Saúde
Cardiologista alerta: controle precoce de hipertensão e diabetes pode evitar internações por insuficiência cardíaca
A insuficiência cardíaca está entre as principais causas de internação por doenças cardiovasculares e continua sendo um dos maiores desafios para a saúde pública. Apesar dos avanços no tratamento, muitos pacientes chegam aos hospitais com a doença em estágio avançado, após conviver por anos com fatores de risco sem o controle adequado.
No Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca, celebrado em 9 de julho, a atenção se volta para uma condição que ainda é pouco reconhecida pela população, mas que pode comprometer progressivamente o funcionamento do coração e, em muitos casos, levar à hospitalização.
Para o cardiologista intensivista e responsável pelas UTIs do Hospital São Mateus, Sandro Andrey Nogueira Franco, grande parte desses casos poderia ter uma evolução diferente se doenças como hipertensão, diabetes e colesterol elevado fossem identificadas e tratadas precocemente.
“A insuficiência cardíaca é uma das principais causas de internação e mortalidade. Em muitos pacientes, esse quadro poderia ser evitado com o controle adequado dos fatores de risco e o acompanhamento médico regular. Quanto mais cedo identificamos essas alterações, maiores são as chances de preservar a função do coração e evitar complicações”, destaca.
O coração costuma dar sinais antes da descompensação
Falta de ar aos esforços, cansaço persistente, inchaço nas pernas, tornozelos e pés, ganho rápido de peso provocado pelo acúmulo de líquidos, palpitações e tosse persistente estão entre os sintomas mais frequentes. Como costumam surgir de forma gradual, muitas pessoas acabam associando essas manifestações ao envelhecimento ou ao sedentarismo.
Além da avaliação clínica, exames laboratoriais e métodos de imagem, como o ecocardiograma, são fundamentais para confirmar o diagnóstico e definir a melhor estratégia de tratamento.
Segundo o médico, procurar assistência logo nos primeiros sinais pode impedir que a doença evolua para quadros mais graves.
“Quando o paciente chega antes da descompensação, conseguimos iniciar o tratamento de forma mais precoce, controlar os sintomas e reduzir significativamente o risco de internações. Esse tempo faz diferença na evolução da doença e na qualidade de vida”, explica.
A prevenção continua sendo a melhor estratégia
Embora seja uma doença crônica, a insuficiência cardíaca pode ter seu risco reduzido por meio do controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, além da prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, abandono do tabagismo e acompanhamento médico periódico.
Na avaliação de Sandro Andrey Nogueira Franco, cuidar da saúde cardiovascular é uma atitude que produz resultados ao longo da vida.
“O acompanhamento contínuo permite identificar alterações antes que elas provoquem um comprometimento importante do coração. Prevenir continua sendo o melhor caminho para reduzir internações, preservar a qualidade de vida e garantir mais segurança aos pacientes”, reforça.
Saúde
Teste do Pezinho completa 50 anos e reforça importância do diagnóstico precoce
O Teste do Pezinho, principal exame de triagem neonatal realizado no Brasil, completa 50 anos em 2026. A data marca meio século de uma das mais importantes estratégias de saúde pública voltadas ao diagnóstico precoce de doenças genéticas, metabólicas e raras em recém-nascidos. Neste contexto, o Dia Nacional do Teste do Pezinho, celebrado neste sábado (06/06), reforça a importância da conscientização de famílias e profissionais de saúde sobre a realização do exame nos primeiros dias de vida do bebê.
Realizado por meio da coleta de gotas de sangue do calcanhar do recém-nascido, o exame deve ser feito entre o 3º e o 5º dia de vida, conforme recomendação do Ministério da Saúde. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), o teste permite identificar doenças como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, anemia falciforme e outras hemoglobinopatias, hiperplasia adrenal congênita, deficiência de biotinidase e toxoplasmose congênita.
