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Mato Grosso

Pivetta pede reflexão sobre a independência do país durante desfile cívico-militar

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O senador Wellington Fagundes, prefeito Abilio e o governador Otaviano Pivetta, durante desfile de 7 de Setembro | Foto: Emanoele Daiane

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, e o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, prestigiaram na noite desta segunda-feira (7) o desfile cívico-militar em comemoração aos 204 anos da Independência do Brasil, realizado na Avenida Getúlio Vargas, na capital. A celebração reuniu mais de 30 instituições, entre Forças Armadas, forças de segurança, escolas, entidades civis e grupos da sociedade.

Para Pivetta, a data vai além da festa e convida a uma reflexão sobre o momento vivido pelo país. O governador lembrou que o 7 de Setembro está ligado à memória afetiva de gerações, marcado pela infância e pela escola, e defendeu que a celebração deve vir acompanhada de um olhar crítico sobre os rumos da nação. “A Independência do Brasil é um dia de comemorar, mas também de refletir sobre o tamanho da nossa independência hoje e sobre os desafios que o país enfrenta. É um dia para se pensar”, afirmou.

O prefeito Abilio Brunini, destacou a mudança do desfile para o período noturno como um acerto. Segundo ele, a nova programação ampliou a participação da população e resgatou uma tradição que atravessa gerações. “Muitas pessoas vêm aqui para reconstruir memórias familiares. Eu, por exemplo, lembro de quando era pequeno e meu pai sempre me trazia para o desfile. Não é apenas uma celebração do 7 de Setembro, é uma construção da história da nossa cidade. Olha só a quantidade de gente. Passar o desfile para a noite fez com que muitas pessoas que não vinham começassem a participar. Agora sabemos que precisamos preparar uma estrutura ainda melhor para o próximo ano, para que todos possam acompanhar com mais conforto e qualidade”, afirmou.

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A programação contou com a participação de representantes das Forças Armadas, como a Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira, além da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Militar, com alunos da Escola Estadual da Polícia Militar Tiradentes, do Corpo de Bombeiros Militar, da Polícia Judiciária Civil e da Secretaria de Justiça. Na área militar, esteve presente o general de brigada Cláudio Gadelha Fernandes, comandante da 13ª Brigada de Infantaria Motorizada.

O desfile também reuniu instituições de ensino municipais, estaduais e federais, incluindo escolas cívico-militares, o Liceu Cuiabano e o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT). O Programa Siminina integrou a programação ao lado de entidades da sociedade civil, grupos escoteiros, clubes de desbravadores, motoclubes e bandas.

Entre as autoridades municipais presentes estavam os secretários de Educação, Reginaldo Teixeira; de Assistência Social, Hélida Vilela; de Comunicação, Ana Karla Costa; de Defesa Civil, coronel Alessandro Borges; interino de Esporte, Matheus Alves; de Habitação e Regularização Fundiária, Michelle Dreher; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Elisângela Fernandes Bokorni; de Segurança Pública, coronel Francyanne Siqueira; de Ordem Pública, Juliana Palhares; de Planejamento, José Afonso Portocarrero; e de Trabalho, Nivaldo Almeida.

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O senador Wellington Fagundes também acompanhou a celebração e ressaltou a importância de manter viva a relação das novas gerações com a história e os símbolos nacionais. “É muito importante ver as famílias nas ruas, prestigiando o desfile e celebrando a Independência do Brasil. É uma tradição que fortalece o sentimento de pertencimento, valoriza a nossa história e mantém viva essa memória para as novas gerações”, afirmou. Também estiveram presentes o senador Jaime Campos, a deputada federal Gisela Simona, o deputado estadual Paulo Araújo e o vereador Dilemário Alencar.

A realização do desfile no período noturno foi uma das novidades desta edição. A mudança permitiu que famílias e trabalhadores tivessem mais facilidade para acompanhar a programação e contribuiu para a presença de um grande público ao longo da Avenida Getúlio Vargas, marcando a celebração da Independência do Brasil em Cuiabá e reunindo instituições civis, militares e educacionais em torno da data cívica.

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BRASIL E MUNDO

Em 10 anos de lei, Brasil soma 13.703 feminicídios; MT tem a pior taxa do país

Tipificada em março de 2015, a qualificadora que deveria coibir o assassinato de mulheres por razões de gênero completa uma década com número crescente 

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Quando a Lei 13.104 foi sancionada em 9 de março de 2015, transformando o assassinato de mulher por menosprezo ou violência doméstica em crime hediondo, o Brasil registrou 449 casos naquele ano. Dez anos depois, o país encerrou 2025 com 1.568 feminicídios, o maior número da série histórica, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Ao todo, 13.703 mulheres foram vítimas de feminicídio entre 2015 e 2025. Os dados mostram que o Brasil nunca conseguiu reduzir esse tipo de crime desde que ele passou a ser contado.

