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MINISTÉRIO PÚBLICO MT

Megaoperação atinge Mato Grosso em ofensiva contra fraude de R$ 7,6 bilhões em impostos

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O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) em Mato Grosso cumpriu cinco mandados de busca e apreensão no estado nesta quinta-feira, como parte da Operação Carbono Oculto, uma ação nacional de grande envergadura que investiga uma complexa organização criminosa atuante no setor de combustíveis. As diligências ocorreram nas cidades de Feliz Natal, Diamantino, Primavera do Leste e Rondonópolis, embora os nomes dos alvos não tenham sido divulgados.

Mato Grosso é um dos oito estados brasileiros alcançados pela operação, que se estende por São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A investigação aponta que a rede criminosa sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos, impactando diretamente os cofres públicos e a economia nacional.

Um esquema que “sequestrou” o mercado

As apurações detalham que as irregularidades se manifestavam em diversas etapas da produção e distribuição de combustíveis, desde a origem até o consumidor final, com a sonegação fiscal como um dos pilares do esquema. A Operação Carbono Oculto, coordenada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por meio do Gaeco, reúne uma força-tarefa robusta, incluindo o Ministério Público Federal (MPF), as polícias Federal, Civil e Militar de São Paulo, além da Receita Federal, Secretaria da Fazenda de SP, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo (PGE-SP).

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No total, a megaoperação mira mais de 350 pessoas físicas e jurídicas, suspeitas de uma vasta gama de crimes, incluindo delitos contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.

Um dos pontos mais alarmantes revelados pelas investigações é a profunda infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. As autoridades afirmam que o PCC praticamente “sequestrou” esse mercado, criando um ambiente onde operadores honestos encontram dificuldade para competir e sobreviver.

A organização criminosa controlava uma cadeia completa que envolvia metanol, nafta, gasolina, diesel e etanol. Seu domínio se estendia desde a estrutura portuária e a fase de formulação e refino, passando pela posse de uma frota própria para transporte e distribuição, até a operação de postos de abastecimento e lojas de conveniência.

A força-tarefa identificou irregularidades no fornecimento de combustível em mais de 300 postos vinculados à facção. Os consumidores eram lesados por meio de “bombas viciadas”, pagando por um volume inferior ao indicado, ou recebiam combustíveis adulterados, fora das especificações exigidas. A Receita Federal, por sua vez, revelou que cerca de 1.000 estabelecimentos ligados à facção movimentaram impressionantes R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, evidenciando a magnitude do poder financeiro e da atuação criminosa desvendada pela Carbono Oculto.

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MINISTÉRIO PÚBLICO MT

MPMT requer na Justiça suspensão de cortes de árvores em Cuiabá

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A 29ª Promotoria de Justiça Cível da Comarca de Cuiabá – Defesa Ambiental e da Ordem Urbanística ajuizou, nesta quinta-feira (2), uma Ação Civil Pública (ACP) com pedido de liminar contra o Município de Cuiabá, apontando falhas na gestão da arborização urbana e nos procedimentos de autorização para poda e supressão de árvores na capital.

Na ação, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) requer a suspensão imediata da emissão de novas autorizações de supressão arbórea, bem como dos efeitos das autorizações já concedidas, até que sejam adotados critérios técnicos adequados para esse tipo de intervenção.

O MPMT também pede, em caráter emergencial, a paralisação das atividades de retirada e supressão das árvores ainda remanescentes nas obras de mobilidade urbana executadas na Avenida Fernando Corrêa da Costa/BR-163, em frente à empresa Copagás, no bairro São Francisco, na saída de Cuiabá para Rondonópolis.

No mérito, o MPMT requer o reconhecimento da inadequação dos atos administrativos que autorizaram a supressão de árvores sem observância dos objetivos de proteção e prevenção ambiental. A ação busca ainda a responsabilização do Município pelos danos ambientais e climáticos decorrentes dessas intervenções, com condenação ao pagamento de indenização por danos morais coletivos em valor não inferior a R$ 500 mil.

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O Ministério Público também pede que o Município seja obrigado a instituir protocolo técnico para poda e supressão arbórea, com critérios voltados à mitigação de impactos, compensação por equivalência ecológica, transplante de árvores quando tecnicamente recomendado e monitoramento contínuo. Além disso, requer a recomposição das árvores adultas removidas em intervenções viárias e a revisão das autorizações concedidas fora de parâmetros técnicos adequados, com apresentação de relatório contendo todos os atos administrativos que embasaram supressões arbóreas nos últimos dois anos.

De acordo com o promotor de Justiça Carlos Eduardo Silva, os elementos reunidos pelo Ministério Público revelam um cenário de desorganização na política municipal de arborização urbana. Entre os episódios destacados está a retirada de árvores de grande porte na Rua Baltazar Navarros, no bairro Bandeirantes, que teria ocorrido mediante autorização administrativa posteriormente questionada.

Outro caso envolve a erradicação de 24 árvores em área pública, com previsão de supressão de até 82 indivíduos arbóreos em razão de obras de intervenção viária na Avenida Fernando Corrêa da Costa. Segundo o MPMT, árvores adultas foram removidas sem a adoção adequada de medidas como transplante, compensação ecológica equivalente e recomposição imediata da cobertura vegetal.Na ACP, o promotor destaca a relevância da arborização para a qualidade ambiental das cidades.

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“A arborização urbana configura elemento essencial do meio ambiente artificial, exercendo funções fundamentais quanto à regulação térmica, melhoria da qualidade do ar, retenção hídrica e proteção da saúde pública”, afirma. Ele acrescenta que os benefícios são ainda mais significativos em uma cidade de clima quente como Cuiabá. “

Árvores e áreas verdes ajudam a diminuir a temperatura local por meio da oferta de sombra e da evapotranspiração, podendo refrescar em até 5ºC as regiões densamente urbanizadas”, aponta.

Para o promotor de Justiça, a substituição de árvores adultas por mudas jovens não é capaz de compensar, em curto prazo, a perda dos serviços ambientais proporcionados pela vegetação consolidada. Na avaliação dele, a atual condução da política municipal de arborização representa um “inequívoco retrocesso ambiental e climático”.

Ainda segundo Carlos Eduardo Silva, “chega-se à conclusão que a política municipal de gestão e planejamento da arborização urbana apresenta sérias deficiências estruturais”.

 

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