A triagem neonatal começou a ser implantada no Brasil em meados da década de 1970 e representou um avanço significativo para a saúde pública ao possibilitar o diagnóstico de doenças graves antes mesmo do surgimento dos sintomas. Instituições como o Instituto Jô Clemente (IJC), antiga APAE de São Paulo, tiveram papel pioneiro na introdução do exame no país, contribuindo para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.
Ao longo das últimas décadas, o Teste do Pezinho tornou-se uma ferramenta essencial para reduzir complicações e mortes evitáveis na infância. Quando identificadas precocemente, muitas doenças podem ser controladas ou tratadas de forma eficaz, garantindo melhor qualidade de vida às crianças e suas famílias.
Para a médica Fernannda Pigatto Vilela, pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade Femina, em Cuiabá, o exame é fundamental para a saúde pública e para o desenvolvimento saudável dos recém-nascidos.
“Algumas doenças, quando detectadas logo no início da vida da criança, permitem que o bebê tenha acesso ao tratamento de forma assertiva, prevenindo complicações e, em alguns casos, sequelas irreversíveis que podem levar ao óbito. Por isso, o principal objetivo de realizar o teste do pezinho entre o 3º e o 5º dia de vida é justamente esse”, explica.
Além da versão básica disponibilizada pelo SUS, o Teste do Pezinho conta com modalidades ampliadas capazes de identificar dezenas de doenças raras e graves, chegando a mais de 50 enfermidades em alguns casos.
No entanto, o acesso à triagem ampliada ainda varia conforme a estrutura disponível em cada estado, o que pode gerar desigualdades no atendimento entre as redes pública e privada.
Fernannda destaca que a informação e a conscientização são fundamentais para garantir que todos os recém-nascidos tenham acesso ao exame dentro do prazo recomendado.
“Infelizmente, em algumas regiões, a dificuldade de acesso ao profissional impacta diretamente na realização do exame. Isso cria uma cadeia de problemas: a família não recebe a informação adequada, o exame não é coletado no tempo certo, o diagnóstico não é feito precocemente e o bebê pode não receber o tratamento necessário a tempo”, alerta.
Segundo a especialista, muitas das doenças detectadas pelo Teste do Pezinho não apresentam sinais clínicos nos primeiros dias de vida, o que torna a triagem ainda mais importante.
“Esse teste salva muitas vidas. Um exemplo é o hipotireoidismo congênito, que, quando detectado precocemente, permite que o bebê receba um tratamento simples e de baixo custo. Com isso, a criança pode ter uma vida completamente normal. No entanto, se o diagnóstico e o tratamento não forem realizados a tempo, o bebê poderá desenvolver consequências neurológicas graves e irreversíveis, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento cognitivo”, reforça.
A médica avalia ainda que as campanhas educativas têm contribuído para ampliar o conhecimento da população sobre o exame e sua importância.
“Acredito que, com as campanhas educativas, estamos conseguindo desmistificar o assunto. A orientação dada pelo profissional de saúde, especialmente o pediatra, à família no momento do nascimento, é fundamental. Quando a mãe é bem acolhida e recebe informações claras sobre a importância do teste, a adesão é muito maior”, conclui.
Especialistas ressaltam que o fortalecimento das ações de conscientização continua sendo um dos principais caminhos para ampliar a cobertura da triagem neonatal e garantir que mais crianças tenham acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado, reduzindo o risco de sequelas e promovendo um desenvolvimento saudável desde os primeiros dias de vida.
Sobre o Hospital e Maternidade Femina
Com mais de 45 anos de atuação, o Hospital e Maternidade Femina é referência em Pediatria, Obstetrícia, Ginecologia e Pronto Atendimento em Cuiabá, com funcionamento 24 horas. A unidade oferece atendimento de alta complexidade, com UTIs adulta, neonatal e pediátrica, além de laboratórios de análises clínicas, mantendo o compromisso com a segurança e a qualidade da assistência à saúde.
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