, inclusive com a construção de um centro médico voltado ao idoso, como já existe para a infância.”

Neste contexto, o vice-presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa de Cuiabá (COMDIPI), Jerônimo Urei, salientou que o fortalecimento das políticas passa também pela capacidade técnica e pelo uso adequado dos instrumentos de financiamento. “Hoje, poucos municípios têm estrutura para gerir os fundos do idoso, mas Cuiabá tem essa capacidade. Com estrutura e projetos bem-organizados, esse recurso pode fortalecer muito a política para a pessoa idosa” explicou.

O presidente do Sindicato dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Mato Grosso, Francisco Delmondes, reforçou o contexto de vulnerabilidade dessa população. “Nós visitamos municípios e assentamentos e encontramos muitas situações precárias. Há idosos sendo atendidos sem estrutura nenhuma. Esse público cresce muito e ainda é explorado, muitas vezes endividado. Então eu agradeço ao Tribunal de Contas por essa iniciativa, que vem beneficiar diretamente a comunidade.”

Projeto humanizado

Com área construída de 4.586 metros quadrados, a ILPI de Cuiabá terá capacidade para atender até 104 pessoas e contará com equipe multidisciplinar. “A gente está cuidando de três situações: daqueles pais que não tiveram os filhos gratos, daqueles que os filhos até querem cuidar, mas não têm condições, e daqueles que ficaram sozinhos. Cuidar de quem já cuidou da gente é mais do que dever, é um ato de gratidão” explicou o prefeito durante a apresentação.

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Segundo Abílio Brunini, cada módulo residencial abrigará até 16 idosos, em quartos compartilhados e integrados por jardins e corredores abertos. O projeto inclui refeitório, espaços de convivência, quiosques para atividades, sala de dança, academia, pilates e piscina térmica, além de área clínica para atendimento e transição de cuidados de saúde. “A minha intenção é que a gente tenha um condomínio fechado dos idosos. Não é um hospital ou um albergue, são um conjunto de lares”, afirmou.

O custo de manutenção está estimado entre R$ 5.200 e R$ 6.500 por idoso ao mês, e a gestão será feita por organização social, com fiscalização e custeio sob responsabilidade do município.

Diagnóstico orienta atuação do TCE-MT 

Além de doar a área para a implantação da unidade, o TCE-MT realizou um levantamento inédito que identificou falhas estruturais na rede de atendimento, como a ausência de conselhos em nove municípios e a inatividade de 34% dos conselhos já existentes em 2024.

O diagnóstico, elaborado pela Comissão Permanente de Saúde, Previdência e Assistência Social (COPSPAS), apontou por exemplo que 45 municípios não possuem fundo municipal organizado. Na prática, esse cenário limita a execução de políticas públicas mesmo quando há recursos disponíveis. “Cerca de 4 milhões de reais deixaram de ser utilizados por falhas estruturais. Dinheiro que poderia estar cuidando de idosos, estruturando serviços e fortalecendo a rede de proteção, mas que ficou parado porque o sistema não estava organizado”, explicou Sérgio Ricardo ao detalhar as ações do Tribunal. Diante disso, o TCE-MT formalizou as medidas por meio do Acórdão nº 93/2026, que estabelece a ativação de conselhos, a organização dos fundos e o fortalecimento da rede de atendimento.

A decisão também prevê integração entre saúde e assistência social, elaboração de planos de ação e monitoramento contínuo. Em outra frente, o Tribunal de Contas passou a integrar a Rede Nacional de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa (RENADI), articulação de órgãos públicos e sociedade civil voltada à proteção dessa população. Sérgio Ricardo reforçou que os gestores também poderão contar com o plano de metas Mato Grosso 2050 para fortalecer as políticas públicas para esta população. “Estamos formulando uma série de temas que deverão fazer parte de políticas de Estado. Não são políticas de governo, são políticas de Estado, e, entre os temas, está o atendimento à pessoa idosa”, concluiu.

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Sérgio Ricardo defende planejamento e vontade política durante apresentação da proposta de Plano Diretor de Cuiabá

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Presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, durante apresentação da minuta do novo Plano Diretor de Cuiabá | Foto: Tony Ribeiro

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, apontou que a transformação da realidade urbana de Cuiabá depende de decisão política e planejamento, durante a apresentação da minuta do novo Plano Diretor do município, nesta quarta-feira (29). Na ocasião, ele chamou a atenção para problemas estruturais como saneamento precário, expansão desordenada e déficit habitacional.

O encontro, realizado pela prefeitura na Escola Superior de Contas, abriu uma série de audiências públicas sobre o futuro da cidade, que há 17 anos não atualiza suas diretrizes de desenvolvimento urbano. O material foi detalhado pelo prefeito Abílio Brunini e pelo secretário de Planejamento, José Afonso Portocarrero, e reuniu vereadores, estudantes de arquitetura e representantes de diferentes instituições.

