curiosidades
Xikunahity
Modalidade lúdico-esportiva praticada entre os homens Paresi, em Mato Grosso. Disputada por duas equipes de oito ou mais jogadores e um capitão para cada uma delas, consiste na destreza do índio em rebater a bola apenas com a cabeça. A partida realiza-se em um campo de terra batida, de dimensões semelhantes ao campo de futebol, existindo apenas uma linha demarcatória central e pode durar até quarenta minutos. A partida inicia-se com dois atletas veteranos, um de cada equipe que, no centro do campo, decidem por meio de um diálogo, qual delas lançará a bola. Após a decisão, estes dois atletas retiram-se do jogo, pois possuem apenas essa atribuição. Durante o jogo, a bola poderá ou não tocar o chão; o que nunca deverá ocorrer é o toque da bola em outras partes do corpo, a não ser pela cabeça. O atleta Paresi necessita de muita destreza para que não provoque ferimentos, principalmente na cabeça, já que se atiram rente ao chão para arremessar a bola. A contagem de pontos ocorre quando a bola deixa de ser rebatida pelos adversários. O esporte é realizado durante as cerimônias da primeira colheita das roças, iniciação à puberdade masculina e feminina, restauração das flautas sagradas, expedições de caça, pesca e coleta de frutos e incorporação de um espírito novo em doentes terminais. São os próprios índios Paresi que confeccionam a bola, que é feita com a seiva da mangabeira. O Xikunahity permite apostas: para a equipe vencedora, arcos-e-flechas, armas de guerra, animais de estimação, objetos de uso pessoal, familiar ou coletivo e, há tempos atrás, até mesmo mulheres. Hoje em dia, outros objetos são encontrados como troféu: sabonetes, rádios, caixas de fósforos. Mulheres e crianças não participam diretamente dos jogos, mas se fazem presentes nas torcidas. Em 1999, durante os II Jogos dos Povos Indígenas, em Guairá, Paraná, os Paresi tiveram a oportunidade de apresentar esta modalidade esportiva publicamente, mas não em competição. A origem deste jogo encontra-se nos relatos míticos e corresponde à própria criação do Xikunahity pela entidade mitológica denominada de Wazare, responsável por indicar o local de moradia para o seu povo na Chapada dos Parecis. Nesta ocasião, Wazare, antes de retornar ao seu mundo, organizou uma grande festa para, além das regras e a capacidade física para o Xikunahity, ensinou a função da cabeça relativa ao desenvolvimento da inteligência, da plenitude mental e espiritual.
Anna Maria Ribeiro Fernandes Moreira da Costa
curiosidades
Cravos no ramo: Sombolismo, história e tradições em Portugal
Usar cravos nos ramos de flores não é propriamente uma novidade. Trata-se de uma flor muito usada, devido à sua forte carga simbólica, pois pode ser associada a diferentes significados consoante a sua cor. Em muitas culturas, os cravos são usados para expressar emoções, intenções ou sentimentos. Sem dúvida que são uma estratégia silenciosa, mas muito poderosa. Segundo a Interflora, especialistas no envio de flores e no seu simbolismo, cravos vermelhos simbolizam amor apaixonado, o cravo branco representa pureza e paz, estando também associado a novos começos. Já o cravo cor-de-rosa é a flor da gratidão, também muitas vezes associada ao amor maternal, enquanto o amarelo é a flor da alegria e da amizade, estando o roxo mais ligado ao misticismo, à espiritualidade e até ao luto.
Em Portugal, o cravo – em particular o cravo de cor vermelha – é, desde 1974, um poderoso símbolo de liberdade, resistência e esperança. Uma flor que todos os portugueses usam e reconhecem como símbolo nacional.
O simbolismo dos cravos vermelhos em Portugal
A ligação mais imediata e recente dos cravos vermelhos no país é à Revolução dos Cravos, de 25 de Abril de 1974. Nessa noite, os militares entraram em Lisboa e derrubaram o regime ditatorial do Estado Novo, dando início a uma nova era de democracia no país. Em vez de tiros e de sangue, os soldados colocaram cravos vermelhos nos canos das suas espingardas. Esta imagem, que na altura atravessou fronteiras, faz hoje parte do imaginário e da cultura portuguesa e é um símbolo de Abril e dos seus valores democráticos.
E tudo graças a Celeste Martins Caeiro, que, naquela manhã, levava consigo cravos vermelhos e brancos para celebrar o aniversário do restaurante onde trabalhava. Ao ver os soldados e sem nada mais para lhes oferecer, Celeste presenteou-os com os cravos que tinha consigo. Por este gesto, Celeste Martins Caeiro (que faleceu recentemente, em novembro do ano passado) será sempre recordada, tendo sido,, no passado Dia da Mulher (8 de Março), condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com o grau de Oficial da Ordem da Liberdade.
Ainda hoje, esta data é celebrada em Portugal com cravos vermelhos, que são distribuídos e levados pela população na mão ou à lapela.
Os cravos antes do 25 de Abril
A verdade é que a ligação dos cravos à cultura portuguesa já vinha de trás. Em algumas localidades, por exemplo, era comum colocar um cravo vermelho à janela como forma de declarar o seu amor sem usar palavras.
Usar ramos de cravos é também comum nas muitas festas religiosas e romarias que existem no país. Nestas festas, os cravos ganham destaque em andores e procissões conquistando um simbolismo sagrado, muitas vezes associado à fertilidade e à celebração da primavera.
Como pode ver, usar cravos num ramo pode significar muitas coisas. E da mesma forma que esta flor faz parte da memória histórica e coletiva de todos nós, sendo um tributo à luta pela liberdade, também é uma flor carregada de mensagem e perfeita para ser partilhada com quem se ama.
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