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Novo mercado pode render R$ 520 milhões ao setor

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A autorização para exportar miúdos suínos ao mercado chinês poderá abrir espaço para embarques superiores a 100 mil toneladas por ano e acrescentar mais de R$ 520 milhões à receita da suinocultura brasileira. A abertura ocorre no momento em que o preço médio do animal vivo reage no mercado nacional, após meses de margens apertadas para os produtores.

O novo protocolo sanitário permite a venda de miúdos internos, como fígado, coração e esôfago. O Brasil já estava autorizado a fornecer partes externas valorizadas pelo consumidor chinês, como orelha, rabo e focinho.

A China importa aproximadamente R$ 13 bilhões em miúdos suínos por ano, o que torna a abertura relevante para o melhor aproveitamento da carcaça. Esses produtos já são comercializados no mercado doméstico e enviados a outros destinos, mas encontram procura maior e preços potencialmente mais elevados no país asiático.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a nova autorização poderá gerar receita adicional superior a R$ 520 milhões por ano. Os valores foram convertidos pela cotação Ptax de R$ 5,1988 registrada em 25 de setembro.

A abertura beneficia inicialmente 16 frigoríficos: sete em Santa Catarina, oito no Rio Grande do Sul e um em Mato Grosso. Santa Catarina já possuía autorização chinesa por ser reconhecida há mais tempo como área livre de febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento sanitário concedido ao restante do País em junho ampliou as possibilidades para unidades gaúchas e mato-grossenses.

A ABPA estima que Santa Catarina tenha capacidade para destinar 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos ao novo mercado. No Rio Grande do Sul, o potencial supera 40 mil toneladas, além das oportunidades abertas anteriormente para carne suína com osso e miúdos externos.

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A assinatura do protocolo não resultou em novas habilitações de frigoríficos. Uma auditoria chinesa realizada desde o dia 20 visitou fazendas, abatedouros, unidades de produção e laboratórios oficiais em seis Estados, mas terminou sem o anúncio de novas plantas autorizadas ou da retirada de suspensões aplicadas a estabelecimentos de carnes bovina e de aves.

Para a cadeia suinícola, o principal ganho está na valorização de partes do animal que possuem demanda mais limitada no Brasil. A diferença nos hábitos de consumo permite direcionar cada corte ao mercado que oferece melhor remuneração, aumentando a receita por suíno abatido sem exigir expansão equivalente da produção.

“O ganho está justamente na qualificação dessa destinação. Há uma complementaridade muito importante entre os hábitos de consumo brasileiro e chinês, que permite melhorar o aproveitamento da carcaça e agregar receita à produção”, afirma Ricardo Santin, presidente da ABPA.

A abertura coincide com uma recuperação das cotações no mercado interno. Levantamento da Safras & Mercado mostra que o preço médio nacional do suíno vivo subiu 4,8% em uma semana, de R$ 4,81 para R$ 5,04 por quilo.

No atacado, a média dos cortes de carcaça avançou 5,8%, de R$ 7,88 para R$ 8,34 por quilo. O pernil teve valorização de 3%, passando de R$ 9,60 para R$ 9,89.

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A reação foi sustentada pelo ajuste da oferta de animais à necessidade dos frigoríficos, que voltaram a ampliar as compras para abate. A melhora no escoamento doméstico e a competitividade da carne suína diante da proteína bovina também favoreceram a reposição dos estoques.

A valorização, entretanto, ainda não alcançou todos os produtores. Nos sistemas de integração, os preços permaneceram estáveis em R$ 4,80 por quilo no Rio Grande do Sul, R$ 4,65 em Santa Catarina, R$ 5,05 no Paraná e R$ 4,65 em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O avanço concentrou-se principalmente no mercado independente.

As exportações continuam ajudando a retirar produto do mercado interno. Nos primeiros 13 dias úteis de setembro, o Brasil embarcou 79,39 mil toneladas de carne suína in natura, com receita aproximada de R$ 939 milhões. A média diária chegou a 6,1 mil toneladas.

Apesar da recuperação semanal, a cautela permanece entre os criadores. A elevada oferta para abate pressionou as cotações durante agosto e provocou prejuízos que ainda não foram recuperados. A abertura para os miúdos chineses melhora a perspectiva de receita da indústria e pode ajudar na sustentação dos preços, mas seus efeitos dependerão do início efetivo dos embarques e da capacidade de o ganho comercial chegar ao produtor.

