sociedade indigena
Organização Tribal
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Marcos Bergamasco |
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Cerimônia sagrada do Kuarup, no Xingú |
Os povos indígenas mato-grossenses se caracterizam por baixa densidade demográfica. Em compensação, muitos são os povos. Damos o nome de povo indígena, à língua por eles falada, à localização geográfica, aos nomes das aldeias. Ao indicarmos a língua, anotamos as variações dialetais identificadas. Ao indicar o nome do povo ou da aldeia, damos o nome em voga entre os não índios, com anexação do nome indígena, quando possível.
Os estudos antropológicos demonstram que a cada povo indígena corresponde uma língua. A língua, por sua vez, expressa diversidade de pensamento, de filosofia de vida, de costumes, de organização social, de estrutura educativa, religião. Para se falar corretamente de índios, é necessário situar o índio num povo determinado. Não existe o índio genérico. Existe, sim, o Nambikwara, o Xavante, o Bororo. Cada tribo existe por si e é diferente de qualquer outra.
Os lingüistas não classificaram ainda todas as línguas indígenas, mas agrupam os falares em filo, tronco, família, língua e dialeto. As línguas indígenas brasileiras se dividem em quatro troncos: tupi, macro-jê, arwak e mais um tronco não intitulado, objeto ainda de estudo. Outras línguas não classificadas se denominam alófilas. Algumas denominações ou grafias são novas, não constando nas publicações especializadas, por serem conhecidas apenas ultimamente, como o caso dos nomes rikbákta (descoberta ser esta a denominação do singular) e manôki (em vez de mynky). A denominação manôki foi obtida pelo Pe. Adalberto Holanda Pereira, em 28 de janeiro de 1995, por declaração dos índios da Aldeia Paredão. Os índios explicaram que o nome mynky significa apenas gente e não o povo mynky. Os não índios denominaram esse povo indígena de iránxe.
Em Mato Grosso encontram-se ainda hoje os quatro troncos lingüísticos falados e mais línguas isoladas. Onze são as línguas faladas do tronco tupi: Apiaká, tapirapé, kamayurá, zoró, kayabí, auetí, mundurukú, juruna, arára, itogapúk e cinta-larga. Nove são as línguas e dialetos do grupo macro-jê: mentuktíre, kren-aka-rôre, txukarramãe, suyá, xavante, karajá, bororo, umutína e rikbaktsa. Cinco são do tronco linguístico arwák: paresi, salumã, wawrá, mehináku e yawalapiti. Troncos linguísticos ainda não denominados: bakairí, nahukuá, matipúhu, kalapálo, txikão, nambikwára do norte, nambikwára do sul e sabanê. Duas as línguas isoladas: trumái e iránxe.
Não incluímos aqui as línguas faladas nos Estados de Rondônia e Mato Grosso do Sul. Os povos indígenas se autodenominam como unidade tribal. Algumas tribos se compõem de grupos com estruturas próprias de cada tribo, dando a impressão aos menos experientes de que esses grupos são tribos distintas, quando, na verdade, compõem um todo maior.
Os paulistas e em geral os brancos, ao encontrarem pela primeira vez povos indígenas não perguntaram a alguém desse povo o nome da tribo. Ou adotaram nomes utilizados por povos vizinhos ou deram nome por conta própria. Chamaram paresi, quando o nome autóctone é halíti. Chamaram canoeiro de Mato Grosso, quando o certo é rikbáktsa. Iránxe, quando mynky. Chamaram bororo, quando é boe. Chamaram xavante, quando é a’wen. São alguns exemplos.
| Marco Bergamasco |
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| Índio xinguano |
Os povos indígenas, após encontros de migrações, foram estabilizando o relacionamento entre si, como nações em estado tribal. Respeitavam ou não, mas conheciam os limites de rios ou vegetações ou altitudes. Firmavam pactos de amizade ou de estado de guerra – explícitos ou tácitos.
No correr da história, até os dias de hoje, a ação dos brancos não foi boa para os povos indígenas. Reduzidos à escravidão alguns, guerreados outros, sofridos todos. Os portugueses, espanhóis e brasileiros agiram sempre com ares de superioridade, ignorando ou fingindo ignorar os direitos dos povos indígenas. Os brancos, nos momentos de necessidade, como na colonização, ou na Guerra do Paraguai, favoreceram os povos indígenas, mas nunca os situaram com igualdade, respeitadas as condições típicas tribais. Sempre os trataram como indivíduos isolados uns dos outros. Não existe comunidade mais una do que a indígena.
Não foi só a escravidão. Uma desdita para os povos indígenas foi o processo de transmigração forçada, onde muitas vezes parte do povo foi arrancada do habitat para compor vida junto com outra tribo, a centenas de quilômetros de distância, como ocorreu com parte do povo paresi, arrancado da região dos rios Ferrugem e Macaco, estes tributários da Bacia Amazônica, para comporem vida com o povo barbádo, na região dos rios Paraguai e Bugres, tributários do Prata.
