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AGRO & NEGÓCIO

Festival do agro projeta R$ 2,2 bilhões em negócios

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O Global Agribusiness Festival (GAFFFF) espera reunir 35 mil pessoas e movimentar mais de R$ 2,2 bilhões em negócios nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque, em São Paulo. A projeção é pelo menos 20% superior à da edição de 2025 e reflete a ampliação da feira e da programação técnica.

Promovido pela Datagro, o encontro terá 230 empresas apoiadoras e expositoras, além de aproximadamente 330 palestrantes de mais de 20 países. Serão mais de 80 sessões e 90 horas de conteúdo distribuídas por seis palcos simultâneos, o dobro da estrutura montada no ano passado.

A programação foi organizada para conectar produtores, empresas, investidores e fornecedores de tecnologia. Entre os principais temas estão crédito, mercado de capitais, comércio exterior, inteligência artificial, segurança alimentar, insumos, transição energética e mudanças climáticas.

Os debates sobre financiamento devem abordar a busca por recursos fora do crédito rural tradicional, com instrumentos privados e operações no mercado de capitais. Na área tecnológica, a programação prevê discussões sobre o uso de inteligência artificial na gestão das propriedades, análise de dados, automação e tomada de decisão.

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O comércio internacional também terá espaço diante do aumento das exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade impostas aos produtos agropecuários. A abertura de mercados, as barreiras tarifárias e a capacidade do Brasil de comprovar a origem da produção estarão entre os assuntos apresentados.

Entre os nomes anunciados estão Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda e ex-alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, e Silvia Massruhá, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A programação reúne ainda executivos de empresas de insumos, máquinas, alimentos, combustíveis, finanças e tecnologia.

Uma das novidades será a elaboração do Consenso do Agronegócio. O documento reunirá as principais conclusões das discussões sobre geopolítica, segurança alimentar, inteligência artificial, financiamento, insumos, clima e energia. O material será divulgado depois do festival.

A programação se estende para além dos debates. O evento terá feira de negócios, competições equestres, rodeio e a Arena Fogo, com restaurantes e produtores de queijos, vinhos e charcutaria. Os shows confirmados são de Edson & Hudson, Rionegro & Solimões e Fiduma & Jeca.

Uma cavalgada com mais de 200 animais também está prevista antes da abertura do festival. O percurso será realizado entre o Parque da Água Branca e o Nubank Parque, com o dobro do número de cavalos registrado na edição anterior.

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Serviço: o Global Agribusiness Festival será realizado nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque, na Rua Palestra Itália, 200, em São Paulo. Os portões serão abertos às 7 horas, a feira começa às 8h30 e as palestras serão realizadas das 9 às 17 horas. A programação geral segue até as 22 horas. Os ingressos e a agenda completa estão disponíveis no site oficial do GAFFFF e na plataforma Sympla.

Fonte: Pensar Agro

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AGRO & NEGÓCIO

Novo mercado pode render receita extra de R$ 520 milhões por ano

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O Brasil ganhou autorização para exportar miúdos suínos internos, como fígado, coração e esôfago, ao mercado chinês. A medida, que se soma às partes externas já liberadas — orelha, rabo e focinho —, tem potencial de elevar os embarques a mais de 100 mil toneladas por ano e acrescentar mais de R$ 520 milhões à receita anual da suinocultura brasileira. A estimativa é da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), com valores convertidos pela cotação Ptax de R$ 5,1988, registrada em 25 de setembro. A notícia chega em um momento de reação dos preços do animal vivo no mercado nacional, depois de meses de margens apertadas para os produtores.

O peso da abertura se explica pelo tamanho do consumo chinês: a China importa cerca de R$ 13 bilhões em miúdos suínos por ano. Esses cortes já têm destino no mercado doméstico e em outros países, mas encontram na Ásia procura maior e remuneração potencialmente superior. Para Ricardo Santin, presidente da ABPA, o ganho está na forma como cada parte do animal passa a ser direcionada. “O ganho está justamente na qualificação dessa destinação. Há uma complementaridade muito importante entre os hábitos de consumo brasileiro e chinês, que permite melhorar o aproveitamento da carcaça e agregar receita à produção”, afirma.

Na prática, a diferença entre os hábitos de consumo dos dois países permite vender cada corte onde ele vale mais, elevando a receita por suíno abatido sem a necessidade de ampliar a produção na mesma proporção.

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A liberação alcança inicialmente 16 frigoríficos: sete em Santa Catarina, oito no Rio Grande do Sul e um em Mato Grosso. Santa Catarina já contava com a autorização chinesa por ser reconhecida há mais tempo como área livre de febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento sanitário concedido ao restante do país em junho, porém, abriu caminho para as unidades gaúchas e mato-grossenses. Segundo a ABPA, Santa Catarina tem capacidade para destinar 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos ao novo destino, enquanto o potencial gaúcho supera 40 mil toneladas — além das oportunidades já existentes para carne suína com osso e miúdos externos.

A assinatura do protocolo, contudo, não veio acompanhada de novas habilitações de plantas. Uma auditoria chinesa, iniciada no dia 20, percorreu fazendas, abatedouros, unidades de produção e laboratórios oficiais em seis estados, mas terminou sem anúncio de novas plantas autorizadas e sem a retirada das suspensões aplicadas a estabelecimentos de carne bovina e de aves.

No mercado interno, as cotações reagiram na mesma semana da anúncio. Levantamento da Safras & Mercado aponta alta de 4,8% no preço médio nacional do suíno vivo em uma semana, de R$ 4,81 para R$ 5,04 por quilo. No atacado, a média dos cortes de carcaça avançou 5,8%, de R$ 7,88 para R$ 8,34 por quilo, e o pernil subiu 3%, de R$ 9,60 para R$ 9,89. O movimento foi sustentado pelo ajuste da oferta de animais à demanda dos frigoríficos, que ampliaram as compras para abate, além do melhor escoamento doméstico e da competitividade da carne suína frente à proteína bovina, que favoreceu a reposição dos estoques.

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A recuperação, porém, ainda não chega a todos. Nos sistemas de integração, os preços seguiram estáveis: R$ 4,80 por quilo no Rio Grande do Sul, R$ 4,65 em Santa Catarina, R$ 5,05 no Paraná e R$ 4,65 em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O avanço ficou concentrado principalmente no mercado independente.

As exportações seguem como válvula de alívio para o mercado interno. Nos primeiros 13 dias úteis de setembro, o Brasil embarcou 79,39 mil toneladas de carne suína in natura, com receita aproximada de R$ 939 milhões — média diária de 6,1 mil toneladas.

Apesar do alívio semanal, o clima entre os criadores ainda é de cautela. A oferta elevada para abate pressionou as cotações em agosto e deixou prejuízos que ainda não foram recuperados. A abertura chinesa para os miúdos melhora a perspectiva de receita da indústria e pode ajudar a sustentar os preços, mas o impacto final dependerá do início efetivo dos embarques e da capacidade de o ganho comercial chegar até o produtor.

 

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