Fonte: Pensar Agro

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Novo mercado pode render receita extra de R$ 520 milhões por ano

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O Brasil ganhou autorização para exportar miúdos suínos internos, como fígado, coração e esôfago, ao mercado chinês. A medida, que se soma às partes externas já liberadas — orelha, rabo e focinho —, tem potencial de elevar os embarques a mais de 100 mil toneladas por ano e acrescentar mais de R$ 520 milhões à receita anual da suinocultura brasileira. A estimativa é da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), com valores convertidos pela cotação Ptax de R$ 5,1988, registrada em 25 de setembro. A notícia chega em um momento de reação dos preços do animal vivo no mercado nacional, depois de meses de margens apertadas para os produtores.

O peso da abertura se explica pelo tamanho do consumo chinês: a China importa cerca de R$ 13 bilhões em miúdos suínos por ano. Esses cortes já têm destino no mercado doméstico e em outros países, mas encontram na Ásia procura maior e remuneração potencialmente superior. Para Ricardo Santin, presidente da ABPA, o ganho está na forma como cada parte do animal passa a ser direcionada. “O ganho está justamente na qualificação dessa destinação. Há uma complementaridade muito importante entre os hábitos de consumo brasileiro e chinês, que permite melhorar o aproveitamento da carcaça e agregar receita à produção”, afirma.

Na prática, a diferença entre os hábitos de consumo dos dois países permite vender cada corte onde ele vale mais, elevando a receita por suíno abatido sem a necessidade de ampliar a produção na mesma proporção.

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A liberação alcança inicialmente 16 frigoríficos: sete em Santa Catarina, oito no Rio Grande do Sul e um em Mato Grosso. Santa Catarina já contava com a autorização chinesa por ser reconhecida há mais tempo como área livre de febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento sanitário concedido ao restante do país em junho, porém, abriu caminho para as unidades gaúchas e mato-grossenses. Segundo a ABPA, Santa Catarina tem capacidade para destinar 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos ao novo destino, enquanto o potencial gaúcho supera 40 mil toneladas — além das oportunidades já existentes para carne suína com osso e miúdos externos.

A assinatura do protocolo, contudo, não veio acompanhada de novas habilitações de plantas. Uma auditoria chinesa, iniciada no dia 20, percorreu fazendas, abatedouros, unidades de produção e laboratórios oficiais em seis estados, mas terminou sem anúncio de novas plantas autorizadas e sem a retirada das suspensões aplicadas a estabelecimentos de carne bovina e de aves.

No mercado interno, as cotações reagiram na mesma semana da anúncio. Levantamento da Safras & Mercado aponta alta de 4,8% no preço médio nacional do suíno vivo em uma semana, de R$ 4,81 para R$ 5,04 por quilo. No atacado, a média dos cortes de carcaça avançou 5,8%, de R$ 7,88 para R$ 8,34 por quilo, e o pernil subiu 3%, de R$ 9,60 para R$ 9,89. O movimento foi sustentado pelo ajuste da oferta de animais à demanda dos frigoríficos, que ampliaram as compras para abate, além do melhor escoamento doméstico e da competitividade da carne suína frente à proteína bovina, que favoreceu a reposição dos estoques.

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A recuperação, porém, ainda não chega a todos. Nos sistemas de integração, os preços seguiram estáveis: R$ 4,80 por quilo no Rio Grande do Sul, R$ 4,65 em Santa Catarina, R$ 5,05 no Paraná e R$ 4,65 em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O avanço ficou concentrado principalmente no mercado independente.

As exportações seguem como válvula de alívio para o mercado interno. Nos primeiros 13 dias úteis de setembro, o Brasil embarcou 79,39 mil toneladas de carne suína in natura, com receita aproximada de R$ 939 milhões — média diária de 6,1 mil toneladas.

Apesar do alívio semanal, o clima entre os criadores ainda é de cautela. A oferta elevada para abate pressionou as cotações em agosto e deixou prejuízos que ainda não foram recuperados. A abertura chinesa para os miúdos melhora a perspectiva de receita da indústria e pode ajudar a sustentar os preços, mas o impacto final dependerá do início efetivo dos embarques e da capacidade de o ganho comercial chegar até o produtor.

 

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