Para Sérgio Ricardo, o desenvolvimento deve considerar o enfrentamento de desigualdades urbanas. “Cuiabá e Várzea Grande serão cada vez mais centros de abandono e de miséria. Nós temos 80 favelas em Cuiabá e Várzea Grande. Se não tivermos planejamento, essa situação só vai piorar. Não vai melhorar se não tivermos estratégia e vontade política, porque é só com vontade política que muda.”

Neste contexto, falou sobre o impacto da falta de ordenamento, que marca a expansão da Capital. “Temos uma cidade em que 60% dos bairros nasceram de invasão. Então, é natural que ela enfrente uma série de problemas. Mas agora precisamos discutir para onde crescer e como crescer, incluindo a questão da área rural, com o avanço dos loteamentos novos que estão saindo.”

Ao ampliar o debate para o estado, o conselheiro-presidente defendeu o uso mais rigoroso de recursos públicos como forma de enfrentar o déficit habitacional e reduzir a precariedade nas moradias. “O governo tem que investir 16% do Fethab em habitação. No ano passado, o Estado arrecadou R$ 4 bilhões e, em vez de investir 16%, investiu 2,8%. Aí não tem jeito.”

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Segundo o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, o documento, batizado como “A cidade vive dos que vivem nela”, coloca o cidadão como protagonista. “O foco foi colocar a pessoa em primeiro lugar no planejamento urbano. Não o veículo, não a construção de concreto, mas sim a pessoa”, disse. “É um instrumento que aponta para onde nós queremos caminhar, o futuro da nossa cidade”, acrescentou.

Propostas para reorganizar a cidade

Apresentação Plano Diretor Prefeitura de Cuiabá
A proposta foi detalhada pelo prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini.

O Centro Histórico ocupa posição de destaque na proposta, com medidas voltadas à requalificação da área e à atração de investimentos. “Pela primeira vez, o Centro Histórico está no coração do Plano Diretor. Antes não tinha nada tratando dessa região. Agora nós temos o rebaixamento dos fios e a padronização das calçadas”, ressaltou o prefeito.

Com relação às diretrizes ambientais e habitacionais, Abílio afirmou que o objetivo é conciliar avanço populacional com a preservação, garantindo qualidade de vida no lazer, no esporte e no deslocamento. “Para mim, um dos pontos mais importantes são as mudanças na área ambiental, como a gente vai lidar com o meio ambiente e a parte de crescimento da população e crescimento habitacional.”

Para o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, José Afonso Portocarrero, as diretrizes permitirão corrigir distorções. “Nós pagamos um preço alto pelo crescimento desordenado e pela pavimentação excessiva da cobertura da cidade. Continuaremos crescendo, mas é importante agora que a gente pense em crescer com qualidade e em requalificar esses espaços que construímos.”

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Próximos Passos e Participação Popular

Ao todo, serão realizadas cinco audiências públicas em diferentes regiões da cidade e nos distritos rurais, como Sucuri, Guia e Dom Aquino. O objetivo é ampliar a participação da população, permitindo o envio de sugestões e críticas antes do encaminhamento final do projeto à Câmara Municipal.

“É uma minuta de projeto que está aberta a novas sugestões, porque nada é melhor do que discutir diretamente com a comunidade as suas necessidades. Então, nós acreditamos que muitos questionamentos feitos nas audiências serão explorados e muitas sugestões serão aceitas pelo prefeito”, pontuou a vereadora Katiuscia Manteli.

A proposta está disponível para consulta pública no site oficial da prefeitura, com acesso aberto para análise e envio de contribuições pela sociedade.

Confira o cronograma das audiências:

29 de abril | 19h Distrito do Sucuri – Restaurante Maria Isabel Rua das Flores, Distrito Sucuri Cuiabá – MT, CEP 78105-990

30 de abril | 19h Praça do Pedra 90 – na quadra Praça Ana Martinha da Silva Av. Newton Rabello de Castro, 403-455 Pedra 90, Cuiabá – MT, CEP 78099-040

04 de maio | 19h Ginásio Verdinho Rua Alenquer, CPA I Cuiabá – MT, CEP 78055-010

05 de maio | 19h Ginásio Dom Aquino Av. Carmindo de Campos, bairro Terceiro Cuiabá – MT, CEP 78015-300

06 de maio | 19h Distrito da Guia – Escola Municipal Benedita Xavier Rua Luiz Firmino da Fonseca, 94 Distrito da Guia, Cuiabá – MT, CEP 78104-000

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