Saúde
Pesquisa aponta baixa prevalência de HTLV entre doadores de sangue em Mato Grosso
Estudo realizado por pesquisadores de Mato Grosso identificou baixa prevalência do vírus linfotrópico de células T humanas tipos I e II (HTLV-I/II) entre doadores de sangue atendidos pelo Hemocentro do Estado. A investigação analisou mais de 60 mil amostras coletadas entre janeiro de 2018 e agosto de 2021 e revelou taxa de infecção de 0,10%, índice considerado semelhante ao registrado em hemocentros da Região Sudeste do país.
O estudo tem como objetivo avaliar a carga pró-viral do HTLV-1/2 em amostras de doadores de sangue analisadas pelo MT Hemocentro entre 2024 e 2026, buscando ampliar a precisão da detecção molecular do vírus em Mato Grosso. A pesquisa é desenvolvida em parceria com o Laboratório Central de Saúde Pública de Mato Grosso (Lacen-MT) e o Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM), unidade de referência no acompanhamento de doadores com sorologia positiva para HTLV-1/2 identificados durante a triagem laboratorial do hemocentro estadual.
O HTLV é um retrovírus que pertence à família do HIV, que infectam linfócitos T (células de defesa), e podem permanecer silencioso no organismo por muitos anos, sem causar sintomas na maioria das pessoas. No entanto, em uma pequena parcela dos infectados, ele pode provocar doenças graves, principalmente relacionadas ao sistema nervoso e ao sanguíneo, como leucemias graves.
Entre as principais complicações estão a Paraparesia Espástica Tropical, uma doença neurológica que afeta os movimentos das pernas, causando fraqueza, rigidez muscular e dificuldades para caminhar, além da Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto, um tipo raro e agressivo de câncer do sangue.
O vírus também pode estar associado a inflamações oculares, dermatites e maior vulnerabilidade a outras infecções. Por isso, o controle nos bancos de sangue e o diagnóstico precoce são considerados importantes medidas de saúde pública.
Os pesquisadores avaliaram 60.568 amostras de doadores de sangue. Deste total, 63 apresentaram resultado positivo para HTLV-I/II. O maior número de casos foi registrado em 2020, com frequência de 0,16%entre os doadores.
Segundo o estudo, predominou entre os casos positivos o perfil de mulheres com idade entre 31 e 45 anos, pardas, com ensino médio completo e vínculo profissional com iniciativas privadas. Os dados também apontaram ocorrência de coinfecções com outros agentes potencialmente transmissíveis por transfusão sanguínea, incluindo hepatite B, sífilis, HIV e hepatite C.
A pesquisa utilizou técnica de quimioluminescência automatizada para detecção de anticorpos anti-HTLV-I/IIno soro dos doadores, método empregado em bancos de sangue devido à alta especificidade e sensibilidade diagnóstica.
Embora a prevalência observada seja considerada baixa, os autores destacam a importância da vigilância epidemiológica contínua e da ampliação de estudos populacionais sobre o vírus em Mato Grosso. Segundo os pesquisadores, o monitoramento contribui para o fortalecimento das políticas públicas de segurança transfusional e para o aprimoramento das estratégias de prevenção.
O estudo também reforça a relevância do rastreamento sorológico nos hemocentros brasileiros, medida considerada essencial para reduzir riscos de transmissão e ampliar o conhecimento sobre a circulação silenciosa do HTLV na população.
A pesquisa é coordenada pelo professor doutor Ruberlei Godinho de Oliveira, farmacêutico, com doutorado em Biotecnologia e Pós Doutorado e Microbiologia e Biologia Molecular, pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e fomentada pelo do Edital PPSUS 004/2025, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat).
De acordo com o pesquisador, os testes de triagem realizados nos bancos de sangue brasileiros são obrigatórios por lei desde 1993 e representam uma etapa fundamental para garantir a segurança das transfusões.
“Além de reduzir o risco de transmissão de doenças infecciosas, a triagem permite o encaminhamento dos doadores com resultados positivos para a Rede de Atenção à Saúde (RAS) do SUS, assegurando acompanhamento clínico, diagnóstico e manejo adequado dos pacientes”.
A pesquisa também propicia a formação de especialistas na área, como a farmacêutica Pennsylvania Marinho Borralho, do Hemocentro de Mato Grosso, que conduz sua dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Atenção Hospitalar, Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM-UFMT) ,onde teve os resultados publicados na Revista Epimideologia e Serviços de Saúde (RESS do SUS) sob orientação do professor doutor Ruberlei Godinho.
Saúde
Cardiologista alerta: controle precoce de hipertensão e diabetes pode evitar internações por insuficiência cardíaca
A insuficiência cardíaca está entre as principais causas de internação por doenças cardiovasculares e continua sendo um dos maiores desafios para a saúde pública. Apesar dos avanços no tratamento, muitos pacientes chegam aos hospitais com a doença em estágio avançado, após conviver por anos com fatores de risco sem o controle adequado.
No Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca, celebrado em 9 de julho, a atenção se volta para uma condição que ainda é pouco reconhecida pela população, mas que pode comprometer progressivamente o funcionamento do coração e, em muitos casos, levar à hospitalização.
Para o cardiologista intensivista e responsável pelas UTIs do Hospital São Mateus, Sandro Andrey Nogueira Franco, grande parte desses casos poderia ter uma evolução diferente se doenças como hipertensão, diabetes e colesterol elevado fossem identificadas e tratadas precocemente.
“A insuficiência cardíaca é uma das principais causas de internação e mortalidade. Em muitos pacientes, esse quadro poderia ser evitado com o controle adequado dos fatores de risco e o acompanhamento médico regular. Quanto mais cedo identificamos essas alterações, maiores são as chances de preservar a função do coração e evitar complicações”, destaca.
O coração costuma dar sinais antes da descompensação
Falta de ar aos esforços, cansaço persistente, inchaço nas pernas, tornozelos e pés, ganho rápido de peso provocado pelo acúmulo de líquidos, palpitações e tosse persistente estão entre os sintomas mais frequentes. Como costumam surgir de forma gradual, muitas pessoas acabam associando essas manifestações ao envelhecimento ou ao sedentarismo.
Além da avaliação clínica, exames laboratoriais e métodos de imagem, como o ecocardiograma, são fundamentais para confirmar o diagnóstico e definir a melhor estratégia de tratamento.
Segundo o médico, procurar assistência logo nos primeiros sinais pode impedir que a doença evolua para quadros mais graves.
“Quando o paciente chega antes da descompensação, conseguimos iniciar o tratamento de forma mais precoce, controlar os sintomas e reduzir significativamente o risco de internações. Esse tempo faz diferença na evolução da doença e na qualidade de vida”, explica.
A prevenção continua sendo a melhor estratégia
Embora seja uma doença crônica, a insuficiência cardíaca pode ter seu risco reduzido por meio do controle da pressão arterial, da glicemia e do colesterol, além da prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, abandono do tabagismo e acompanhamento médico periódico.
Na avaliação de Sandro Andrey Nogueira Franco, cuidar da saúde cardiovascular é uma atitude que produz resultados ao longo da vida.
“O acompanhamento contínuo permite identificar alterações antes que elas provoquem um comprometimento importante do coração. Prevenir continua sendo o melhor caminho para reduzir internações, preservar a qualidade de vida e garantir mais segurança aos pacientes”, reforça.
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