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Política Indígena

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Desde a chegada dos portugueses ao Brasil as etnias indígenas não foram assistidas de maneira expressiva. São percebidos alguns instrumentos legais, no período colonial, mas não foram suficientes para dar a proteção e assistência devida porque eles também permitiam a exploração e a opressão dos povos. A catequese, desde o período colonial até o império, foi a política indigenista promovida por missionários que tinham por objetivo levar a “civilização” aos índios através da palavra de Deus. Para os povos indígenas, o início do século XX foi marcado por conflitos em várias regiões do país. Nesse contexto é que foi criado o Serviço de Proteção aos Índios – SPI, em 1910, momento em que o Brasil passava por um processo de modernização e as idéias positivistas ganharam espaço. Cândido Mariano da Silva Rondon, seguidor das idéias positivistas do francês Augusto Comte (1798-1857), foi um dos principais responsáveis pela criação do SPI que tinha por objetivo defender os povos indígenas, após o contato, contra a exploração e opressão a que eram submetidos. Além disso, entre as prioridades do SPI encontrava-se a “pacificação” daqueles grupos indígenas que não haviam entrado em contato com os agentes da sociedade nacional. Mesmo impedindo o eventual extermínio dos índios, o SPI não conseguiu impedir a desagregação decorrente da invasão dos seus territórios tradicionais por seringueiros, fazendeiros ou posseiros. Outro fator que contribuiu para a inoperância dessa instituição governamental foi a ausência de capacitação adequada de seus funcionários que não conseguiram impedir a chegada das frentes expansionistas, o que ocasionou graves problemas ao ecossistema e aos índios, levando alguns grupos ao extermínio em virtude da proliferação de endemias. A introdução indiscriminada de novas técnicas interferiu fortemente na economia dos índios e, conseqüentemente, na sua ordem cultural o que os levou a relações de dependência com a sociedade não índia. Não bastando, o índio era visto de forma preconceituosa e discriminada por uma grande parcela desta mesma sociedade. Primeiramente, a política indigenista baseava-se no instrumento jurídico da tutela, do Código Civil de 1916, além de outros instrumentos legais que foram elaborados, a fim de integrar o índio à sociedade nacional. Após a extinção do SPI, foi criada a Fundação Nacional do Índio – FUNAI, através da Lei 5371, em 1967, que tinha como objetivo administrar e valorizar o patrimônio indígena, além de promover estudos científicos sobre essas populações. Assim como o SPI, a FUNAI permaneceu com o propósito de integrar o índio à sociedade nacional. Entre os anos de 1960 e 1970, diversos povos indígenas foram atingidos violentamente pela política desenvolvimentista direcionada à incorporação de novas fronteiras econômicas. Rodovias, usinas hidrelétricas adentraram seus territórios tradicionais ocasionando inúmeros conflitos com posseiros, fazendeiros, garimpeiros e madeireiros. No ano de 1973, mesmo o Brasil apresentando um contexto sócio-político-econômico alheio aos interesses dos índios, a Lei 6001 trouxe grandes transformações à legislação indígena, através do Estatuto do Índio. Baseada principalmente nos preceitos da Convenção 107 de Genebra deu uma nova direção aos caminhos da política indigenista governamental. Mas, foi através da Constituinte de 1988 que a legislação indígena subiu alguns degraus ao promover grandes transformações. Nos artigos 215 e 231 os índios passaram a ser vistos como povos integrantes da sociedade e não mais sujeitos ao desaparecimento. A intenção de integrá-los à sociedade foi abandonada e, finalmente, pretendeu-se assegurar e respeitar a diversidade cultural do país, atribuindo-lhes tratamento diferenciado. Atualmente, outros segmentos da sociedade nacional, além da FUNAI, preocupam-se em prestar atendimento às populações indígenas. Entretanto, a política indigenista não pode ser a responsável pela questão indígena, ao efetuar ações que diminuem o preconceito em relação ao índio. Os sujeitos sociais que compõem a sociedade brasileira devem ter a responsabilidade de entender o índio inserido na grande malha da identidade étnico-cultural brasileira.

Anna Maria Ribeiro Fernandes Moreira da Costa

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Cravos no ramo: Sombolismo, história e tradições em Portugal

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Usar cravos nos ramos de flores não é propriamente uma novidade. Trata-se de uma flor muito usada, devido à sua forte carga simbólica, pois pode ser associada a diferentes significados consoante a sua cor. Em muitas culturas, os cravos são usados para expressar emoções, intenções ou sentimentos. Sem dúvida que são uma estratégia silenciosa, mas muito poderosa. Segundo a Interflora, especialistas no envio de flores e no seu simbolismo, cravos vermelhos simbolizam amor apaixonado, o cravo branco representa pureza e paz, estando também associado a novos começos. Já o cravo cor-de-rosa é a flor da gratidão, também muitas vezes associada ao amor maternal, enquanto o amarelo é a flor da alegria e da amizade, estando o roxo mais ligado ao misticismo, à espiritualidade e até ao luto.

Em Portugal, o cravo – em particular o cravo de cor vermelha – é, desde 1974, um poderoso símbolo de liberdade, resistência e esperança. Uma flor que todos os portugueses usam e reconhecem como símbolo nacional.

O simbolismo dos cravos vermelhos em Portugal

A ligação mais imediata e recente dos cravos vermelhos no país é à Revolução dos Cravos, de 25 de Abril de 1974. Nessa noite, os militares entraram em Lisboa e derrubaram o regime ditatorial do Estado Novo, dando início a uma nova era de democracia no país. Em vez de tiros e de sangue, os soldados colocaram cravos vermelhos nos canos das suas espingardas. Esta imagem, que na altura atravessou fronteiras, faz hoje parte do imaginário e da cultura portuguesa e é um símbolo de Abril e dos seus valores democráticos.

E tudo graças a Celeste Martins Caeiro, que, naquela manhã, levava consigo cravos vermelhos e brancos para celebrar o aniversário do restaurante onde trabalhava. Ao ver os soldados e sem nada mais para lhes oferecer, Celeste presenteou-os com os cravos que tinha consigo. Por este gesto, Celeste Martins Caeiro (que faleceu recentemente, em novembro do ano passado) será sempre recordada, tendo sido,, no passado Dia da Mulher (8 de Março), condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com o grau de Oficial da Ordem da Liberdade.

Ainda hoje, esta data é celebrada em Portugal com cravos vermelhos, que são distribuídos e levados pela população na mão ou à lapela.

Os cravos antes do 25 de Abril

A verdade é que a ligação dos cravos à cultura portuguesa já vinha de trás. Em algumas localidades, por exemplo, era comum colocar um cravo vermelho à janela como forma de declarar o seu amor sem usar palavras.
Usar ramos de cravos é também comum nas muitas festas religiosas e romarias que existem no país. Nestas festas, os cravos ganham destaque em andores e procissões conquistando um simbolismo sagrado, muitas vezes associado à fertilidade e à celebração da primavera.

Como pode ver, usar cravos num ramo pode significar muitas coisas. E da mesma forma que esta flor faz parte da memória histórica e coletiva de todos nós, sendo um tributo à luta pela liberdade, também é uma flor carregada de mensagem e perfeita para ser partilhada com quem se ama.

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