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Ministério Público inicia perícia crítica na Usina de Colíder após alerta de segurança
Em uma ação conjunta das Promotorias de Justiça de Cláudia, Itaúba e da Promotoria Cível de Colíder, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) deu início, na última sexta-feira (22), à perícia técnica na Usina Hidrelétrica de Colíder, localizada no rio Teles Pires. A iniciativa visa aprofundar a investigação sobre os danos estruturais que levaram a barragem ao nível de segurança “Alerta” e os potenciais impactos ambientais e sociais.
A equipe de peritos, designada com urgência pelo procurador de Justiça Gerson Barbosa, coordenador do Centro de Apoio à Execução Ambiental (CAEX Ambiental), começou os trabalhos inspecionando as galerias onde estão os drenos danificados. Promotores de Justiça acompanharam a primeira etapa da perícia, ressaltando a seriedade da situação. “Nossa presença aqui visa assegurar que todas as providências necessárias sejam tomadas para proteger tanto a população quanto o meio ambiente. A inspeção dos drenos danificados corrobora nossa apreensão com a gravidade e a urgência na elucidação dos fatos”, afirmaram representantes do MPMT.
A equipe técnica mobilizada para o levantamento é multidisciplinar, contando com a expertise da bióloga Mayara Fioreze Zucchetto (doutora em Ecologia e Conservação da Biodiversidade), do geólogo Edvaldo José de Oliveira (doutor em Geociências) e do engenheiro civil Bruno Moreira dos Santos Zuchini. Além dos promotores e peritos, estiveram presentes no local uma equipe da Perícia Oficial e Identificação Técnica do Estado (Politec), Jeferson Henrique, gerente do Departamento de Segurança de Barragem da Eletrobras, e Lucas Pinz, diretor dos Centros de Excelência Digitais da Eletrobras.
A perícia é um componente crucial do inquérito civil aberto pelo MPMT, motivado por um comunicado da própria Eletrobras, datado de 15 de agosto de 2025, que alertava para falhas no sistema de drenagem da barragem, culminando na ativação do Plano de Ação Emergencial.
O foco da investigação do Ministério Público é verificar a existência de riscos iminentes à vida, saúde e segurança da população, bem como a extensão dos danos ambientais. Entre as preocupações estão a mortandade de peixes, alterações nos ciclos reprodutivos de espécies aquáticas, a exposição de áreas marginais do rio, a redução da oferta de água para as comunidades ribeirinhas e o comprometimento das atividades econômicas locais.
O inquérito tem como alvos as Centrais Elétricas Brasileiras S/A – Eletrobras, proprietária da usina, e a Companhia Paranaense de Energia – Copel, responsável por sua operação. O objetivo final é determinar a extensão dos danos ambientais resultantes da condição estrutural da barragem e da diminuição do nível do reservatório, avaliar os riscos à segurança pública e desvendar as causas que levaram à deterioração do sistema de drenos.
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Colapso de tubulação interrompe tráfego na MT-140
O tráfego na rodovia MT-140, nas proximidades do rio Braço 2, em Colider (a 610 km de Cuiabá), encontra-se interrompido após o colapso de uma tubulação que cedeu à força das águas. O incidente, próximo à divisa com Nova Guarita, mobiliza equipes da prefeitura, que trabalham para instalar um novo tubo de aço galvanizado, visando restabelecer a passagem o mais breve possível. Contudo, a persistência das chuvas tem dificultado o avanço dos trabalhos.
A situação é reflexo de um cenário de intensas precipitações que assola a região. Na última terça-feira (10), a prefeitura municipal foi obrigada a decretar situação de emergência, após um levantamento indicar danos em impressionantes 956 quilômetros da malha viária rural.
Os impactos econômicos e sociais já são severos. Segundo informações da assessoria municipal, o escoamento da produção de grãos, como a soja, está comprometido, e o transporte de gado, além do transporte escolar, foi interrompido. “São volumes [de chuva] que não eram vistos há pelo menos 46 anos, segundo os moradores mais antigos, que nunca presenciaram tanta água em nosso município. Recentemente, uma chuva dessa magnitude havia ocorrido apenas em janeiro de 2017”, declarou o prefeito Rodrigo Benassi (PRD), através de sua assessoria.
A saturação do solo e o transbordamento de rios resultaram em erosões profundas e atoleiros, isolando parcial ou totalmente comunidades e assentamentos, e afetando diretamente cerca de 6 mil moradores da zona rural. Os gastos emergenciais da prefeitura já superam R$ 992 mil, e a estimativa para a recuperação completa das vias destruídas alcança a cifra de R$ 2,5 milhões. A população aguarda com expectativa as ações de recuperação e o fim do período chuvoso para normalizar a rotina na região.
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