cultura
Aline Figueiredo lança “Ao Pé da Letra” e provoca a arte mato-grossense em novo livro
A escritora, crítica de arte e animadora cultural Aline Figueiredo lança o livro “Ao Pé da Letra – de como a arte mato-grossense provoca e se reinventa”, que apresenta um recorte atualizado e didático da produção artística local. O lançamento ocorrerá na próxima quinta-feira (12.3), às 19h, no Museu de Arte e de Cultura Popular (MACP) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.
“Aline é reconhecida como um dos principais nomes da história das artes e da cultura de Mato Grosso. É uma satisfação para nós, da Secel, possibilitar o lançamento desse conteúdo organizado a partir da experiência curatorial e do repertório crítico acumulado dessa mestre da cultura mato-grossense, que é responsável por descobrir e dar visibilidade a diversos artistas no Estado”, expressa o secretário adjunto de Cultura da Secel, Jan Moura.
‘Ao Pé da Letra’ reúne reproduções de obras de arte acompanhadas de textos elucidativos, mapas conceituais e contextualizações históricas. Entre os trabalhos analisados estão telas, desenhos, instalações, cerâmica e esculturas de diferentes artistas, como Humberto Espíndola, João Sebastião, Dalva de Barros, Gervane de Paula, Adir Sodré, Benedito Nunes, Regina Pena, Vitória Basaia, Paulo Pires, entre outros.
Para o jornalista Protásio Morais, autor do posfácio de ‘Ao Pé da Letra’, o livro reflete os enfrentamentos da sociedade, numa análise precisa do contexto sociopolítico e antropológico do nosso tempo.
“Aline se debruça sobre um rico acervo (parte dele já analisado por ela em outras ocasiões), porém, desta vez, a partir de uma perspectiva completamente original, evidenciando como algumas obras traduzem com precisão a realidade”, destaca.
De acordo com a autora, assim como ‘Arte aqui é mato’ [título de outro livro de Aline], a nova publicação também é uma locução popular.
“Por isso eu quis seguir o mesmo formato, a mesma ideia de diagramação, como se fossem livros irmãos. ‘Ao pé da letra’ é um livro com senso crítico enorme e está muito divertido, como os artistas foram descobertos e se descobriram, de como a arte mato-grossense provoca e se reinventa na plástica de uma ideia. São profundos, e a arte popular acabou se tornando erudita”, explica Aline.
A mestra da cultura
Crítica de arte, professora de História da Arte, animadora cultural, Aline Figueiredo teve um papel determinante para a revelação de vários artistas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do Centro Oeste, contribuindo para a descentralização da arte brasileira.
A filha de cuiabano, nascida em Corumbá (MS), é autora de diversos livros de referência sobre a arte em Mato Grosso e no Centro Oeste brasileiro, com importantes prêmios nacionais.
Participou ativamente da criação do Museu de Arte e de Cultura popular (MACP) da UFMT (1974), cujo acervo é um dos mais importantes do Estado.
Aline Figueiredo também esteve à frente da movimentação que levou à criação do Ateliê Livre da Fundação Cultural de MT, berço de inúmeros talentos das nossas artes.
Em 2021, foi homenageada como “Mestre da Cultura Mato-grossense” com o projeto ‘O Propósito de Aline’, do jornalista Rodrigo Vargas, que foi selecionado em edital da Secel – edição Lei Aldir Blanc.
Serviço:
Lançamento do livro “Ao Pé da Letra” – de Aline Figueiredo
Quando: quinta-feira (12.3), às 19h
Local: Macp – UFMT
(Av. Edgar Vieira – Boa Esperança, Cuiabá – MT)
Entrada livre
cultura
Museu do Morro da Caixa D’Água Velha reúne dois importantes nomes da poesia visual brasileira
A capital mato-grossense receberá, entre os dias 7 e 21 de junho, uma rara oportunidade de imersão na poesia visual contemporânea. O Museu do Morro da Caixa D’Água Velha abre simultaneamente as exposições Convergências, de Tchello D’Barros, e Divergências – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema, de Juliano Lobato, reunindo 60 obras de dois artistas reconhecidos por suas contribuições à arte experimental brasileira. Com entrada gratuita e classificação livre, a programação reforça o protagonismo histórico de Mato Grosso na poesia visual e transforma o público em participante ativo da criação artística.
