curiosidades
Moitará
Comércio praticado entre os índios xinguanos. O início da cerimônia é marcado por gritos de todos os componentes dos grupos indígenas reunidos na aldeia. Em seguida, inicia-se a troca de bens produzidos pelos próprios índios. Os Kamayurá, com o óleo de pequi, pimenta e adornos; os Waurá, com a cerâmica e os Kalapalo e Kuikuro com os colares e cintos de caramujo. As trocas são feitas uma a uma, acompanhadas por todos os presentes, mesmo aqueles que não participaram do comércio. O objeto a ser permutado é depositado ao centro do pátio da aldeia. Em seguida, outro objeto é colocado ao lado do primeiro, por um representante de uma outra etnia. A troca é consolidada quando o primeiro índio pegar o segundo objeto. Gritos de saudação encerram a primeira permuta. O Moitará obedece a determinadas normas: as trocas só são permitidas quando efetuadas por indivíduos do mesmo sexo e da mesma faixa etária. Quanto às mulheres, somente àquelas casadas com líderes das aldeias podem participar da troca de objetos. As trocas entre sexos opostos podem ocorrer somente quando indicar marido e mulher. Os bens que são levados ao pátio dividem-se em três categorias: superior, representada pelas grandes panelas, fabricadas pelos grupos Aruak, colares de caramujo, característicos dos Karib, arcos pretos, do Tupi e as canoas; a segunda categoria abrange os adornos plumários, cestas e pequenas panelas; na terceira categoria entram os alimentos.
Anna Maria Ribeiro Fernandes Moreira da Costa
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Cravos no ramo: Sombolismo, história e tradições em Portugal
Usar cravos nos ramos de flores não é propriamente uma novidade. Trata-se de uma flor muito usada, devido à sua forte carga simbólica, pois pode ser associada a diferentes significados consoante a sua cor. Em muitas culturas, os cravos são usados para expressar emoções, intenções ou sentimentos. Sem dúvida que são uma estratégia silenciosa, mas muito poderosa. Segundo a Interflora, especialistas no envio de flores e no seu simbolismo, cravos vermelhos simbolizam amor apaixonado, o cravo branco representa pureza e paz, estando também associado a novos começos. Já o cravo cor-de-rosa é a flor da gratidão, também muitas vezes associada ao amor maternal, enquanto o amarelo é a flor da alegria e da amizade, estando o roxo mais ligado ao misticismo, à espiritualidade e até ao luto.
Em Portugal, o cravo – em particular o cravo de cor vermelha – é, desde 1974, um poderoso símbolo de liberdade, resistência e esperança. Uma flor que todos os portugueses usam e reconhecem como símbolo nacional.
O simbolismo dos cravos vermelhos em Portugal
A ligação mais imediata e recente dos cravos vermelhos no país é à Revolução dos Cravos, de 25 de Abril de 1974. Nessa noite, os militares entraram em Lisboa e derrubaram o regime ditatorial do Estado Novo, dando início a uma nova era de democracia no país. Em vez de tiros e de sangue, os soldados colocaram cravos vermelhos nos canos das suas espingardas. Esta imagem, que na altura atravessou fronteiras, faz hoje parte do imaginário e da cultura portuguesa e é um símbolo de Abril e dos seus valores democráticos.
E tudo graças a Celeste Martins Caeiro, que, naquela manhã, levava consigo cravos vermelhos e brancos para celebrar o aniversário do restaurante onde trabalhava. Ao ver os soldados e sem nada mais para lhes oferecer, Celeste presenteou-os com os cravos que tinha consigo. Por este gesto, Celeste Martins Caeiro (que faleceu recentemente, em novembro do ano passado) será sempre recordada, tendo sido,, no passado Dia da Mulher (8 de Março), condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com o grau de Oficial da Ordem da Liberdade.
Ainda hoje, esta data é celebrada em Portugal com cravos vermelhos, que são distribuídos e levados pela população na mão ou à lapela.
Os cravos antes do 25 de Abril
A verdade é que a ligação dos cravos à cultura portuguesa já vinha de trás. Em algumas localidades, por exemplo, era comum colocar um cravo vermelho à janela como forma de declarar o seu amor sem usar palavras.
Usar ramos de cravos é também comum nas muitas festas religiosas e romarias que existem no país. Nestas festas, os cravos ganham destaque em andores e procissões conquistando um simbolismo sagrado, muitas vezes associado à fertilidade e à celebração da primavera.
Como pode ver, usar cravos num ramo pode significar muitas coisas. E da mesma forma que esta flor faz parte da memória histórica e coletiva de todos nós, sendo um tributo à luta pela liberdade, também é uma flor carregada de mensagem e perfeita para ser partilhada com quem se ama.
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