BRASIL E MUNDO
Rússia Alerta: apoio da OTAN à Ucrânia aumenta risco de confronto direto
Em uma declaração contundente, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexandr Grushko, alertou que o crescente apoio militar da OTAN à Ucrânia está elevando significativamente o risco de um confronto direto entre a Rússia e a aliança ocidental.
Grushko acusou a OTAN de travar uma “guerra híbrida” contra a Rússia, utilizando os ucranianos como “principal material descartável”. O diplomata russo destacou que os países da aliança estão fornecendo armas de longo alcance, consultores militares, assistência no planejamento de operações e compartilhando dados de inteligência com o governo de Volodymyr Zelensky.
O vice-ministro expressou particular preocupação com o uso de armas ocidentais de longo alcance em ataques ucranianos em território russo profundo. Ele advertiu que tal escalada “mudaria a própria natureza do conflito”, sugerindo que os ucranianos não teriam capacidade de operar essas armas sem assistência externa.
Questionado sobre canais de comunicação entre as forças militares russas e ocidentais, Grushko mencionou a existência de “telefones vermelhos” e outros meios de comunicação urgente. No entanto, ele enfatizou que esses canais são destinados apenas para emergências, não para buscar meios de distensão.
O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, reforçou a posição de Moscou, acusando os Estados Unidos e a OTAN de participação direta no conflito através do fornecimento de armas e treinamento de militares ucranianos em países como Reino Unido, Alemanha e Itália.
O Kremlin mantém sua posição de que a política ocidental de fornecer armas à Ucrânia não contribui para as negociações russo-ucranianas e terá apenas efeitos negativos no longo prazo.
Esta escalada nas tensões entre Rússia e OTAN representa um momento crítico no conflito em curso na Ucrânia, com potenciais implicações globais. Analistas internacionais observam atentamente os próximos movimentos de ambos os lados, temendo uma possível expansão do conflito para além das fronteiras ucranianas.
BRASIL E MUNDO
Reciprocidade pode proteger exportações, mas encarecer insumos
O Brasil abriu o caminho legal para responder às sobretaxas de até 37,5% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais. A medida pode reforçar a posição brasileira nas negociações e ajudar setores prejudicados, mas também traz um risco para o produtor rural: se atingir máquinas, peças, tecnologias ou insumos norte-americanos, uma retaliação poderá elevar os custos dentro da propriedade.
O procedimento foi iniciado em 13 de agosto, com base na Lei da Reciprocidade Econômica. A Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) encaminhou o pedido ao Comitê-Executivo de Gestão do órgão, enquanto o Ministério das Relações Exteriores ficou responsável por notificar Washington e solicitar consultas diplomáticas.
Essa etapa não significa que o Brasil já tenha decidido aumentar tarifas. O processo começa pela análise do enquadramento das medidas norte-americanas na legislação brasileira. Caso a avaliação seja favorável, o governo poderá elaborar uma proposta de contramedidas, ouvir o setor privado e realizar consulta pública antes da decisão final.
A lei permite restringir importações de bens e serviços, cobrar tarifas adicionais sobre produtos estrangeiros, suspender concessões comerciais ou de investimentos e, excepcionalmente, suspender obrigações relacionadas à propriedade intelectual. As respostas podem ser aplicadas isoladamente ou em conjunto, mas precisam ser proporcionais ao prejuízo causado e buscar o menor impacto possível sobre a economia brasileira.
Na prática, o governo poderá escolher produtos norte-americanos sobre os quais o Brasil tenha fornecedores nacionais ou alternativas em outros países. Essa seleção será decisiva. Uma lista concentrada em bens facilmente substituíveis pode aumentar o poder de negociação sem afetar significativamente a produção. Se alcançar itens estratégicos, porém, a conta poderá chegar ao campo.
Máquinas agrícolas, componentes eletrônicos, peças, softwares, equipamentos de precisão, produtos veterinários, genética e determinados insumos químicos estão entre as áreas que exigem atenção, embora ainda não exista uma relação oficial de mercadorias que poderão ser atingidas. Mesmo quando o produtor não importa diretamente, uma tarifa adicional pode aparecer no preço cobrado por revendas, indústrias e prestadores de serviços.
Do lado das exportações, o impacto também varia conforme a cadeia. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que 23,1% das vendas brasileiras aos Estados Unidos estão sujeitas às novas sobretaxas da Seção 301. Açúcar enfrenta adicional de 25%, enquanto máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos podem chegar a 37,5%.
Produtos importantes do agronegócio, como café, carnes, suco de laranja, frutas e a maior parte da celulose, ficaram fora dessas novas cobranças e continuam sujeitos às tarifas norte-americanas normais. Essa proteção, entretanto, pode ser colocada em risco caso uma disputa comercial avance e os Estados Unidos ampliem suas barreiras.
Os efeitos das tarifas já aparecem nos embarques. Entre janeiro e julho, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram aproximadamente R$ 109,2 bilhões, queda de 12,2%. Nos produtos sujeitos às maiores sobretaxas, as vendas recuaram 31,5%, para cerca de R$ 16,6 bilhões. Entre os itens com perdas estão sebo bovino, fumo, madeiras, portas e sucos de frutas.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) defende que a diplomacia permaneça como principal caminho. Em pesquisa realizada pela entidade, 90,5% das empresas consultadas apoiaram a intensificação do diálogo com os Estados Unidos, enquanto apenas 3,2% apontaram a reciprocidade como estratégia prioritária.
Para o produtor, a recomendação é acompanhar o processo sem antecipar decisões de compra ou formar estoques apenas com base na possibilidade de retaliação. Associações, cooperativas e agroindústrias terão papel importante na consulta pública, indicando quais exportações precisam de proteção e quais insumos importados não podem ser encarecidos.
A reciprocidade pode funcionar como instrumento de pressão para recuperar mercados e impedir novas barreiras. Seu resultado para o campo, porém, dependerá menos do discurso político e mais da precisão da lista escolhida. Uma resposta bem calibrada pode fortalecer a negociação; uma escalada comercial pode reduzir vendas, aumentar custos e transferir para o produtor parte da conta da disputa.
Fonte: Pensar Agro
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