A curva é de crescimento constante, com exceção de 2021, ano marcado pela subnotificação nos registros. De 2019, quando 1.330 mulheres foram vítimas, para 2025, o aumento foi de 17,8%.

Ano Feminicídios consumados (oficial) Taxa / 100 mil mulheres Contexto
2015 449 0,4 Ano da criação da Lei
2016 929 0,9 Primeiro ano completo de vigência
2017 1.075 1,0
2018 1.229 1,1
2019 1.330 1,2 Até então, recorde histórico
2020 1.354 1,2 Início da pandemia de Covid-19
2021 1.347 1,2 Ligeira queda por subnotificação
2022 1.455 1,3 Retomada da alta
2023 1.475 1,4
2024 1.492 1,4
2025 1.568 1,4 Maior número em 10 anos — 4 mulheres por dia
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública / Secretarias Estaduais de Segurança Pública. Compilação até julho de 2026.

PARA ALÉM DO NÚMERO OFICIAL

O dado oficial esconde uma subnotificação. Levantamento paralelo feito pelo Laboratório de Estudos de Feminicídio (Lesfem/UEL), que monitora notícias de jornais e inclui tentativas de assassinato, aponta que em 2025 foram 6.904 casos, sendo 2.149 consumados e 4.755 tentativas.

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A diferença entre os 1.568 oficiais e os 2.149 mapeados pelo Lesfem é de 37%. Segundo as pesquisadoras, isso ocorre porque muitos boletins de ocorrência ainda são registrados como homicídio simples.

O perfil da vítima também não mudou em dez anos: 62,6% são negras, a maioria entre 18 e 34 anos, mortas dentro de casa pelo companheiro ou ex-companheiro. Em 2025, 148 mulheres foram assassinadas mesmo com medida protetiva vigente.

Antes da Lei do Feminicídio, em 2014, o Brasil não separava o crime. Naquele ano, 4.757 mulheres foram assassinadas, segundo o Atlas da Violência. A taxa geral de homicídios de mulheres caiu na última década, mas o feminicídio, aquele cometido dentro de casa, não.

Para especialistas, o aumento nos números não significa necessariamente que se mata mais mulheres hoje do que em 2014, mas que o Estado finalmente passou a enxergar e nomear esse tipo de morte. O desafio da próxima década, dizem, não é mais contar, mas impedir.

MATO GROSSO NA CONTRAMÃO: LIDERANÇA NACIONAL NEGATIVA

Mato Grosso é o estado mais letal para mulheres no Brasil. Em 2024, pelo segundo ano consecutivo, teve a maior taxa do país: 2,5 feminicídios a cada 100 mil mulheres, quase o dobro da média nacional de 1,4.

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Entre 2019 e julho de 2026, o Observatório Caliandra do Ministério Público de MT já contabiliza 342 feminicídios consumados no estado.

O ano de 2020 segue como o mais violento, com 62 mortes no primeiro ano da pandemia. Depois de três anos de estabilidade, 2025 voltou a subir.

 

Ano Casos em MT Destaque
2019 39
2020 62 Pico da série histórica
2021 43
2022 47
2023 46
2024 47 Maior taxa do Brasil: 2,5/100 mil
2025 53 Recorde pós-pandemia – 8 casos seguidos de suicídio do autor

Fonte: Observatório Caliandra/MPMT e Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O RAIO-X DE MT:
Quando acontece: 21 crimes à noite, maioria nas quintas, sábados e domingos.
Perfil: A faixa etária mais atingida é de 25 a 29 anos.
Medida protetiva: Em 2023, 8 mulheres foram mortas mesmo com medida protetiva ativa. Em 2024, foi 1 caso. A maioria das vítimas (mais de 80%) nunca havia registrado boletim de ocorrência antes de ser morta.
Tentativas: Só em 2024 foram 66 tentativas de feminicídio em MT, taxa de 3,5 por 100 mil mulheres.
Condenações: De 2020 a 2025, a Justiça de MT condenou 142 réus por feminicídio, com pena média de 19 anos. 4 já foram condenados com base na nova lei de 2024, que aumentou a pena para 20 a 40 anos.
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