Ao reunir 30 obras de cada artista, a iniciativa reafirma o papel do Museu do Morro da Caixa D’Água Velha como espaço de difusão cultural, reflexão e aproximação entre a produção artística contemporânea e a comunidade.
A exposição Convergências, de Tchello D’Barros, apresenta trabalhos que exploram as relações entre imagem, palavra e percepção visual. Reconhecido nacional e internacionalmente, o artista possui trajetória consolidada no campo da poesia visual, com participação em exposições, publicações e projetos culturais desenvolvidos em diversos países.
Já Divergências, de Juliano Lobato, propõe uma experiência baseada na liberdade interpretativa do observador. Artista visual, poeta experimental, curador e pesquisador da linguagem visual, Lobato desenvolve há mais de três décadas uma produção vinculada aos Poemas Sem Palavras, ao Intensivismo e aos desdobramentos contemporâneos do Poema-Processo.
Embora partam de influências estéticas distintas, as duas exposições compartilham uma mesma proposta: transformar o visitante em participante ativo da experiência artística. Sem títulos explicativos ou narrativas fechadas, as obras convidam o público a construir seus próprios significados, assumindo o papel de coautor da poesia presente em cada trabalho.
Para Juliano Lobato, os Poemas Sem Palavras dialogam diretamente com os princípios do Poema-Processo, movimento que compreende a leitura como parte essencial da obra. “Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema. O artista cria a estrutura visual, mas a poesia se completa quando encontra o olhar, a memória e a experiência de quem observa”, afirma.
A proposta também evidencia a relevância histórica de Mato Grosso para os movimentos experimentais da poesia visual brasileira. O estado mantém forte ligação com artistas e pesquisadores que contribuíram para a consolidação de linguagens inovadoras no cenário nacional, entre eles Wlademir Dias-Pino, Rubens de Mendonça e Silva Freire, referências fundamentais para diferentes gerações de criadores.
A realização simultânea das exposições reforça o compromisso da Prefeitura de Cuiabá com a democratização do acesso à cultura e a valorização dos equipamentos públicos como espaços permanentes de formação, convivência e difusão artística.
Administrado pelo município, o Museu do Morro da Caixa D’Água Velha vem ampliando sua programação cultural e consolidando sua atuação como centro de preservação da memória e promoção das artes. Além de exposições de diferentes linguagens, o espaço desenvolve ações educativas voltadas a estudantes e visitantes de diversas regiões do estado.
Nos últimos meses, o museu recebeu iniciativas de destaque, como a exposição coletiva Unidos pela Arte, que reuniu mais de 20 artistas mato-grossenses, além de atividades vinculadas ao projeto Caminhos da Cultura, fortalecendo sua vocação de aproximar a população do patrimônio histórico, da produção artística contemporânea e das múltiplas manifestações culturais de Mato Grosso.
Para Juliano Lobato, apresentar a exposição em Cuiabá tem significado especial. “Cuiabá ocupa um lugar importante na história da poesia visual brasileira, sendo berço de artistas e movimentos que influenciaram gerações. Expor essas obras ao público é uma forma de reconhecer essa herança cultural e fortalecer o diálogo entre a produção contemporânea e a comunidade.”
“Além de apresentar ao público a produção contemporânea de dois importantes nomes da poesia visual brasileira, as exposições também buscam aproximar os mato-grossenses do legado de Wlademir Dias-Pino, referência internacional da arte e da literatura experimental e um dos principais expoentes das vanguardas poéticas surgidas em Mato Grosso”, destaca Lobato.
E conclui: “A mostra contribui para valorizar um patrimônio cultural que nasceu no estado e continua influenciando artistas e pesquisadores em diversas partes do mundo.”
SERVIÇO
Exposição: CONVERGÊNCIAS
Artista: Tchello D’Barros
Exposição: DIVERGÊNCIAS – Cada leitor é o verdadeiro autor da poesia de cada poema
Artista: Juliano Lobato
Período: 7 a 21 de junho de 2026
Local: Museu do Morro da Caixa D’Água Velha, Cuiabá/MT
Entrada: Gratuita
Classificação: Livre
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