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BRASIL E MUNDO

Em 10 anos de lei, Brasil soma 13.703 feminicídios; MT tem a pior taxa do país

Tipificada em março de 2015, a qualificadora que deveria coibir o assassinato de mulheres por razões de gênero completa uma década com número crescente 

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Quando a Lei 13.104 foi sancionada em 9 de março de 2015, transformando o assassinato de mulher por menosprezo ou violência doméstica em crime hediondo, o Brasil registrou 449 casos naquele ano. Dez anos depois, o país encerrou 2025 com 1.568 feminicídios, o maior número da série histórica, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Ao todo, 13.703 mulheres foram vítimas de feminicídio entre 2015 e 2025. Os dados mostram que o Brasil nunca conseguiu reduzir esse tipo de crime desde que ele passou a ser contado.

A curva é de crescimento constante, com exceção de 2021, ano marcado pela subnotificação nos registros. De 2019, quando 1.330 mulheres foram vítimas, para 2025, o aumento foi de 17,8%.

Ano Feminicídios consumados (oficial) Taxa / 100 mil mulheres Contexto
2015 449 0,4 Ano da criação da Lei
2016 929 0,9 Primeiro ano completo de vigência
2017 1.075 1,0
2018 1.229 1,1
2019 1.330 1,2 Até então, recorde histórico
2020 1.354 1,2 Início da pandemia de Covid-19
2021 1.347 1,2 Ligeira queda por subnotificação
2022 1.455 1,3 Retomada da alta
2023 1.475 1,4
2024 1.492 1,4
2025 1.568 1,4 Maior número em 10 anos — 4 mulheres por dia
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública / Secretarias Estaduais de Segurança Pública. Compilação até julho de 2026.

PARA ALÉM DO NÚMERO OFICIAL

O dado oficial esconde uma subnotificação. Levantamento paralelo feito pelo Laboratório de Estudos de Feminicídio (Lesfem/UEL), que monitora notícias de jornais e inclui tentativas de assassinato, aponta que em 2025 foram 6.904 casos, sendo 2.149 consumados e 4.755 tentativas.

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A diferença entre os 1.568 oficiais e os 2.149 mapeados pelo Lesfem é de 37%. Segundo as pesquisadoras, isso ocorre porque muitos boletins de ocorrência ainda são registrados como homicídio simples.

O perfil da vítima também não mudou em dez anos: 62,6% são negras, a maioria entre 18 e 34 anos, mortas dentro de casa pelo companheiro ou ex-companheiro. Em 2025, 148 mulheres foram assassinadas mesmo com medida protetiva vigente.

Antes da Lei do Feminicídio, em 2014, o Brasil não separava o crime. Naquele ano, 4.757 mulheres foram assassinadas, segundo o Atlas da Violência. A taxa geral de homicídios de mulheres caiu na última década, mas o feminicídio, aquele cometido dentro de casa, não.

Para especialistas, o aumento nos números não significa necessariamente que se mata mais mulheres hoje do que em 2014, mas que o Estado finalmente passou a enxergar e nomear esse tipo de morte. O desafio da próxima década, dizem, não é mais contar, mas impedir.

MATO GROSSO NA CONTRAMÃO: LIDERANÇA NACIONAL NEGATIVA

Mato Grosso é o estado mais letal para mulheres no Brasil. Em 2024, pelo segundo ano consecutivo, teve a maior taxa do país: 2,5 feminicídios a cada 100 mil mulheres, quase o dobro da média nacional de 1,4.

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Entre 2019 e julho de 2026, o Observatório Caliandra do Ministério Público de MT já contabiliza 342 feminicídios consumados no estado.

O ano de 2020 segue como o mais violento, com 62 mortes no primeiro ano da pandemia. Depois de três anos de estabilidade, 2025 voltou a subir.

 

Ano Casos em MT Destaque
2019 39
2020 62 Pico da série histórica
2021 43
2022 47
2023 46
2024 47 Maior taxa do Brasil: 2,5/100 mil
2025 53 Recorde pós-pandemia – 8 casos seguidos de suicídio do autor

Fonte: Observatório Caliandra/MPMT e Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O RAIO-X DE MT:
Quando acontece: 21 crimes à noite, maioria nas quintas, sábados e domingos.
Perfil: A faixa etária mais atingida é de 25 a 29 anos.
Medida protetiva: Em 2023, 8 mulheres foram mortas mesmo com medida protetiva ativa. Em 2024, foi 1 caso. A maioria das vítimas (mais de 80%) nunca havia registrado boletim de ocorrência antes de ser morta.
Tentativas: Só em 2024 foram 66 tentativas de feminicídio em MT, taxa de 3,5 por 100 mil mulheres.
Condenações: De 2020 a 2025, a Justiça de MT condenou 142 réus por feminicídio, com pena média de 19 anos. 4 já foram condenados com base na nova lei de 2024, que aumentou a pena para 20 a 40 anos.
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BRASIL E MUNDO

Fifa abre inscrições para voluntários na Copa do Mundo Feminina 2027

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Por Agência Brasil

A Fifa iniciou nesta quinta-feira (3) as inscrições para vagas de voluntários na Copa do Mundo de futebol feminino no Brasil, a primeira da América do Sul, que começa em 24 de junho de 2027. Há seis mil postos nas áreas de mídia, gestão de competições, cerimônias, tecnologia, transporte e operações de mão de obra. Não é exigida experiência prévia dos interessados.

Os selecionados serão distribuídos pelas cidades-sede do Mundial (Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). Os voluntários desempenharão mais de 30 funções nos locais oficiais, entre eles, estádios, hotéis, centros de treinamento e aeroportos.

Os interessados devem efetuar a inscrição no site https://www.fifa.com/pt/tournaments/womens/womensworldcup/brazil-2027/volunteers

“Os voluntários desfrutam de uma experiência única e passam a fazer parte da equipe por trás de um dos maiores eventos esportivos do planeta. Durante todo o torneio, os voluntários da Fifa vão contar com o apoio de uma equipe experiente e receber um uniforme completo, presentes, tudo em reconhecimento a contribuição deles. É uma oportunidade, com certeza, de fazer contatos, conhecer pessoas de todo o mundo e aprender ou desenvolver novas habilidades. É uma experiência realmente valiosa e rende memórias para toda vida”, detalhou Aline Pellegrino, diretora executiva de Legado e Relações Institucionais da Copa Feminina no Brasil.

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Para se candidatar é necessário:

  • Ter pelo menos 18 anos no momento da inscrição;
  • Ser cidadão brasileiro ou estar legalmente autorizado a entrar no Brasil durante a competição;
  • Estar disponível para se comprometer com um número mínimo de turnos de voluntários durante o período operacional do torneio, em junho e julho de 2027;
  • Ter domínio de português ou inglês.

Segundo Aline Pelegrino, o domínio de outros idiomas pode ser um diferencial no processo de seleção.

O Mundial de futebol masculino no Brasil em 2014 contou com a participação de 13 mil voluntários.

Faltam 294 dias para a abertura do Mundial Feminino (de 24 de junho a 25 de julho de 2027). Além do Brasil – classificado por ser o país-sede -, a competição reunirá outras 31 nações. Comandada pelo técnico Arthur Elias, a seleção brasileira busca o título mundial inédito.

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