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Mato Grosso

PF diz que CV montou “vila” do crime em terras Sararé e controla o garimpo ilegal

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Investigação da Polícia Federal (PF) revelou que a facção criminosa Comando Vermelho (CV) tomou o controle da extração ilegal de ouro na Terra Indígena Sararé, no oeste de Mato Grosso.

Conforme apurado pela corporação, o grupo montou uma estrutura permanente no território com comércio, farmácia e túneis para esconder armamento pesado.

Os detalhes dessa investigação, que revelam como a facção passou de “segurança” de garimpeiros a gestora da exploração predatória para financiar o tráfico, foram denunciados neste domingo (28.06) pelo programa Fantástico, da TV Globo.

A presença da facção no território demarcado para o povo Nambikwara, em 1985, forçou uma megaoperação coordenada pelo governo federal que, desde março, tenta desmantelar o que a inteligência da Polícia Federal descreve como um domínio estratégico do crime organizado. Segundo os investigadores, a facção utiliza o ouro extraído da TI Sararé como moeda de troca em países vizinhos.

Estrutura de vilarejo e fortificação

A ocupação na área de 67 mil hectares — que se espalha por três municípios — atingiu patamares que, segundo o balanço da Polícia Federal, exigiram uma resposta federal robusta. Antes da intervenção policial, mais de 2 mil pessoas circulavam por 1.117 pontos de garimpo.

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O coordenador da operação pela Casa Civil, Nilton Tubino, confirmou a estrutura encontrada pelos agentes federais: “Aqui a gente tinha bar, tinha comércio, tinha farmácia. Você tinha toda uma estrutura de um vilarejo”.

Para garantir a permanência na mata e dificultar o cerco, a PF identificou a construção de túneis utilizados como esconderijos para armas de grosso calibre e rotas de fuga. Imagens reunidas pela inteligência da Polícia Federal mostram traficantes exibindo armamentos pesados enquanto escoltam maquinário para abrir caminho na terra indígena.

O balanço da repressão

Desde o início da ofensiva conjunta, a força-tarefa federal já contabiliza prejuízos de R$ 110 milhões ao garimpo ilegal. Até o momento, foram cumpridos mandados de prisão contra 72 pessoas. Na última quinta-feira (25), em desdobramento das investigações, a PF cumpriu mandado contra um suspeito apontado como o principal fornecedor de fuzis e máquinas pesadas para os criminosos.

As apreensões realizadas pelos órgãos federais incluem:

  • Maquinário: 31 escavadeiras destruídas e 800 motores.

  • Logística: 42 mil litros de óleo diesel e 4 toneladas de explosivos.

  • Infraestrutura: 33 túneis e 200 acampamentos erradicados.

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Dano ambiental duradouro

A degradação monitorada pelo Ibama em conjunto com a PF mostra que o uso intensivo de mercúrio e cianeto atingiu o lençol freático, com danos que podem perdurar por séculos no Rio Sararé. “Pode demorar centenas de anos para que a área volte a se recuperar”, afirmou Sérgio Suzuki, agente do Ibama que acompanha a operação.

O governo de Mato Grosso afirmou, em nota, que trabalha na construção de uma base policial integrada para monitorar os acessos à Terra Indígena Sararé em parceria com órgãos federais, visando a proteção do território do povo Nambikwara.

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Mato Grosso

Sinfra rescinde contratos de obras da MT-170 e aplica multas de R$ 7,2 milhões

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A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra-MT) rescindiu os contratos com dois consórcios responsáveis pelas obras de asfaltamento da MT-170, antiga BR-174, no trecho entre Castanheira e Juruena, na região noroeste do estado. A decisão foi motivada por falhas na execução dos projetos e publicada no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira (17).

Os contratos encerrados são referentes ao Consórcio Sanches Tripoloni-Trafecon-MTSUL, responsável pelo lote 1 da rodovia, e ao Consórcio Construtor Agrimex, que executava as obras do lote 2.

Além da rescisão unilateral, as empresas foram condenadas ao pagamento de multas moratórias e compensatórias que totalizam R$ 7,2 milhões. Também ficam impedidas de licitar e contratar com o Governo de Mato Grosso pelo prazo de dois anos e deverão ressarcir integralmente os cofres públicos pelos prejuízos decorrentes da execução considerada defeituosa.

Com o encerramento dos contratos, a Sinfra-MT finaliza os projetos necessários para a reconstrução do trecho. As obras deverão ser licitadas novamente. Enquanto a solução definitiva não é implantada, empresas responsáveis pela manutenção regional das rodovias atuarão na MT-170 para corrigir os pontos danificados.

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As obras foram contratadas em 2014, quando a rodovia ainda estava sob responsabilidade federal e era denominada BR-174. A contratação ocorreu por meio de um convênio entre o Governo de Mato Grosso e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A licitação foi realizada pelo Regime Diferenciado de Contratação Integrada, modelo em que as empresas vencedoras ficam responsáveis pela elaboração dos projetos básico e executivo, além da execução completa dos serviços.

Parte das obras permaneceu paralisada por anos. Em dezembro de 2021, a rodovia foi estadualizada, permitindo que o Governo de Mato Grosso assumisse a responsabilidade pela continuidade do asfaltamento.

No ano seguinte, em julho de 2022, foi instaurada uma Mesa Técnica junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) para discutir a repactuação técnica e financeira do contrato. A medida foi necessária porque o empreendimento havia sido concebido com base em premissas técnicas do Dnit.

Na ocasião, o TCE-MT e o consórcio concordaram formalmente com as alterações realizadas, sem apontar inviabilidade para a execução das obras.

Mesmo após a repactuação, a Sinfra-MT passou a registrar falhas nos serviços. Em 2023, foram emitidas quatro notificações relacionadas a problemas na base da rodovia e à execução inadequada. No ano seguinte, outras 16 notificações apontaram novas irregularidades. Em 2025, foram registradas mais seis ocorrências.

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Diante dos problemas, a secretaria abriu processo administrativo para analisar a rescisão contratual e a aplicação das penalidades, assegurando às empresas o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Também foi instaurada uma apuração técnica independente para verificar possíveis omissões e falhas na fiscalização realizada pela empresa supervisora do contrato, a Consol. Além disso, um processo para mapear a conduta de servidores públicos envolvidos foi encaminhado à Unidade Setorial de Correição.

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