Passadas as guerras de conquista, o pior estava para acontecer. Não se tomou providência para as condições sanitárias. Sabe-se que os povos indígenas não sofriam de certas epidemias, comuns aos brancos, a exemplo da gripe e sarampo. Portanto, não possuíam programas de combate ou defesa.
Muito mais índios pereceram na paz, pelas doenças, do que no tempo da guerra. Alguns povos desapareceram de todo, a exemplo do arinos, o marijapéy, o kustenáw, dentre outros, enquanto que definham em estado de extinção os trumai e o barbado. Os portugueses, ocupando terra na margem direita do Rio Amazonas e missões jesuíticas do Pará, perturbaram o estado de vida nativa de povos indígenas, que subiram os rios, adentrando em Mato Grosso ou passando por aqui, tomando o rumo do poente.
O povo juruna fugiu da influência das missões; o povo parintintím, pressionado por povos indígenas inimigos subiram até a altura da barra do Rio Arinos e daí rumou para oeste. Programas oficiais intentaram sempre atrair os povos indígenas para os costumes dos brancos. Por vezes forçaram a assimilação, sob denominação vela de aculturação, ignorando ou fingindo ignorar os direitos dos povos indígenas à vida tribal. A aculturação ocorre naturalmente e não à força, a mando.
sociedade indigena
Tecnologia e Civilizações antigas
Drone varrerá Amazônia em busca de civilizações antigas
Publicado em Segunda, 16 Fevereiro 2015 22:01 |
Cientistas britânicos vão usar um drone para fazer varreduras na Amazônia brasileira e procurar vestígios de civilizações antigas.
O avião não-tripulado que será enviado para a região é equipado com um laser que analisa e procura por áreas onde podem ter existido construções há milhares de anos.
O objetivo do projeto é determinar qual era o tamanho destas comunidades milenares e até que ponto elas alteraram a paisagem local.
Os pesquisadores anunciaram a iniciativa durante a reunião anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), na cidade de San Jose, na Califórnia.
O projeto, uma parceria entre agências e instituições do Brasil e Europa, já conseguiu uma verba de US$ 1,9 milhão (cerca de R$ 5,3 milhões) do Conselho Europeu de Pesquisa.
Dependendo dos dados obtidos, eles também podem ser usados para a elaboração de políticas de uso sustentável da floresta.
Mas a questão mais importante é tentar compreender a escala e as atividades das populações que viveram na Amazônia no final do período antes da chegada dos europeus à América, ou seja, os últimos 3 mil anos antes de 1490.
Padrões no solo
A equipe internacional vai tentar encontrar na Amazônia os chamados geoglifos, que são desenhos geométricos grandes feitos no chão.
Mais de 450 destes geoglifos, em vários formatos geométricos, foram encontrados em locais onde ocorreu desmatamento.
Mas até hoje ninguém sabe exatamente o que estes círculos, quadrados e linhas representam – há indícios de que fossem centros cerimoniais.
No entanto, o que se sabe é que eles são provas de um comportamento coletivo.
“É um debate acalorado agora na arqueologia do Novo Mundo”, afirmou José Iriarte, da Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha.
“Enquanto alguns pesquisadores acreditam que a Amazônia foi habitada por pequenos grupos de caçadores-coletores ou então por pequenos grupos de cultivavam apenas para a subsistência, que tiveram um impacto mínimo no meio ambiente, e que a floresta que vemos hoje foi intocada por milhares de anos, há cada vez mais provas mostrando que este pode não ser o caso.”
“Estas provas sugerem que a Amazônia pode ter sido habitada por sociedades grandes, numerosas, complexas e hierárquicas que tiveram um grande impacto no meio ambiente; o que nos chamamos de ‘hipótese do parque cultural'”, disse o cientista à BBC.
Drone e satélite
O projeto de Iriarte prevê o sobrevoo do drone por algumas áreas da floresta que servirão de amostra.
O laser acoplado ao drone vai procurar geoglifos estão escondidos em regiões ainda não desmatadas.
Parte da luz deste laser, chamado de “lidar” (“light-activated radar”, ou radar ativado pela luz, em tradução livre) consegue ultrapassar a barreira das folhas das árvores.
Serão feitas várias inspeções e, se a existência dos geoglifos for confirmada, os cientistas vão tentar determinar mudanças específicas que foram deixadas no solo e na vegetação pelos antigos habitantes.
Estas “impressões digitais” poderão ser buscadas por imagens de satélites, possibilitando uma busca em uma área muito maior da Amazônia, maior do que com o pequeno drone.
E, a partir deste projeto será possível avaliar como a Amazônia pode ser gerenciada de forma sustentável. Segundo Iriarte, não é possível especular quais seriam as mudanças futuras aceitáveis na Amazônia se não existir uma compreensão completa de como a floresta foi alterada no passado.
“Queremos ver qual é a pegada humana na floresta e então formar uma política (de uso), pois pode ser o caso de que a biodiversidade que queremos preservar seja o resultado de uma manipulação no passado desta floresta”, explicou.
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