BRASIL E MUNDO
Em 10 anos de lei, Brasil soma 13.703 feminicídios; MT tem a pior taxa do país
Tipificada em março de 2015, a qualificadora que deveria coibir o assassinato de mulheres por razões de gênero completa uma década com número crescente
Ao todo, 13.703 mulheres foram vítimas de feminicídio entre 2015 e 2025. Os dados mostram que o Brasil nunca conseguiu reduzir esse tipo de crime desde que ele passou a ser contado.
A curva é de crescimento constante, com exceção de 2021, ano marcado pela subnotificação nos registros. De 2019, quando 1.330 mulheres foram vítimas, para 2025, o aumento foi de 17,8%.
| Ano | Feminicídios consumados (oficial) | Taxa / 100 mil mulheres | Contexto |
|---|---|---|---|
| 2015 | 449 | 0,4 | Ano da criação da Lei |
| 2016 | 929 | 0,9 | Primeiro ano completo de vigência |
| 2017 | 1.075 | 1,0 | — |
| 2018 | 1.229 | 1,1 | — |
| 2019 | 1.330 | 1,2 | Até então, recorde histórico |
| 2020 | 1.354 | 1,2 | Início da pandemia de Covid-19 |
| 2021 | 1.347 | 1,2 | Ligeira queda por subnotificação |
| 2022 | 1.455 | 1,3 | Retomada da alta |
| 2023 | 1.475 | 1,4 | — |
| 2024 | 1.492 | 1,4 | — |
| 2025 | 1.568 | 1,4 | Maior número em 10 anos — 4 mulheres por dia |
PARA ALÉM DO NÚMERO OFICIAL
O dado oficial esconde uma subnotificação. Levantamento paralelo feito pelo Laboratório de Estudos de Feminicídio (Lesfem/UEL), que monitora notícias de jornais e inclui tentativas de assassinato, aponta que em 2025 foram 6.904 casos, sendo 2.149 consumados e 4.755 tentativas.
A diferença entre os 1.568 oficiais e os 2.149 mapeados pelo Lesfem é de 37%. Segundo as pesquisadoras, isso ocorre porque muitos boletins de ocorrência ainda são registrados como homicídio simples.
O perfil da vítima também não mudou em dez anos: 62,6% são negras, a maioria entre 18 e 34 anos, mortas dentro de casa pelo companheiro ou ex-companheiro. Em 2025, 148 mulheres foram assassinadas mesmo com medida protetiva vigente.
Antes da Lei do Feminicídio, em 2014, o Brasil não separava o crime. Naquele ano, 4.757 mulheres foram assassinadas, segundo o Atlas da Violência. A taxa geral de homicídios de mulheres caiu na última década, mas o feminicídio, aquele cometido dentro de casa, não.
Para especialistas, o aumento nos números não significa necessariamente que se mata mais mulheres hoje do que em 2014, mas que o Estado finalmente passou a enxergar e nomear esse tipo de morte. O desafio da próxima década, dizem, não é mais contar, mas impedir.
MATO GROSSO NA CONTRAMÃO: LIDERANÇA NACIONAL NEGATIVA
Mato Grosso é o estado mais letal para mulheres no Brasil. Em 2024, pelo segundo ano consecutivo, teve a maior taxa do país: 2,5 feminicídios a cada 100 mil mulheres, quase o dobro da média nacional de 1,4.
Entre 2019 e julho de 2026, o Observatório Caliandra do Ministério Público de MT já contabiliza 342 feminicídios consumados no estado.
O ano de 2020 segue como o mais violento, com 62 mortes no primeiro ano da pandemia. Depois de três anos de estabilidade, 2025 voltou a subir.
| Ano | Casos em MT | Destaque |
|---|---|---|
| 2019 | 39 | — |
| 2020 | 62 | Pico da série histórica |
| 2021 | 43 | — |
| 2022 | 47 | — |
| 2023 | 46 | — |
| 2024 | 47 | Maior taxa do Brasil: 2,5/100 mil |
| 2025 | 53 | Recorde pós-pandemia – 8 casos seguidos de suicídio do autor |
Fonte: Observatório Caliandra/MPMT e Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
BRASIL E MUNDO
Fifa abre inscrições para voluntários na Copa do Mundo Feminina 2027
Por Agência Brasil
A Fifa iniciou nesta quinta-feira (3) as inscrições para vagas de voluntários na Copa do Mundo de futebol feminino no Brasil, a primeira da América do Sul, que começa em 24 de junho de 2027. Há seis mil postos nas áreas de mídia, gestão de competições, cerimônias, tecnologia, transporte e operações de mão de obra. Não é exigida experiência prévia dos interessados.

Os selecionados serão distribuídos pelas cidades-sede do Mundial (Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo). Os voluntários desempenharão mais de 30 funções nos locais oficiais, entre eles, estádios, hotéis, centros de treinamento e aeroportos.
Os interessados devem efetuar a inscrição no site https://www.fifa.com/pt/tournaments/womens/womensworldcup/brazil-2027/volunteers
“Os voluntários desfrutam de uma experiência única e passam a fazer parte da equipe por trás de um dos maiores eventos esportivos do planeta. Durante todo o torneio, os voluntários da Fifa vão contar com o apoio de uma equipe experiente e receber um uniforme completo, presentes, tudo em reconhecimento a contribuição deles. É uma oportunidade, com certeza, de fazer contatos, conhecer pessoas de todo o mundo e aprender ou desenvolver novas habilidades. É uma experiência realmente valiosa e rende memórias para toda vida”, detalhou Aline Pellegrino, diretora executiva de Legado e Relações Institucionais da Copa Feminina no Brasil.
Para se candidatar é necessário:
- Ter pelo menos 18 anos no momento da inscrição;
- Ser cidadão brasileiro ou estar legalmente autorizado a entrar no Brasil durante a competição;
- Estar disponível para se comprometer com um número mínimo de turnos de voluntários durante o período operacional do torneio, em junho e julho de 2027;
- Ter domínio de português ou inglês.
Segundo Aline Pelegrino, o domínio de outros idiomas pode ser um diferencial no processo de seleção.
O Mundial de futebol masculino no Brasil em 2014 contou com a participação de 13 mil voluntários.
Faltam 294 dias para a abertura do Mundial Feminino (de 24 de junho a 25 de julho de 2027). Além do Brasil – classificado por ser o país-sede -, a competição reunirá outras 31 nações. Comandada pelo técnico Arthur Elias, a seleção brasileira busca o título mundial inédito.
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